O calor, a umidade e o asfalto abrasivo de Sepang devem colocar o gerenciamento dos pneus no centro da estratégia do GP do Bahrein na Malásia neste domingo (4). Com 56 voltas previstas, a Pirelli preparou uma combinação de C2, C3 e C4 que deixa aberta uma disputa entre estratégias de uma, duas e três paradas, mas o cenário projetado aponta especialmente para planos com duas ou três visitas aos boxes.

A superfície de Sepang é considerada relativamente abrasiva e apresenta características capazes de acelerar o desgaste dos pneus. A Pirelli também destaca a importância das temperaturas ambiente e da pista para a degradação térmica.

O cenário é ainda mais complexo porque a Fórmula 1 retorna à Malásia depois de nove anos e as equipes praticamente não têm referências da atual geração de carros no circuito. A aderência também evoluiu ao longo do fim de semana, aumentando a importância da leitura do comportamento dos pneus.

Max Verstappen é o pole-position na Malásia e conta com Lewis Hamilton ao lado na primeira fila. Andrea Kimi Antonelli e Charles Leclerc aparecem na segunda, então Lando Norris, Oscar Piastri, George Russell, Isack Hadjar, Pierre Gasly e Gabriel Bortoleto fecham o top-10.

Quais são as principais estratégias previstas?

O material divulgado pela Pirelli apresenta quatro possibilidades de estratégia para a corrida. Todas partem da utilização dos pneus de pista seca, com diferentes combinações entre C4 macio, C3 médio e C2 duro.

Estratégia1ª parada2ª parada3ª parada
Duas paradas — Médio/Duro/DuroVolta 12 a 18Volta 32 a 38—
Duas paradas — Macio/Duro/DuroVolta 10 a 16Volta 32 a 38—
Três paradas — Macio/Duro/Duro/MédioVolta 7 a 13Volta 24 a 30Volta 41 a 47
Duas paradas — Médio/Duro/MacioVolta 11 a 17Volta 34 a 40—

Médio como ponto de partida

A estratégia Médio-Duro-Duro prevê a primeira parada entre as voltas 12 e 18, seguida de uma segunda janela entre as voltas 32 e 38.

É uma alternativa voltada para quem consegue preservar o C3 no início da corrida e evitar uma parada excessivamente precoce. O segundo trecho também permite trabalhar com o pneu duro por um período mais longo, reduzindo a exposição à degradação do composto médio.

A escolha do C3 para o início também pode ser interessante em uma pista em que o calor dificulta o controle da temperatura dos pneus. A Pirelli selecionou justamente a gama intermediária C2-C3-C4 para reduzir a diferença entre estratégias de uma e duas paradas e ampliar as possibilidades durante a prova.

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Max Verstappen é o pole-position (Foto: Red Bull Content Pool)

Macio pode acelerar o início da corrida

Outra opção de duas paradas parte do C4 macio, com a primeira troca prevista entre as voltas 10 e 16 e a segunda entre as voltas 32 e 38.

O ganho potencial está no desempenho inicial do pneu mais macio, mas o preço é uma janela de parada mais cedo. Em Sepang, onde o asfalto e as temperaturas podem provocar superaquecimento, a equipe precisará avaliar se o ganho de ritmo compensa a perda de vida útil do composto.

Esse tipo de decisão pode ser especialmente importante para pilotos presos em um grupo de carros. Uma parada antecipada pode permitir um undercut, mas também pode deixar o piloto exposto a um segundo trecho longo demais caso o desgaste seja maior do que o previsto.

Lewis Hamilton sai na segunda posição e pretende atacar (Foto: Ferrari)

Três paradas: ritmo acima da conservação

A alternativa mais agressiva apresentada pela Pirelli é a de três paradas, começando com o pneu macio.

Nesse cenário, a primeira troca ocorreria entre as voltas 7 e 13, seguida de uma segunda parada entre as voltas 24 e 30 e uma terceira entre as voltas 41 e 47.

