Depois dos testes coletivos, finalmente foi possível entender um pouco como os novos carros da Fórmula 1 vão se comportar em atividades de pista num fim de semana de corrida. Na Austrália, palco da abertura do Mundial de 2026, o que se viu foi uma McLaren veloz em volta rápida impulsionada por aquele que realmente é o melhor motor do grid em termos de performance, mas os treinos livres desta sexta-feira (6) deixam margem para uma análise não tão simplista dos resultados.
Isso acontece porque o regulamento de 2026 traz um componente que vai ser determinante no ganho de tempo de volta, que é o gerenciamento da potência elétrica. A bateria é recarregada sob circunstâncias especiais de pilotagem que envolvem frenagem, ‘lift and coast’ (tirar o pé do acelerador e deixar o carro rodar sozinho) ou mesmo o chamado super clipping, que é a recarga gerada com o acelerador pisado até o fim. Tudo isso tem de ser administrado pelo piloto para ser convertido em performance.
Nesse ponto, é possível dizer que algumas equipes demonstraram mais dificuldade no processo entre aceleração e desaceleração, como a Red Bull. Não foi à toa que Max Verstappen disse que faltava ser um pouco mais rápida para sonhar com vitórias. A boa notícia é que o motor Red Bull Ford continua sendo a grata surpresa do grid, impulsionando também uma Racing Bulls que chegou atrevida ao top-10 com o talentoso Arvid Lindblad.
Destaque também para a Audi, em performance sólida com Gabriel Bortoleto e Nico Hülkenberg. A briga com Racing Bulls e Haas, aliás, promete ser interessante, assim como a disputa na parte da frente da tabela também deve trazer outros nomes à baila. Se Oscar Piastri foi o mais rápido, George Russell ficou a centésimos com a Mercedes, enquanto a Ferrari ditou o ritmo no TL1, com direito a dobradinha.
O GRANDE PRÊMIO listou cinco lições que os treinos livres da Fórmula 1 em Melbourne trouxeram. Confira!
McLaren põe manguinhas de fora, mas Mercedes é alvo
Demorou, mas a McLaren finalmente exibiu a força já esperada para o início da temporada 2026 da Fórmula 1. Ok que ainda não tem sido um caminho totalmente livre de problemas — Norris, por exemplo, deu apenas sete voltas no TL1 por causa de uma falha na caixa de câmbio, e Piastri também reclamou de problemas ainda nos primeiros minutos da atividade matutina —, mas o MCL40 é um carro bem nascido empurrado por aquela que, de fato, é a melhor unidade de potência em termos de performance.
Há, porém, arestas a serem aparadas, sobretudo em relação à confiabilidade, mas a impressão que fica é que Piastri e Norris têm gordura para queimar e devem entrar na briga pela pole-position. A corrida já é difícil de ler, pois os long runs foram comprometidos pela quebra de Sergio Pérez na reta final da sessão. Os dois apostaram nos macios, e a julgar pelas voltas completadas comparadas com as de George Russell e Kimi Antonelli de duros, vai ser preciso um pouco mais para bater os carros prateados.

Ferrari deixa Hamilton sonhar
Difícil dizer que o TL1 trouxe uma impressão errada da performance da Ferrari, pois tanto Hamilton quanto Leclerc também andaram fortes na segunda sessão. A questão é que a tendência é ver McLaren e Mercedes à frente neste começo de novo regulamento por conta do motor, porém a Ferrari apostou em novidades aerodinâmicas para equilibrar a balança, e há um ponto também que não pode ser ignorado quando a equipe italiana é posta ao lado das rivais: a confiabilidade.
De fato, a Ferrari desenvolveu um projeto capaz de fazer os pilotos sonharem, especialmente Lewis. Depois de um primeiro ano desolador, já se nota um ânimo diferente em Hamilton desde as entrevistas, e parte disso pode ser explicada pelo carro. Bastou ter nas mãos um equipamento um pouco melhor para o #44 acompanhar o ritmo de Leclerc, ficando à frente do colega no TL2. Os erros ainda são aceitáveis, pois todo mundo está tentando se entender com o novo carro, mas já dá para dizer que 2026 vai passar longe de 2025.
Verstappen tem razão: Red Bull precisa de velocidade
Verstappen não é piloto de blefes. Se o carro está bom, ele fala, e se há algo que precisa ser alcançado, faz questão de deixar claro a todos. E foi exatamente isso que ele fez ao comentar na quinta-feira a posição da Red Bull no top-4, salientando que ainda falta velocidade ao RB22 para brigar por vitórias.
Na verdade, a impressão é de que falta algo crucial nessa nova era: gerir melhor a potência elétrica, e isso implica em um bom controle entre retas e curvas (um dos modos de recarregar a bateria é nas frenagens ou tirar o pé do acelerador). É preciso ainda entender como essa nova Fórmula 1 vai funcionar em corrida, mas em ritmo de classificação, a perda de velocidade entre retas e curvas custou décimos preciosos ao tetracampeão nos treinos.

