Andrea Kimi Antonelli venceu o GP dos Estados Unidos, disputado neste domingo (25), em Austin, mas vai ter de esperar mais uma semana para soltar o grito de campeão da temporada 2026 da Fórmula 1. O italiano viu os dois rivais mais próximos, Lewis Hamilton e George Russell, chegarem justamente nas posições que eram necessárias para manter a disputa aberta: o quarto e o oitavo lugar, respectivamente. Max Verstappen e Charles Leclerc completaram o pódio.

Desde os treinos livres, a Red Bull desenhou para as rivais a tática que seria adotada com Verstappen: largar de pneus macios e arriscar duas paradas. Foi por isso que dois jogos dos compostos C4 foram poupados, e, na teoria, era uma jogada totalmente possível de dar certo. Com um ritmo muito forte, a Red Bull se colocou como uma das favoritas pela vitória.

Só que, na prática, foram os pneus duros, que fizeram a diferença, e foi aí que a Mercedes deu o pulo do gato. Com um stint inicial de médios, Antonelli surpreendeu ao conseguir largar muito melhor que Verstappen, de macios, e manteve a ponta com tranquilidade. Dali em diante, foi consistente no ritmo de corrida e escapou das infrações por limites de pista, a única coisa que realmente poderia causar uma mudança no resultado.

Max ainda reclamou bastante de problemas técnicos da Red Bull que atrapalhavam a dirigibilidade. No fim, não conseguiu resistir ao ataque frenético de Leclerc, com pneus muito melhores a sete voltas do fim.

O top-10, portanto, ficou assim: Antonelli, Leclerc, Verstappen, Hamilton, Lando Norris, Isack Hadjar, Oscar Piastri, Russell, Liam Lawson e Pierre Gasly. Gabriel Bortoleto precisou fazer uma corrida de recuperação após largar em último e cruzou a linha de chegada em 12º, logo atrás do companheiro de Audi, Nico Hülkenberg.

A Fórmula 1 volta já no próximo fim de semana, no Autódromo Hermanos Rodríguez, com o GP da Cidade do México, 19ª etapa da temporada 2026.

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Largada do GP dos Estados Unidos: Antonelli manteve a ponta na curva 1 (Foto: Mercedes)

Confira como foi o GP dos Estados Unidos em Austin:

Como já era previsível, os macios foram a escolha de praticamente todo o grid, exceção a Antonelli, Russell, Norris, Piastri (de médios), Bottas e Colapinto (de duros). Na pista, os pilotos encontraram asfalto em temperatura bem menor que a vista no TL2: 37°C, com termômetros em 27°C e umidade relativa do ar em 44%.

Quando as luzes se apagaram, Antonelli, na pole, partiu muito melhor que Verstappen, contrariando certa lógica dos pneus macios mais aderentes contra os médios do italiano. E a largada de Max foi tão ruim que ele quase foi ensaduichado pelas Ferrari logo após o hairpin da curva 1.

Só que Verstappen não conseguiu segurar a posição para Leclerc na sequência mais fluída o traçado, caindo para terceiro. Hamilton tentou vir no embalo, porém foi bloqueado pelo rival taurino. No segundo giro, Max mergulhou na curva 16 e recuperou a segunda posição.

Só que essa disputa toda fez Antonelli abrir nada menos do que 2s em duas voltas. Atrás, em sexto, Russell tentava abrir caminho sobre Hadjar, que também teve começo desastroso, despencando para a quinta colocação.

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George Russell ainda vive no Mundial (Foto: Mercedes)

Após rápido período sob safety-car virtual por conta de detritos na pista, Antonelli, Verstappen, Leclerc, Hamilton, Hadjar, Russell, Piastri, Norris, Lawson e Oliver Bearman completavam o top-10. No fim do grid, Bortoleto era o 19º, deixando Franco Colapinto e Valtteri Bottas para trás. Dentre esses, quem mais conseguia se aproximar do carro da frente para tentar uma ultrapassagem era Russell, a menos de 1s de Isack.

