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Resumo
- Emerson Fittipaldi conquistou os títulos mundiais de 1972 e 1974 com motores Ford-Cosworth V8, pelas equipes Lotus e McLaren.
- José Carlos Pace venceu em Interlagos em 1975, Nelson Piquet foi campeão em 1981 e Ayrton Senna ganhou cinco corridas em 1993 com motores Ford.
- Rubens Barrichello conquistou o primeiro pódio da Stewart-Ford em 1997, no GP de Mônaco, ampliando a ligação dos brasileiros com a fabricante.
A relação entre os pilotos brasileiros e a Ford atravessa diferentes períodos da Fórmula 1, desde a consolidação dos motores V8 aspirados nos anos 1970 até a evolução eletrônica dos carros na década de 1990. A ligação não se limitou a uma equipe: Lotus, McLaren, Brabham e Stewart utilizaram propulsores associados à fabricante estadunidense em momentos marcantes de suas histórias.
O elemento mais importante dessa trajetória foi a parceria com a britânica Cosworth, responsável pelo desenvolvimento de motores que se tornaram referência na categoria. Entre eles, o DFV de 3 litros, introduzido em 1967, ocupou uma posição central por sua combinação de competitividade, disponibilidade para diferentes construtores e capacidade de integração aos projetos dos carros.
A partir dessa base, brasileiros conquistaram campeonatos, vitórias e pódios em situações esportivas muito diferentes. Fittipaldi participou da consolidação do DFV como motor vencedor, Pace triunfou diante da torcida em Interlagos, Piquet encerrou a temporada de 1981 como campeão e Senna mostrou o potencial do conjunto McLaren-Ford em 1993, mesmo enfrentando adversários com vantagens técnicas.
Fittipaldi abre caminho com dois títulos e motores Ford-Cosworth
O primeiro brasileiro campeão mundial de Fórmula 1 também inaugurou uma relação vitoriosa entre os pilotos do país e os motores Ford-Cosworth. Emerson Fittipaldi conquistou o campeonato de 1972 com o Lotus 72D, equipado com o V8 DFV, e tornou-se, aos 25 anos, o mais jovem campeão da história da categoria até então.
O Lotus 72 era um dos projetos mais importantes de sua geração. Concebido por Colin Chapman e Maurice Philippe, utilizava soluções aerodinâmicas e de distribuição de componentes que ajudaram a estabelecer novos padrões de desempenho. O motor DFV, instalado como parte estrutural do conjunto, contribuía para a configuração compacta do carro.

Na temporada de 1972, Fittipaldi venceu cinco corridas — Espanha, Bélgica, Grã-Bretanha, Áustria e Itália — e assegurou o primeiro título mundial do automobilismo brasileiro na F1.
Dois anos depois, o brasileiro mudou de equipe e conquistou seu segundo campeonato, desta vez com a McLaren. O M23 equipado com Ford-Cosworth DFV permitiu a Fittipaldi vencer os GPs do Brasil, da Bélgica e do Canadá, além de acumular resultados suficientes para superar Clay Regazzoni na disputa pelo título.
A mudança da Lotus para a McLaren também demonstrou uma característica importante do DFV: o mesmo projeto de motor podia integrar carros desenvolvidos por construtores diferentes e permanecer competitivo na luta pelo campeonato.
Pace conquista Interlagos e protagoniza vitória histórica em 1975
Em 26 de janeiro de 1975, José Carlos Pace conquistou a única vitória de sua carreira na Fórmula 1 ao vencer o GP do Brasil, em Interlagos. O brasileiro pilotava o Brabham BT44B, equipado com Ford-Cosworth DFV V8, e cruzou a linha de chegada à frente de Emerson Fittipaldi, então campeão mundial em exercício, que competia com a McLaren.

