Max Verstappen sequer precisou completar a tentativa final de volta rápida no Q3 da classificação na Espanha. A pole já era dele com o temporal que registrara ainda na rodada inicial da decisão do top-10. Mas danado que é, o holandês vinha até mais veloz no giro complementar, só que acabou por tirar o pé, assim que ficou claro que ninguém o ameaçaria. Apenas formalidade, porque, de fato, não havia concorrência. E uma prova é Carlos Sainz. O tempo do espanhol da Ferrari foi quase meio segundo mais lento que a marca conquistada por Verstappen. Portanto, uma vez mais, somente uma hecatombe tira a vitória do bicampeão neste domingo.

É claro que Max tem um carro espetacular. Nas mãos dele, o RB19 precisou de poucos ajustes para entregar a performance acachapante. Mas também é importante colocar aqui que o piloto #1 não caiu nas armadilhas que o tempo instável e o asfalto difícil aprontaram. O holandês foi assertivo, soube lidar com as variações de temperatura e janela correta dos pneus, além de não cometer erros. “O clima deixou a classificação muito complicada, mas depois começou a secar e, no Q3, o carro já andava no trilho. Hoje foi muito divertido pilotar”, acrescentou o o líder do campeonato, que partirá pela 24ª vez na carreira da posição de honra do grid.

De fato, o clima tornou tudo imprevisível — embora não se aplique a Verstappen. A pista úmida do inicio da classificação fez muitas vítimas e ditou o que viria a seguir. E foi interessante perceber que muita gente que costuma aparecer mais perto da ponta da tabela foi caindo no pelotão, mais um retrato cruel da frágil concorrência que Verstappen tem em 2023.

Ferrari e Mercedes falharam em colocar seus dois carros no Q3. Além disso, equívocos diversos tiraram de combate Sergio Pérez, George Russell e Charles Leclerc, o que tornou o top-10 um dos mais interessante da temporada, ainda mais em uma pista tão padrão como Barcelona — e todo mundo conhece como a palma da mão.

Leclerc foi a primeira grande decepção. O monegasco foi eliminado ainda no Q1, e a Ferrari sequer tem uma explicação para o que aconteceu com o piloto #16. Só que é verdade: Charles se queixou dos pneus e, em nenhum momento, conseguiu mostrar velocidade. “Temos sentimentos contraditórios. Estamos com um carro na primeira fila, Carlos teve sua melhor classificação do ano, e é um grande passo para nós. A fábrica tem trabalhado muito nas últimas semanas, e isso é uma recompensa para nós e para ele. Porém, foi um dia difícil para Charles e precisamos entender o que aconteceu com ele”, afirmou Frédérick Vasseur após a definição do grid.

“Após a classificação, Charles reclamou do comportamento do carro nas curvas para a esquerda. Ainda não entendemos o que é, precisamos descobrir isso. Não sei o que aconteceu, mas acredito que algo quebrou. Confio no julgamento dele’, completou o dirigente.

De Verstappen ao caos: 5 coisas que aprendemos no sábado do GP da Espanha de Fórmula 1

Charles Leclerc parou no Q1 da classificação para o GP da Espanha (Vídeo: reprodução/F1 TV)

O monegasco, que foi o pole em 2022 na Espanha, vai largar da 19ª colocação, em mais um dia de problemas para a Ferrari. Sainz, é verdade, sai na segunda posição e carrega a esperança ferrarista de um pódio. O desempenho em corrida deve ajudar. O espanhol apresentou um ritmo muito próximo ao de Verstappen com os pneus macios, e isso deve trabalhar a favor no começo da prova, que caminha para dois pit-stops.

Mas há outras discrepâncias no grid, sendo a maior delas o mexicano da Red Bull. Enquanto Verstappen cravou a pole, Sergio sequer avançou à fase decisiva da classificação. O solo traiçoeiro de Barcelona também pregou pelas em ‘Checo’, que também visitou a brita. O piloto do carro #11 saiu apenas em 11º. A equipe austríaca culpou os pneus, porque entendeu que o acerto do RB19 de Pérez não apresentou problemas. Sim, houve uma comparação dos níveis de downforce e velocidade.

“Acho que os pneus são um fator crucial. Verificamos o downforce de ambos os carros após o Q1 e eles estavam em níveis comparáveis, então não vimos nenhuma peça funcionando mal. Obviamente, faremos uma inspeção mais aprofundada esta noite, mas acho que foi sobre colocar os pneus na janela de funcionamento correta, porque sabemos que ‘Checo’ não está tão longe de Max. Ele só não conseguiu fazer o carro funcionar hoje”, revelou Christian Horner, chefão aos taurinos.