A transmissão, então, recuperou a imagem da largada, que teve vários pequenos enroscos, como Carlos Sainz sendo espremido na subida da curva 1 e tocando no muro, e Russell escapando no grampo e ganhando vantagem sobre Piastri, com direito a toque. O #63, aliás, ficou na mira dos comissários pelo incidente.

Enquanto Antonelli mantinha-se 2s3 de vantagem para Verstappen, Piastri abria passagem para Norris tentar o ataque sobre Russell, uma vez que apresentava mais rendimento. E a vida da McLaren ficou ainda mais fácil quando os comissários aplicaram 5s de punição a George por sair da pista e ganhar vantagem.

Na prática, na volta 10, era uma punição que o jogava para a oitava colocação — ainda dentro do necessário para impedir o título de Antonelli, em caso de vitória do italiano. No pelotão intermediário, boa briga envolvendo Alonso e Sainz. De repente, Bortoleto apareceu entre eles, em 17º, mas a direção de prova pegou uma possível infração do brasileiro ao sair da pista e também se favorecer.

Max Verstappen acabou errando a estratégia e perdeu a chance de brigar pela vitória (Foto: Red Bull Content Pool)

Volta 12, e Alonso foi para cima de Albon, que não ofereceu a menor resistência ao carro da Aston Martin. O espanhol, com isso, subiu para o 15º lugar, tendo Hülkenberg à frente, a 6s. E Bortoleto escapava de uma eventual punição.

Na ponta, Antonelli seguia firme, parecendo apenas administrar os mais de 2s de vantagem. Em quarto, Hamilton reclamava com Carlo Santi a respeito de uma dificuldade para fazer as curvas, ao passo que Verstappen também se queixava de novo da troca de marchas.

Volta 14, e a Red Bull chamou Verstappen para a primeira troca de pneus — cedo até mesmo da previsão de duas paradas da Pirelli, que projetou o C4 durando até o giro 22. Com o segundo jogo de macios novos guardados para a corrida, Max retornou atrás de Piastri.

A Ferrari, então, chamou Hamilton e Leclerc nas voltas 15 e 16, respectivamente — ainda mais cedo do que o previsto pela Pirelli para o C3. O monegasco manteve-se à frente do colega. Na sequência, foi a vez da McLaren parar o primeiro carro — Piastri, que seguiu o trabalho de sexta-feira e colocou um jogo de duros. Volta 17, Norris entrou aos boxes, e, de novo, a McLaren fez um trabalho ruim no carro #1, acima de 4s.

Verstappen era o primeiro da fila dos que já haviam feito ao menos uma troca, em quarto lugar. À frente, em ordem decrescente, Russell, Hadjar e Antonelli, mas o #63 viu o RB22 #3 crescer no retrovisor na volta 18. A Red Bull rendia tão mais que Max não apenas passou, com abriu 1s5 de vantagem em algumas curvas.

Com 36 voltas para o fim, o cenário era o seguinte: Verstappen, em terceiro, com mais uma parada obrigatória a ser feita, já que não houve mudança de tipo de composto na troca; Antonelli, em primeiro, levava 11s9 sobre Hadjar virando o mesmo tempo do francês, dando toda a pinta de somente um pit-stop; e os carros da Ferrari trocando os macios pelos médios, mas em uma troca muito cedo, também abrindo margem para mais uma parada. Táticas, portanto, distintas e totalmente abertas.

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Lando Norris arriscou uma parada, mas sofreu com o desgaste no fim (Foto: McLaren)

Volta 23, Russell entrou nos boxes, pagou os 5s e voltou em décimo. Naquele momento, com Hamilton em quinto, Antonelli sentia o gosto do título, porém Verstappen era a grande ameaça, mesmo reclamando do tempo perdido no “ar sujo” do carro do companheiro de equipe, Hadjar.