Pace largou da sexta posição e venceu uma corrida de 40 voltas, terminando 5s790 à frente de Fittipaldi. Jochen Mass completou o pódio com outra McLaren-Ford, formando uma chegada com três carros equipados com motores da mesma montadora.
O BT44B era uma evolução do projeto concebido por Gordon Murray. A Brabham explorava as possibilidades oferecidas pelo V8 DFV, combinando a arquitetura do motor com soluções próprias de chassi e aerodinâmica.
A conquista ganhou um significado permanente para o automobilismo brasileiro. Depois da morte de Pace, em março de 1977, o circuito de Interlagos passou a levar oficialmente o nome do piloto.
A vitória de 1975 também ocupa um lugar especial na história dos motores Ford no Brasil: foi uma das duas conquistas de brasileiros em Interlagos que serão aprofundadas na segunda reportagem desta série, dedicada a Pace e Senna.
Piquet conquista primeiro Mundial com Brabham-Ford em 1981
Nelson Piquet conquistou seu primeiro título mundial em 1981, pilotando o Brabham BT49C, equipado com o motor Ford-Cosworth DFV V8. A temporada foi decidida apenas na última etapa, disputada em Las Vegas, quando o brasileiro superou Carlos Reutemann por um ponto na classificação final.
Piquet terminou o campeonato com 50 pontos, contra 49 do argentino. Ao longo da temporada, venceu os GPs da Argentina, de San Marino e da Alemanha, além de conquistar resultados decisivos nas etapas finais.

O Brabham BT49C representava uma fase em que a competitividade dependia não apenas da potência do motor, mas também da eficiência aerodinâmica, do comportamento dos pneus e da exploração dos limites regulamentares. O projeto de Gordon Murray foi desenvolvido em um período de intensas mudanças técnicas na Fórmula 1.
O título de 1981 também marcou uma das últimas grandes conquistas do DFV na disputa entre motores aspirados e os novos projetos turbo, que ganhariam protagonismo nos anos seguintes.
Piquet voltaria a ser campeão em 1983 e 1987, portanto, a ligação de seu tricampeonato com a Ford corresponde especificamente ao título de 1981.
Senna vence cinco corridas em 1993 com McLaren-Ford
Ayrton Senna escreveu um dos capítulos mais conhecidos dessa história em 1993, quando a McLaren voltou a utilizar motores Ford-Cosworth depois do encerramento da parceria com a Honda.
O McLaren MP4/8 recebeu o motor HB V8 aspirado de 3,5 litros, uma unidade diferente do DFV utilizado nas conquistas das décadas anteriores. O carro incorporava tecnologias avançadas de suspensão ativa, controle de tração, transmissão semiautomática e gerenciamento eletrônico.
A McLaren, entretanto, começou o campeonato em uma situação desfavorável. A Benetton tinha acesso prioritário a versões mais recentes do motor HB, enquanto a equipe de Senna utilizava inicialmente especificações anteriores. O conjunto também enfrentava a superioridade da Williams-Renault, especialmente em potência e desempenho geral.

Mesmo nessas condições, Senna venceu cinco corridas em 1993: Brasil, Europa, Mônaco, Japão e Austrália. Terminou o campeonato como vice-campeão, atrás de Alain Prost, e conquistou algumas das vitórias mais lembradas de sua carreira.
Em Interlagos, no dia 28 de março, Senna venceu uma corrida marcada por condições meteorológicas variáveis, superando Damon Hill e Michael Schumacher. O resultado foi sua segunda vitória no GP do Brasil e a última conquista do piloto diante da torcida brasileira.
O desempenho ao longo daquele ano também mostrou como a integração entre motor, chassi, eletrônica, estratégia e capacidade de pilotagem podia compensar parte das limitações de potência. A McLaren terminou 1993 com cinco vitórias, todas conquistadas por Senna.
Barrichello leva Stewart-Ford ao pódio em Mônaco
A trajetória de Rubens Barrichello com motores Ford ganhou destaque em 1997, quando o brasileiro passou a defender a recém-criada equipe Stewart Grand Prix, fundada por Jackie Stewart e seu filho Paul.
Barrichello havia estreado na Fórmula 1 em 1993 com a Jordan, equipada com motores Hart. Portanto, sua relação com a Ford não começou na estreia na categoria, mas ganhou importância com a mudança para a Stewart.
O Stewart SF01 utilizava um motor Ford V10, desenvolvido dentro da estrutura técnica da Cosworth. A equipe enfrentou dificuldades de confiabilidade ao longo de sua primeira temporada, mas encontrou uma oportunidade importante no GP de Mônaco.

