O dia de revelação do calendário da F1 passou de ansiosamente aguardado para algo temido. E o que foi divulgado nesta terça-feira (10) testa todos os limites do bom senso, expondo uma F1 cada vez mais egoísta e menos preocupada em dividir as atenções. Mesmo em situações que pareciam ser básicas.

É bem verdade que o cronograma de 2026 tem poucas mudanças grandes em relação aos últimos anos, com o destaque maior para a esperada entrada de Madri, mas são os detalhes que guardam os maiores problemas. E o primeiro deles, é claro, diz respeito ao infame conflito de datas entre o GP do Canadá e as 500 Milhas de Indianápolis.

Quer dizer, quando finalmente a F1 desloca Mônaco e tira a corrida do Principado do caminho da Indy 500, quando parece permitir o protagonismo merecido à prova americana, vem um banho de água fria desses. Então, não, não teremos Max Verstappen, Fernando Alonso ou quem quer que seja em Indianápolis, mais uma vez, mas fica pior: os caras não vão nem poder ver a corrida ao vivo.

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O Canadá tem tudo para conflitar não só data, mas horário com a Indy 500 (Foto: Red Bull Content Pool)

Isso porque, ainda que Mônaco atrapalhasse os planos de quem quisesse navegar em mares desconhecidos, ao menos acontecia horas antes. Inúmeras foram as vezes, por exemplo, que os pilotos saíram rapidamente da coletiva falando que queriam ver a largada da Indy 500. Nem isso a F1 vai permitir mais.

Com o Canadá ali postado, a tendência é de que as provas ocorram simultaneamente praticamente o tempo todo. É que a Indy 500 costuma largar às 13h45 (em Brasília), enquanto a etapa em Montreal está marcada para 15h neste fim de semana. Um conflito, portanto, não apenas de datas, mas também de horas, minutos, tudo.

A notícia é terrível para os pilotos, mas pior ainda para o fã do esporte a motor, completamente retirado da equação feita por quem pensou nisso. A menos que se faça uma manobra pesada ou que alguma coisa mude em relação a datas no meio do caminho, o espectador vai mesmo ter de escolher entre a F1 e a Indy 500.

É uma decisão difícil de entender e impossível de aceitar. Isso porque expõe um egoísmo atroz da F1, que mais uma vez se vê acima de tudo e que banca que, inclusive no mercado americano, vai conseguir deixar a Indy 500 no chinelo. Mas é estúpida também, não há como falar de outra forma: ainda que venha provavelmente a ter números superiores no comparativo, é evidente que uma fatia relevante vai optar pela prova no oval de Indiana, quer dizer, esvazia a categoria dos caras e vai acabar se esvaziando junto. Faz sentido?

A Indy 500 continua tendo de competir com a F1 em 2026 (Foto: IndyCar)

A F1 provavelmente vai procurar uma justificativa de ordens climática e logística para explicar essa decisão, mas a real é que fica muito, muito feio ver o calendário com Miami em 3 de maio, Canadá no dia 24 e Mônaco puxando a perna europeia em 7 de junho. São três finais de semana sem nada nesse caminho, três finais de semana que não fariam a F1 bater exatamente com a Indy 500.

Existem ainda outras questões que precisam ser debatidas: como a F1 conseguiu evitar tantas tripletas, mas encaixar justamente as últimas seis provas em um espaço de 7 semanas? Tem ainda a prova em Barcelona, muito provavelmente na mesma data das 24 Horas de Le Mans do ano que vem, além do fim total de uma espécie de pacto silencioso com os grandes eventos esportivos.

É que a F1, ainda que não parasse totalmente, costumava evitar se enfiar em tantos fins de semana com Olimpíadas ou Copa do Mundo. E isso também acabou para 2026: tem GP da Bélgica no dia da final da Copa e nada menos que quatro etapas rolando durante o período do torneio de seleções mais importante do mundo. Os horários não devem bater, é verdade, mas é mais um ato de indelicadeza difícil de crer. Para dizer o mínimo.

Cada vez mais olhando para o próprio umbigo, a F1 perde de vez o senso de realidade e compra brigas em que dificilmente vai ter algum benefício. É uma pena, mas os lançamentos de calendários da categoria estão, cada vez mais, virando motivo de temor pelas tantas escolhas que o público tem de fazer.

Fórmula 1 realiza o GP do Canadá neste fim de semana, de 13 a 15 de junho, em Montreal, décima etapa da temporada 2025. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.

GP do Canadá de F1: veja os horários em Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique:

SessãoBRA*CBVPOR
ANG
MOZ
Treino livre 114:3016:3018:3019:30
Treino livre 218:0020:0022:0023:00
Treino livre 313:3015:3017:3018:30
Classificação17:0019:0021:0022:00
Corrida15:0017:0019:0020:00

*Horários em Brasília