Na volta 25, a Mercedes chamou Kimi para a troca obrigatória e seguiu a cartilha adotada com Russell: pneus duros para ir até o fim. Até aqui, a distância entre eles era de 8s. Só que a carta na manga da Red Bull era o jogo de médios novos guardados para o stint final. O trabalho do neerlandês, portanto, seria aproveitar o período de cara para o vento para aumentar a vantagem sobre Antonelli.

Não foi, todavia, o que aconteceu. Dois giros depois, Antonelli conseguiu ser 1s mais rápido (1min39s7 × 1min40s8) e baixou ainda mais a distância, que já aparecia em 5s. Os duros, na verdade, rendiam muito mais do que os macios àquela altura, mas Verstappen também sofria com problemas no freio motor e ainda enfrentava problemas de comunicação com o engenheiro Tom Hart.

Os problemas persistiam do lado do neerlandês, e a Red Bull deu a ordem para a segunda troca na volta 32. Como desgraça pouca é bobagem, ainda teve atraso na substituição do pneu dianteiro direito que deixou Verstappen 3s9 parado na área de pit-stop.

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George Russell (Foto: Mercedes)

De médios, o tetracampeão voltou em quinto, a 18s de Antonelli, que retornava à ponta da corrida após deixar Leclerc para trás. Até aqui, Antonelli, Leclerc, Hamilton, Norris, Verstappen, Hadjar, Piastri, Russell, Lawson e Gasly completavam o top-10 — combinação que impedia o desfecho do Mundial de Pilotos já em Austin.

Volta 39, a Ferrari chamou Hamilton para a segunda troca e colocou um jogo de pneus duros. Depois foi a vez de Leclerc, que fez o mesmo. O monegasco voltou em quarto, com Hadjar ainda entre ele e Hamilton.

Naquele momento, era a posição de Russell, em oitavo, que impedia o título de Antonelli. Na prática, a menos de 1s de distância para Piastri e com 27s de frente para Lawson, só um problema de confiabilidade eliminaria o último fio de esperança do britânico. Mas havia ainda 15 voltas pela frente para se manter livre de qualquer erro.

Mas para o alívio de Russell, Hamilton também conseguiu a posição que era necessária para mantê-lo ainda matematicamente na disputa ao ultrapassar Norris, já sem pneus, e conquistar a quarta posição. No fim, ainda teve um safety-car virtual provocado pelo carro parado de Valtteri Bottas que durou três voltas — tudo porque a direção de prova preferiu ver o guindaste fazendo malabarismo para não entrar na pista do que acionar o carro de segurança real.

F1 2026: resultado final do GP dos Estados Unidos

1ºK. ANTONELLIMercedes56 voltas
2ºC. LECLERCFerrari+13.078
3ºM. VERSTAPPENRed Bull RBPT Ford+17.485
4ºL. HAMILTONFerrari+18.515
5ºL. NORRISMcLaren Mercedes+30.521
6ºI. HADJARRed Bull RBPT Ford+34.373
7ºO. PIASTRIMcLaren Mercedes+52.674
8ºG. RUSSELLMercedes+54.303
9ºL. LAWSONRacing Bulls RBPT Ford+1:19.183
10ºP. GASLYAlpine Mercedes+1:27.516
11ºN. HÜLKENBERGAudi+1:34.945
12ºA. LINDBLADRacing Bulls RBPT Ford+1 volta
13ºG. BORTOLETOAudi+1 volta
14ºE. OCONHaas Ferrari+1 volta
15ºL. STROLLAston Martin Honda+1 volta
16ºF. ALONSOAston Martin Honda+1 volta
17ºA. ALBONWilliams Mercedes+1 volta
18ºC. SAINZWilliams Mercedes+1 volta
19ºS. PÉREZCadillac Ferrari+1 volta
NCV. BOTTASCadillac Ferrari
NCF. COLAPINTOAlpine Mercedes
NCO. BEARMANHaas Ferrari