A lógica é sacrificar tempo nos boxes para manter o carro durante mais voltas com pneus em melhores condições. O material aponta uma perda estimada de 22,5 segundos por parada, o que faz com que a estratégia só seja vantajosa caso o ganho de ritmo na pista seja suficiente para compensar o tempo perdido nos boxes.

O desgaste elevado torna essa possibilidade relevante. Antes do fim de semana, a própria Fórmula 1 apontou que duas ou três paradas eram consideradas prováveis diante das características de Sepang.

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Gabriel Bortoleto parte no top-10 (Foto: Audi)

Médio, duro e macio no fim da prova

A quarta possibilidade combina médio, duro e macio, com paradas entre as voltas 11 e 17 e 34 e 40.

O diferencial está no trecho final com C4. Caso o pneu macio mantenha desempenho suficiente, essa configuração pode permitir uma tentativa de ataque nas voltas finais, especialmente contra rivais que estejam utilizando o duro até a bandeirada.

Por outro lado, colocar o C4 no último trecho significa administrar cuidadosamente sua temperatura. O benefício só aparece se o pneu conseguir entregar uma vantagem de ritmo significativa nas voltas decisivas.

MotoGP 2027 Malásia Sepang
Sepang volta a receber F1 após 9 anos (Foto: Divulgação/ MotoGP)

Chuva muda completamente o cenário

As quatro estratégias do gráfico partem de uma condição de pista seca. O clima, porém, é uma variável importante em Sepang.

A região é conhecida pelas altas temperaturas, umidade e possibilidade de pancadas de chuva. A previsão de chuva acrescenta uma camada de incerteza porque uma parada para pneus intermediários ou de chuva pode alterar completamente o planejamento original.

Além disso, muitos pilotos e equipes têm pouca ou nenhuma experiência com os carros de 2026 em condições molhadas. O retorno da F1 a Sepang acontece nove anos depois da última corrida no circuito, e os dados disponíveis para a atual geração de carros são limitados.

Em caso de chuva, portanto, as janelas de pit stop indicadas pela Pirelli deixam de ser referências rígidas. A prioridade passa a ser a evolução da pista e o momento correto para abandonar os pneus de pista seca.

O que pode decidir a estratégia?

O principal fator deve ser a combinação entre degradação térmica e evolução do asfalto. A Pirelli afirma que a pista tende a começar o fim de semana com níveis de aderência mais baixos e ganhar grip progressivamente conforme o asfalto evolui.

Com uma perda estimada de 22,5 segundos em cada pit stop, a diferença entre duas e três paradas será definida pelo ritmo que cada carro consegue manter com pneus desgastados.

Por isso, a estratégia vencedora não necessariamente será a que tiver o menor número de paradas. Em Sepang, preservar os pneus sem perder ritmo suficiente para ficar preso no tráfego será tão importante quanto escolher o momento certo para entrar nos boxes.

Os pneus da F1 (Foto: Bernardo Castro/GRANDE PRÊMIO)

Qual é a estratégia mais provável no GP do Bahrein na Malásia?

As projeções apresentadas pela Pirelli apontam principalmente para estratégias de duas paradas, com possibilidades como Médio-Duro-Duro, Macio-Duro-Duro e Médio-Duro-Macio. A opção de três paradas, com janelas entre as voltas 7-13, 24-30 e 41-47, surge como alternativa para quem encontrar degradação elevada ou conseguir transformar o ritmo extra em vantagem suficiente.

Por que Sepang exige tanto dos pneus?

O circuito possui asfalto abrasivo, temperaturas elevadas e curvas de alta velocidade, combinação que aumenta a energia transmitida aos pneus e favorece a degradação térmica.

A chuva pode alterar as estratégias previstas?

Sim. As estratégias divulgadas no gráfico consideram pneus de pista seca. Uma mudança significativa nas condições do asfalto pode antecipar ou postergar completamente as paradas, com a necessidade de utilizar intermediários ou pneus de chuva caso a pista fique molhada.