Foi por muito pouco que a corrida de Lewis Hamilton na Malásia, no domingo (4), não foi literalmente por água abaixo após a decisão da Ferrari de manter os dois pilotos com pneus slicks no asfalto molhado de Sepang para a largada. Mas a experiência do heptacampeão falou mais alto ao entender que, no fim das contas, o desastre se pagaria quando a pista começasse a secar — o que, de fato, aconteceu.

Como já era esperado, a chuva desabou com vontade sobre Sepang — que recebeu o GP do Bahrein diante da impossibilidade da realização da prova no Oriente Médio — cerca de 30 minutos antes da largada. O volume de água foi tanto que o começo da corrida, então marcado para as 15h locais (4h em Brasília), precisou ser adiado.

40 minutos depois, a direção de prova autorizou o novo procedimento de largada, porém uma falha nos softwares dos motores causou outra confusão, forçando nova suspensão do início da prova. Chamou atenção, porém, as escolhas estratégicas de algumas equipes, com destaque para a Ferrari, que alinhou em segundo e quarto com Hamilton e Charles Leclerc, respectivamente, mas resolveu mandá-los à pista de pneus slicks.

Max Verstappen, na pole, e os carros da Mercedes, partiram de intermediários, os pneus certos para a aquele momento, e dispararam na ponta, e o que se viu foram os carros com os pneus de faixa verde sobressaindo na disputa contra quem resolveu ir com o composto para pista seca. Para se ter uma ideia do desastre, Hamilton, que usava os macios, caiu de segundo no grid para o 18º posto em somente seis voltas.

A insistência da Ferrari em não chamá-lo aos boxes logo no começo era inexplicável. A McLaren, por exemplo, deu a ordem a Oscar Piastri ainda na volta de apresentação para colocar os intermediários. Só que, sem chuva e com um calor acima dos 30°C, o trilho logo se formaria, e Hamilton resolveu fazer a ousada aposta.

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Kimi Antonelli, Max Verstappen e Lewis Hamilton no pódio em Sepang (Foto: Mercedes)

Na volta 5, o engenheiro de corrida, Carlo Santi, avisa que eles fariam a troca para os intermediários, mas Lewis diz que a pista está secando. “Os pneus estão começando a funcionar. Você acha que é uma boa ideia?”, indaga sobre a chamada de boxes. “Se você continuar na pista, podemos arriscar”, retruca o engenheiro, e Hamilton responde: “Tenho de continuar! Temos de arriscar! Vamos continuar”.

Santi concorda, e Hamilton segue na pista e inicia a recuperação que parecia improvável, pois além da natural melhora das condições da pista, a chuva ajudou a esfriar a temperatura do asfalto, reduzindo o alto nível de desgaste dos pneus. De macios, já registrava tempos muito próximos dos pilotos de intermediários na volta 8.

Hamilton conseguiu fazer um stint de 31 voltas com um jogo de pneus que, em tese, duraria, no máximo, 16. As intervenções do safety-car ainda abriram janelas decisivas para Lewis continuar na briga pelo pódio com pneus em condições melhores, sobretudo no instante em que retornou aos macios depois de perder rendimento com o jogo de médios usados no stint intermediário.

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Nico Hulkenberg e Lewis Hamilton: chuva quase acabou com corrida da Ferrari (Foto: Audi)

“Quando estávamos no final do pit-lane e vi os dois [Verstappen e Andrea Kimi Antonelli] tirando os cobertores térmicos e usando pneus intermediários, meu coração apertou, porque soube na hora que estávamos em apuros. Quando saímos, vi toda aquela água sendo levantada pela traseira do carro do Max e pensei: ‘Ok, já era. Minha corrida está realmente comprometida’. Quase não consegui completar a volta de apresentação, então tivemos de seguir com aquela escolha”, explicou Lewis aos jornalistas.

“Enquanto todos me ultrapassavam, a equipe perguntava: ‘Devemos parar?’, e eu respondia: ‘Não, já tomamos a decisão. São mais 26s… qual a diferença disso para 1min40s — ou quanto tempo fosse — que eu já estava perdendo? Vamos apenas esperar a pista secar.’ E, quando ela secou, ​​foi bom sentir que eu estava alcançando os outros. O carro estava ótimo. Depois disso, tivemos pit-stops muito bons e uma boa estratégia. Nunca imaginei que voltaríamos ao pódio — não esperava que isso fosse acontecer —, mas, é claro, sou muito, muito grato por termos conseguido chegar aqui novamente”, completou.

No fim, Hamilton e Leclerc somaram 27 pontos para a Ferrari. O resultado manteve a equipe à frente da McLaren no Mundial de Construtores e reduziu parcialmente a diferença para a Mercedes.

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*Horários de Brasília

Perguntas frequentes

Por que Hamilton caiu para o fundo do pelotão?

A Ferrari optou por pneus macios quando a pista ainda estava molhada. Os pilotos que largaram com intermediários tiveram vantagem nas primeiras voltas.

Por que Hamilton não parou imediatamente para trocar os pneus?

A Ferrari chegou a discutir uma parada, mas Hamilton preferiu permanecer na pista e esperar a secagem do asfalto. A estratégia passou a funcionar quando as condições melhoraram.

Como a Ferrari terminou a corrida?

Hamilton terminou em terceiro e Leclerc em quarto, garantindo 27 pontos para a equipe.