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Newey recorda projeto que serviu de virada de chave na carreira: “Foi desastre completo”
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Newey recorda projeto que serviu de virada de chave na carreira: “Foi desastre completo”

Adrian Newey relembrou início de altos e baixos na Fórmula 1 e avaliou que fracassos foram essenciais para evolução como profissional

Marcos Gil

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Um dos projetistas mais vitoriosos da história da Fórmula 1, Adrian Newey afirmou que lidar com adversidades é parte inevitável tanto da categoria quanto da vida profissional. O britânico destacou que fracassos, mais do que os períodos de sucesso, foram determinantes para moldar a trajetória e como aprendeu a reagir em momentos de crise.

Responsável por 26 títulos mundiais entre Mundiais de Pilotos e Construtores, Newey trabalha atualmente no projeto do carro da Aston Martin para o regulamento de 2026, além de ter sido anunciado recentemente como chefe da equipe.

Em participação no podcast James Allen on F1, ele relembrou um dos episódios mais marcantes do início da carreira, quando passou rapidamente do status de revelação da engenharia a alvo de dúvidas dentro e fora da equipe.

Após conquistar títulos na Indy na metade da década de 1980, Newey chegou à F1 pela March, que posteriormente se tornaria a Leyton House. O primeiro carro sob responsabilidade direta do engenheiro, em 1988, superou expectativas, mas o modelo seguinte teve desempenho muito aquém do esperado, tornando-se um ponto de inflexão.

Adrian Newey trabalha no carro da Aston Martin de 2026 (Foto: Aston Martin)

“Sou sortudo por ter paixão por algo, e depois é uma questão de tentar desenvolver isso, trabalhar com todos, com os colegas, e também desenvolver resiliência. Todo mundo se lembra dos bons resultados, claro, mas não lembra dos anos ruins. Muitas vezes, são exatamente esses momentos que moldam você e como reage a eles, além de como tenta manter a confiança em si”, afirmou.

Newey explicou que, após uma sequência de conquistas ainda muito jovem, acabou se deixando levar pelo reconhecimento precoce. Segundo o engenheiro, a experiência foi dura, mas fundamental para evoluir.

“Tive uma carreira dourada nos meus 20 anos. Todos aqueles carros venceram corridas ou campeonatos. O Leyton House de 1988, o primeiro carro de F1 pelo qual fui responsável, superou expectativas. Virei o ‘novo garoto da engenharia’ na categoria. Talvez isso tenha subido um pouco à minha cabeça. Lia aqueles artigos elogiosos na imprensa e pensava: ‘Se acharam o primeiro bom, esperem até ver o segundo’. E aquele foi um desastre completo”, reconheceu.

“Olhando em retrospecto, foi muito bom para mim, porque ensinou não haver espaço para ego na engenharia. É preciso manter os pés no chão e permanecer objetivo. Não foram apenas algumas corridas ruins, foi o ano inteiro. Pessoalmente, não entendia o que estava errado com o carro, e você começa a perder a confiança em si. Alguns colegas também começaram a perder a confiança em mim”, concluiu.

Fórmula 1 está de férias. Os carros voltam a acelerar de 26 a 30 de janeiro em testes privados em Barcelona. Depois, seguem para o Bahrein para mais duas sessões da pré-temporada: de 11 a 13 de fevereiro e de 18 a 20 de fevereiro. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades de 2026.

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