O CEO da Fórmula 1, Stefano Domenicali, abriu o jogo em relação à volta da categoria ao continente africano. Nos últimos meses, Ruanda e África do Sul começaram a se movimentar em busca de assumir o compromisso de sediar uma das 24 rodadas de uma temporada da F1, mas uma corrida no continente ainda não é uma realidade próxima. 

Em dezembro, Ruanda lançou uma candidatura junto à Federação Internacional de Automobilismo (FIA) para sediar um GP de Fórmula 1. O projeto conta com um circuito projetado pelo ex-piloto Alexander Wurz e um traçado passando perto do aeroporto planejado na capital, além de florestas e ao redor do lago da cidade, com um layout bastante rápido.

Já a África do Sul ganhou força mais recentemente, com o conhecido circuito de Kyalami entrando no radar e a Cidade do Cabo planejando um traçado de rua. Com o governo local tendo de tomar uma decisão sobre qual candidatura levar adiante, Domenicali revelou que está em busca de garantias para oficializar a volta da F1 ao continente e negou que os projetos estejam em stand-by. 

“Essa não é a palavra certa. Antes de dar esse passo, precisamos de garantias em três frentes: investimento que beneficie a comunidade além da presença da F1, infraestrutura e uma base econômica que consiga sustentar o evento a longo prazo. Não estamos em stand-by. Estamos trabalhando para entender o que ainda falta antes de ir em frente. Mas ainda não chegamos lá”, detalhou o CEO da F1 em entrevista à revista inglesa Autosport

Última vez que a F1 correu na África foi em 1993 (Foto: Reprodução)

Para ilustrar o que está buscando, Domenicali usou como exemplo o GP de Las Vegas, que está no calendário da F1 desde 2023, mas já é considerado como uma “vitória” da categoria. 

“Como em qualquer projeto novo, não dá para esperar um retorno do investimento de forma imediata. Se olharmos apenas para o evento em si, Las Vegas foi claramente uma vitória para a F1. Além da exposição na mídia, isso nos ajudou a fechar acordos comerciais que teriam sido difíceis de conquistar de outra forma”, explicou.

“Não vou negar que os custos para a comunidade local foram altos. A partir deste ano, o GP de Las Vegas está totalmente sob nossa gestão central. A equipe organizadora agora responde diretamente a nós. Revisamos a estrutura para acelerar o retorno sobre o investimento”, continuou. 

“Queremos mais envolvimento de investidores locais. O impacto econômico do fim de semana em Vegas tem sido enorme por dois anos consecutivos – maior que o do Super Bowl. A comunidade local teve benefícios financeiros significativos. Precisamos continuar investindo e acreditando no projeto. E não podemos esquecer: embora tenhamos avançado bastante nos Estados Unidos, ainda há um enorme potencial de crescimento. Precisamos continuar ampliando a visibilidade”, encerrou. 

Projeto da Cidade do Cabo para a F1 prevê circuito ao lado de estádio da Copa do Mundo de 2010 (Foto: Tilke GmbH)

A Fórmula 1 não corre em território africano desde 1993, ano que também marcou a última temporada em que a categoria visitou todos os seis continentes permanentemente habitados do mundo. 

A Fórmula 1 volta de 18 a 20 de abril em Jedá, palco do GP da Arábia Saudita, quinta etapa da temporada 2025.

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