Em 11 de maio de 1997, sob chuva, Barrichello terminou em segundo lugar, atrás de Michael Schumacher, conquistando o primeiro pódio da Stewart na Fórmula 1.
O resultado foi particularmente expressivo porque a equipe ainda estava em sua temporada de estreia. Barrichello terminou a corrida à frente de Eddie Irvine, que completou o pódio pela Ferrari.
A parceria entre Stewart e Ford continuaria nos anos seguintes, antes da transformação da estrutura na equipe Jaguar para a temporada 2000. Barrichello, por sua vez, seguiu para a Ferrari, onde conquistaria suas primeiras vitórias na Fórmula 1.
Cinco brasileiros e diferentes gerações de motores Ford
| Piloto | Principal conquista | Ano | Equipe e carro | Motor |
| Emerson Fittipaldi | Campeão mundial | 1972 | Lotus 72D | Ford-Cosworth DFV V8 |
| Emerson Fittipaldi | Campeão mundial | 1974 | McLaren M23 | Ford-Cosworth DFV V8 |
| José Carlos Pace | Vitória no GP do Brasil | 1975 | Brabham BT44B | Ford-Cosworth DFV V8 |
| Nelson Piquet | Campeão mundial | 1981 | Brabham BT49C | Ford-Cosworth DFV V8 |
| Ayrton Senna | Cinco vitórias na temporada | 1993 | McLaren MP4/8 | Ford-Cosworth HB V8 |
| Rubens Barrichello | Segundo lugar no GP de Mônaco | 1997 | Stewart SF01 | Ford V10 |
As conquistas ajudam a dimensionar a presença dos motores associados à Ford na história brasileira da Fórmula 1. O DFV esteve presente nos títulos de Fittipaldi e Piquet e na vitória de Pace em Interlagos, enquanto o HB participou da temporada de cinco vitórias de Senna. O V10 da Stewart, por sua vez, marcou um momento importante da carreira de Barrichello e da construção de uma nova equipe.
São capítulos de diferentes épocas, regulamentos e projetos técnicos, reunidos pela participação da Ford e da Cosworth em algumas das conquistas mais relevantes do automobilismo brasileiro.
A Fórmula 1 volta de 6 a 8 de novembro em Interlagos, palco do GP de São Paulo. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades da 20ª etapa da temporada 2026 da Fórmula 1 AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
Além disso, o GP estará in loco com os repórteres Evelyn Guimarães, Luana Marino, Vicente Soella e Daniel Balsa.
F1 2026: confira horários do GP de São Paulo no Brasil, em Portugal, Cabo Verde, Angola e Moçambique
| DIA | ATIVIDADE | BRASIL* | PORTUGAL | CABO VERDE | ANGOLA | MOÇAMBIQUE |
| 6/11 | Treino livre 1 | 12:30 | 15:30 | 14:30 | 16:30 | 17:30 |
| 6/11 | Treino livre 2 | 16:00 | 19:00 | 18:00 | 20:00 | 21:00 |
| 7/11 | Treino livre 3 | 11:30 | 12:30 | 13:30 | 15:30 | 16:30 |
| 7/11 | Classificação | 15:00 | 18:00 | 17:00 | 19:00 | 20:00 |
| 8/11 | Corrida | 14:00 | 17:00 | 16:00 | 18:00 | 19:00 |
*Horários de Brasília