Lindblad mostra cartão de visitas e tanto
Helmut Marko pode não ter sido o melhor dos líderes no que dizia respeito às falas e ao jeito de gerir a academia de pilotos da Red Bull como se fosse um moedor de carne, mas uma coisa definitivamente não se pode negar: o austríaco sempre teve o faro certo para descobrir talentos. Depois de bancar Isack Hadjar (que, aliás, andou no mesmo ritmo de Verstappen na sexta-feira) como nome certo para a equipe taurina, deixou de herança o jovem Lindblad, que mostrou rápido que vai incomodar bastante a vida de Liam Lawson.
Só que o britânico de 18 anos promete ir além. Tanto no TL1 quanto no TL2, colocou a Racing Bulls com folga no top-10, sendo que terminou à frente de Hadjar na segunda sessão e a 0s6 de Verstappen. Ainda é cedo para traçar qualquer prognóstico, mas quem já acompanhava Lindblad nas categorias de base sempre soube que havia ali algo diferente. Resta saber se terá a cabeça no lugar para sobreviver ao exigente grupo Red Bull.
Aston Martin: tristeza não tem fim…
Como explicar o que aconteceu com a Aston Martin? A verdade é que é triste ver que a equipe realmente corre perigo de nem ao menos alinhar com os dois carros no grid de largada do GP da Austrália por causa do problema crônico da bateria e do risco de lesão permanente nas mãos dos pilotos devido às vibrações do carro. Mas mesmo que não houvesse problemas, o carro é tão lento que fica atrás até da Cadillac.
Claro que o motor mascara totalmente as soluções aerodinâmicas encontradas por Adrian Newey, que deu uma entrevista absurdamente franca aos jornalistas presentes em Melbourne, expondo as falhas e falando abertamente sobre a impossibilidade de completar as 58 voltas. Se há um lado positivo em todo esse pesadelo é ver que a Aston Martin tem à frente um líder que não se limita a arrumar desculpas e se mostra transparente.

Bônus: Audi impressiona e lidera pelotão intermediário ao lado da Haas
São cinco coisas, mas a Audi não pode ficar de fora, porque se a Cadillac apanha como qualquer novata, a equipe de Bortoleto e Hülkenberg caminha firme para brigar até pelo top-10 na classificação de amanhã. A disputa promete ser acirrada com Racing Bulls e Haas, mas o que a esquadra alemã alcançou já no primeiro dia de atividades em um fim de semana de corrida é notável.
Vale destacar que, ao contrário da Cadillac, a Audi embarcou na nova era da F1 já como montadora, ou seja, fabricando o próprio motor, e tirando os contratempos da primeira semana de testes coletivos, cumpriu com muita consistência o programa a que se propôs. No TL2, a distância para o líder foi pouco mais de 1s, ótima notícia para quem almeja começar a brigar por metas maiores a curto prazo.
Abertura da temporada 2026 da Fórmula 1, o GP da Austrália segue em disputa até o dia 8 de março. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
GP da Austrália de F1: veja os horários em Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique:
| Sessão | BRA* | CBV | POR ANG | MOZ |
| Treino livre 3 | 22:30 | 0:30 | 02:30 | 03:30 |
| Classificação | 02:00 | 04:00 | 06:00 | 07:00 |
| Corrida | 01:00 | 03:00 | 05:00 | 06:00 |
*Horário de Brasília
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