A sexta-feira de treinos livres do GP de São Paulo deixou algumas pistas importantes sobre o que podemos esperar do restante do fim de semana em Interlagos. Em um circuito conhecido pela imprevisibilidade climática, a expectativa de chuva ainda condiciona o trabalho das equipes, enquanto a McLaren tenta reagir na disputa pelo terceiro lugar do Mundial de Construtores.

Também foi um dia de oportunidades e adaptações. Gabriel Bortoleto parece encontrar um ambiente mais favorável para buscar um resultado melhor do que o do ano passado, enquanto Rafael Câmara iniciou sua trajetória na Fórmula 1 com uma sexta-feira dedicada a conhecer o carro e trabalhar com a Haas. Já Colton Herta deu mais um passo para transformar o projeto de chegar à categoria em realidade.

Entre a cautela à espera da chuva, as atualizações técnicas e as histórias dos pilotos, a sexta-feira deixou cinco aprendizados importantes para o GP de São Paulo.

Todos querem a chuva

Interlagos é um dos circuitos mais fascinantes do automobilismo justamente pela dinâmica de um país tropical e uma cidade maluca como São Paulo que podem proporcionar variações climáticas absurdas. Ao mesmo tempo que o calor paulistano acelera o desgaste dos pneus e permite estratégias variadas, a realidade é que boa parte das equipes andam de forma muito modesta por conta de um desejo (ou precaução): a chuva.

Logo, na primeira vez em sete anos que vimos apenas treinos livres em Interlagos, vemos boa parte do grid muito reticente a respeito de ousadias e outras coisas, e muitos pilotos torcendo para que o fator chuva possa equilibrar a classificação e a corrida, sempre proporcionando coisas que só conseguimos ver em Interlagos.

Novas asas colocam McLaren como player importante

A McLaren é a única equipe do fim de semana que trouxe atualizações. E com novas asas, dianteiras e traseiras, o primeiro impacto foi visto já na sexta-feira de treinos livres: Lando Norris líder da primeira sessão e segundo colocado pela tarde.

Tudo vale quando o terceiro lugar no Mundial de Construtores está em jogo, especialmente quando a Red Bull acelerou o desenvolvimento do carro e se tornou a segunda força do campeonato. O time de Woking, que parecia a grande ameaça ao domínio mercedista no fim da fase europeia do calendário, parece finalmente dar o mínimo de resposta após atualizações que deram errado. A ver o que vai acontecer na classificação.

Livre de pressão, Bortoleto sonha em apagar 2025

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Gabriel Bortoleto (Foto: Rodrigo Berton/Agência WarmUp)

Sejamos sinceros: a grande estrela do fim de semana do GP de São Paulo é Rafael Câmara. E isso é a melhor notícia para Gabriel Bortoleto. Um ano depois daquele fim de semana desastroso, o paulista admitiu que a pressão e o deslumbre por correr em casa pesaram muito. Mas agora, o cenário é diferente: ele tem alguém para dividir os focos, holofotes e pressão de torcida, imprensa e relações públicas.

De cara, o impacto foi muito positivo, com duas presenças no top-10. Em termos de ritmo, a Audi parece à frente da Racing Bulls no fim de semana, e briga com a Alpine pelo posto de quinta força do fim de semana. É torcer para ficar longe dos problemas mecânicos (que mataram o dia de Nico Hülkenberg) e uma presença no Q3 é totalmente possível.

Adaptação é a palavra para Câmara em Interlagos

A primeira sexta-feira como um piloto de Fórmula 1 foi buscando adaptação para Rafael Câmara. No total, foram 60 voltas do piloto brasileiro com a Haas, claramente apenas tentando passar por todos os programas e se adaptar o mais rápido possível com o Mundial, que é um bicho completamente diferente da Fórmula 2, isso sem contar o entrosamento com a equipe.

Pelas mãos de Oliver Bearman, a Haas até demonstrou o mínimo de potencial de alcançar um Q3 em Interlagos, mas não esperem nada de Rafael, que precisa apenas fazer o simples em um fim de semana para lá de complicado em uma pista que não é o desafio mais sutil para um estreante.

Finalmente, Colton Herta

Após um enorme drama, Colton Herta, enfim, pode receber a superlicença para correr na Fórmula 1. O piloto americano teve uma participação modesta no treino livre 1 em Interlagos, ficando quase 1s atrás de Valtteri Bottas, com quem aparentemente briga por um assento em 2027. De qualquer forma, o objetivo foi cumprido.

E o cenário está muito claro: caso nenhuma hecatombe aconteça, Herta vai ser o piloto da Cadillac em 2027. O projeto todo foi feito com o desejo claro de ter um americano representando a “verdadeira equipe americana” do grid. Independente dos resultados pouco expressivos, era o alvo do time, que fora das pistas vive um drama com os escândalos em que Mark Walker, um dos donos, se envolveu e que fará o empresário abrir mão de vários ativos esportivos.