Ao longo da temporada 2025 da Fórmula 1, o GRANDE PRÊMIO esteve in loco acompanhando boa parte das corridas com o repórter Leonid Kliuev. Dos contratempos costumeiros que fazem parte de uma cobertura às pequenas conquistas, ele capturou cada reação às reviravoltas que culminaram em uma improvável recuperação de Max Verstappen até a última corrida, em Abu Dhabi, na queda de Oscar Piastri e no título de Lando Norris por apenas 2 pontos de vantagem.

É, sem dúvida, uma temporada que terá o seu devido espaço na história da F1, mas que traz contras que a reduzem quando comparada aos campeonatos recentes que também foram decididos somente no último GP do ano.

A seguir, confira na íntegra análise de Kliuev com o que de melhor e pior aconteceu em 2025:

Essa não será uma avaliação da temporada. A maior parte das pessoas com quem conversei no paddock, assim como fãs do lado de fora, tem sentimentos conflitantes sobre o ano de 2025 na Fórmula 1 — até mesmo aqueles que vinham torcendo para o campeão. E já que vamos todos perguntar uns aos outros, “E aí, gostou da temporada?”, é hora de organizar os fatores que podem definir a resposta. “Sim, porque…” ou “Não, porque…” ou, muito provavelmente, “É complicado, porque…” — vamos destrinchar agora tudo o que se esconde por trás dessas reticências. Isso vai poupar seu tempo em inevitáveis discussões com amigos — você pode simplesmente escolher os pontos com os quais se identifica e descartar os demais.

Primeiro, vamos responder por que a temporada foi boa e, na sequência, entender o que não nos agradou.

McLaren reunida para foto de fim de ano em Abu Dhabi (Foto: McLaren)

Prós

A luta pelo título durou até a corrida final

Não víamos isso desde 2021 — antes disso, a última vez foi em 2016. Acompanhar uma disputa que só se resolve na última corrida é um privilégio. Um dos motivos é que, já faz um bom tempo, a corrida final acontece em um circuito onde ultrapassagens, imprevistos e erros são possíveis — onde o caos costuma entrar em erupção e apimentar a batalha. O circuito de Yas Marina nem se compara a, digamos, Zandvoort, com suas corridas bem mais mornas nos últimos anos. Esse lugar aqui é diferente.

Mentalmente, também é um desafio para os pilotos — eles sabem que Abu Dhabi pode trazer surpresas. Quando esperam por elas, as pessoas cometem erros — e as coisas ficam ainda mais interessantes.

Basta chegar a Abu Dhabi, o que nem sempre acontece. Neste ano, rolou — check!

O campeão nunca tinha ganhado antes

No ano passado, Lando chegou relativamente perto — a esperança só se dissipou no Brasil. Felizmente para ele, as coisas finalmente se encaixaram agora, e tivemos um novo campeão. Até mesmo erros da equipe nas etapas finais não puderam segurá-lo — eles serão discutidos abaixo. A lista de campeões da Fórmula 1 cresceu pela primeira vez em quatro anos — um evento raro e valioso que também mostra que o esporte e suas figuras estão evoluindo. Pilotos jovens, ainda que raramente, têm, sim, uma chance de fazer a diferença.

O vice derreteu a vantagem de 100 pontos para apenas 2 em três meses

“Acho que, depois de Zandvoort, tudo ficou um pouco cancelado”, Max disse na quinta-feira em Abu Dhabi, ao falar sobre as chances de título. Pode ser que o neerlandês estivesse exagerando um pouco a própria tranquilidade naquele fim de semana, para colocar ainda mais pressão sobre Lando e Oscar [Piastri]. Mas acreditei na parte sobre Zandvoort. Era impossível imaginar, no final do verão, que o desfecho da temporada se desenrolaria assim.

Max Verstappen perdeu por apenas 2 pontos, mas chegou a estar 104 atrás (Foto: AFP)

A equipe vencedora estava no fundo do grid até recentemente, em 2023

Durante os testes em 2023, a McLaren vinha sofrendo bastante com a falta de eficiência aerodinâmica — um dos parâmetros chave para brigar no meio do pelotão e, especialmente, na frente. Mas em meados de 2023 eles superaram essas dificuldades e aprimoraram o carro de forma mais dramática do que talvez qualquer outra equipe nas temporadas mais recentes da F1. Continuaram evoluindo a partir disso, e, em 2024, o carro já era considerado o mais rápido, status confirmado ao vencer dois mundiais de Construtores consecutivos.

