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Audi teme desvantagem “significativa” por brecha aproveitada por rivais na F1
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Audi teme desvantagem “significativa” por brecha aproveitada por rivais na F1

Mattia Binotto, líder do projeto da Audi na Fórmula 1, comentou a brecha do regulamento encontrada por Mercedes e Red Bull e disse que teme uma diferença considerável na prática

Giovani Danjo

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A Audi revelou ao mundo o R26 nesta terça-feira (20), em Berlim, e aproveitou a ocasião para falar mais a fundo do que espera do primeiro ano da marca na Fórmula 1. Inevitavelmente, um dos assuntos acabou sendo a possível brecha do regulamento encontrada por Mercedes e Red Bull e a vantagem significativa que isso representaria em pista, como Mattia Binotto, líder do projeto na F1, explicou em conversa com a imprensa.

Para 2026, a Mercedes identificou uma possível brecha no regulamento relacionada ao limite da taxa de compressão dos motores. Para as novas unidades de potência, as regras estabelecem que a taxa de compressão em cada cilindro não pode ultrapassar 16:1, uma redução considerável em relação ao teto de 18:1 vigente no regulamento anterior.

Sabendo que o aumento dessa taxa pode trazer ganhos relevantes de desempenho, especula-se que os projetos da Mercedes e da Red Bull estejam explorando o limite máximo permitido, ainda que formalmente dentro das normas.

Isso seria possível porque, de acordo com o regulamento, a taxa de compressão é medida apenas quando o motor não está na temperatura ideal de funcionamento na pista. Há indícios de que componentes mais complexos estejam sendo utilizados para se expandirem deliberadamente em altas temperaturas, reduzindo o volume da câmara de combustão no ponto morto superior e, assim, aumentando a taxa de compressão durante o funcionamento do motor.

Mattia Binotto durante evento de lançamento da Audi (Foto: Reprodução)

“Se for real, é certamente uma diferença significativa em termos de desempenho e tempo de volta, e isso fará diferença quando chegarmos à competição”, analisou Binotto durante o evento de lançamento da Audi em Berlim.

De momento, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) tem uma reunião marcada com as equipes para quinta-feira (22) com o objetivo de esclarecer alguns pontos com relação a essa polêmica. Ainda assim, Binotto não acredita que o encontro irá resolver o problema de uma vez por todas.

“Não acho que haverá esclarecimento ou concessões. A reunião, marcada para o dia 22 de janeiro, serve mais para continuar a discutir como podemos melhorar ou desenvolver uma metodologia para o futuro a fim de medir as taxas de compressão em condições de operação. Hoje, estamos fazendo essa medição em condições frias, com o motor desmontado — então pode ser que você só saiba se está em conformidade no fim da temporada”, explicou o dirigente da Audi.

“Basicamente, estamos tentando, todos juntos, desenvolver uma metodologia que nos permita medir isso em tempo real enquanto o carro está em funcionamento. Minha expectativa nessa reunião não é obter clareza sobre o regulamento em si, mas definir uma metodologia para o futuro”, complementou Binotto.

O R26 da Audi, que será guiado por Nico Hülkenberg e Gabriel Bortoleto em 2026 (Foto: Audi)

James Key, diretor-técnico da Audi, também acrescentou ao dizer que confia no trabalho da FIA para controlar qualquer ganho de desempenho injusto e que contorne as normas do regulamento técnico da F1.

“Acho que, se isso estiver contornando o regulamento, então precisa ser controlado de alguma maneira. Confiamos na FIA para fazer isso, porque ninguém quer passar uma temporada inteira assistindo de fora se alguém tiver uma vantagem evidente sobre a qual não podemos fazer nada, ainda mais com uma unidade de potência homologada. Esperamos que a FIA tome as decisões corretas”, comentou Key.

“É preciso haver um campo de jogo nivelado. Se alguém aparece com um difusor diferente e você diz que aquilo não é o correto, que ninguém mais pode usar, mas essa pessoa pode manter a solução pelo resto do ano, isso não faz sentido. Jamais aceitaríamos isso”, finalizou o diretor da Audi.

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