Portanto, será mais uma corrida de recuperação para a Pérez, que tem obrigação de escalar o pelotão, uma vez que acabou preso na briga pelo posto de ‘melhor do resto’.

+Sábado: Verstappen reina no caos e Sainz vira grande esperança local

Russell atropelou Hamilton no Q2 da classificação da F1 na Espanha (vídeo: reprodução/F1 TV)

Outra baixa importante da disputa habitual do Q3 foi Fernando Alonso. O bicampeão da Aston Martin guardava a esperança de brigar pela primeira fila, dado acerto do carro verdinho. Só que também se viu na brita ainda no início do Q1. O incidente danificou o assoalho do carro, o que o fez perder alguns décimos. Mais tarde, um erro já na fase final, na volta única que deu nos últimos instantes, empurrou Alonso para nono, atrás do companheiro Lance Stroll — que surpreendentemente não cometeu equívocos ao longo de um dia tumultuado. Fernando, na verdade, vai partir de oitavo, por conta da punição que Pierre Gasly terá de cumprir.

“O carro ainda parece competitivo mesmo com alguns danos no assoalho. Provavelmente, estaria em segundo ou terceiro, minha última volta era para terminar na casa de 1min12s7, até a curva 10, onde cometi mais um erro e passei do ponto de tomada”, reconheceu o espanhol, que tirou um pouco do entusiasmo dos fãs que lotaram a pista catalã.

 “Acabei estragando o carro. Perdi o ponto, e isso custou muito caro, porque aquela brita destruiu completamente o assoalho. Dói muito, ainda mais porque foi na volta de saída, não em uma rápida”, emendou o piloto #14, que projeta um top-10. Mas há desempenho na Aston Martin para mais.

E quem também terminou a classificação com um gosto amargo foi a Mercedes. Ainda que esteja engatinhando quanto ao entendimento do novo W14, a equipe deu sinais de que poderia ter ido além neste sábado, especialmente com Lewis Hamilton. O britânico, de novo, se mostra mais afeiçoado à versão ‘B’ do que o colega Russell, que reclamou muito do acerto e pneus oa longo da sessão. Mas o fato é que Hamilton tinha potencial para tentar a primeira fila, porém, assim como Alonso, errou no fim e ficou apenas em quinto — larga em quarto devido à sanção de Gasly.

▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2
▶️ Conheça o canal do GRANDE PRÊMIO na Twitch clicando aqui!

Lando Norris foi a grande surpresa o dia (Foto: McLaren)

Como se não bastasse os problemas — Russell ficou no Q2 —, ainda houve um incidente entre os dois merceditas. O heptacampeão vinha atrás de seu companheiro de equipe na reta de chegada quando George guinou para a esquerda. Mesmo tentando escapar, indo para a grama, a asa direita dianteira do carro #44 acabou tocando com a roda esquerda dianteira de Russell. A Mercedes disse que foi “falta de comunicação” e os dois pilotos também não endureceram a discussão. O que ficou mesmo foi a sensação de Lewis de que há uma evolução no modelo alemão.

“Foi uma verdadeira surpresa nos ver tão à frente e, no final das contas, competindo pela primeira fila. Estava na primeira fila até a curva 10. Entrei na curva 10, acelerei e o carro simplesmente escapou. Preciso ver o que aconteceu. Foi aí que perdi 0s2”, acrescentou Hamilton.

Diante desse cenário, dá para dizer que o pelotão que surge logo atrás de Verstappen está bem compacto, o que deve tornar a corrida mais disputada. E é ainda importante destacar a performance de Lando Norris. É verdade que ele não soube explicar e colocou muito do resultado na mão do acaso, mas não há como negar que existe um ritmo ali, e que isso pode complicar a vida de quem tenta se recuperar. A McLaren, aliás, deu passos sólidos neste fim de semana, e a prova é Oscar Piastri também no top-10. Misturado a eles todos, também está essa Alpine cada vez mais rápida. Então, a disputa está aberta e é real em um dos circuitos mais conhecidos do calendário.

GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP da Espanha de Fórmula 1, na CatalunhaAO VIVO e EM TEMPO. O repórter Eric Calduch faz a cobertura ‘in loco’ de todo o fim de semana. Neste domingo, a corrida acontece a partir das 10h (de Brasília, GMT-3).