Nos últimos meses, não estava claro quem iria vencer

Oscar liderava com mais de 100 pontos de vantagem; Lando vinha reduzindo a diferença, mas sofreu com os próprios pequenos vacilos e erros mais sérios da equipe — e Max vinha se aproximando ainda mais rápido, cometendo quase nenhum erro e extraindo o mesmo da Red Bull com um carro não tão competitivo. O outono no hemisfério norte foi mais quente que o verão, se é que me entendem. Pelo menos em termos de imprevisibilidade.

O domínio de Max foi freado

Ainda que você seja fã de Max, temos de concordar — o esporte sempre se beneficia quando um domínio de vários anos termina, como em 2016 e 2021.

Andrea Stella e Zak Brown: regras papaia roubaram a cena de forma negativa (Foto: AFP)

Contras

Ordens de equipe meio estranhas

Esse fator é tão significativo que prevalece sobre vários prós ao mesmo tempo — e embora haja bem menos pontos negativos do que positivos, a impressão geral sobre 2025 é prejudicada principalmente por conta de ordens de equipe. Aquelas da cor de uma certa fruta, sabe.

As ‘papaya rules’, segundo a maior parte das pessoas no paddock, são inconsistentes. A estratégia controversa de Lando na Hungria deu certo de repente, e a equipe não pediu para ele deixar Oscar passar — o australiano perdeu pontos por acidente. Enquanto isso, quando Lando sofreu uma perda acidental por um pit-stop mais demorado em Monza, Oscar, pelo contrário, recebeu uma ordem para devolver a posição. Então, quando Oscar não teve culpa de ser ultrapassado em Singapura devido a um empurrão de Lando (uma violação direta das regras papaia, como as entendemos), novamente a posição não foi devolvida. Na corrida seguinte, tanto o britânico quanto a McLaren disseram que ele reconheceu o erro e que haveria consequências internas — mas ninguém explicou quais seriam. Zak Brown continuou em silêncio mesmo quando pressionado por uma pergunta incisiva em uma coletiva de imprensa. Meu colega Ian Parkes questionou: “Por que não ser aberto e transparente [sobre essas consequências], palavras que vocês usaram com frequência no passado a respeito de outros assuntos da Fórmula 1?” — nenhuma resposta clara.

Por causa desses momentos — e possivelmente outros também —, a equipe foi acusada de favoritismo. Importante: nós não vimos absolutamente nenhuma evidência de que a McLaren trate um piloto melhor que o outro, tampouco indicações de que Oscar suspeite de qualquer coisa por parte de sua equipe de gestão. O único momento — extremamente indireto — foi um um repost no Instagram de Oscar apontando favoritismo em relação a Lando. Praticamente todos no paddock concordam que isso provavelmente foi um clique errado, e que o repost teria sido feito não por Oscar, mas por alguém de seu entorno ou um dos administradores das redes sociais da McLaren.

Então, por enquanto, tudo o que podemos dizer com certeza é que a estratégia foi simplesmente estranha — e influenciou um pouco o resultado do campeonato. Se as ‘regras papaias’ fossem aplicadas de forma diferente, Oscar teria, no mínimo, chegado até o final do verão com uma vantagem maior. Mesmo com um outono difícil, a liderança não teria evaporado tão rapidamente, e talvez até tivesse conseguido permanecer na dianteira após Abu Dhabi.

Uma repetição total de 2007, como temíamos durante a temporada, não aconteceu — porém, como em 2007, estratégias de equipe parcialmente definiram o resultado. Não queremos ver isso na Fórmula 1.

Oscar Piastri teve de ceder posição na Itália para reparar erro da McLaren (Foto: McLaren)

Corridas sem graça

Mais um ponto negativo que pesa bastante em relação aos vários aspectos positivos de 2025. Ao final das novas regras que entraram em vigor em 2022, as equipes nunca estiveram tão niveladas — esse ano, nas classificatórias, às vezes o pelotão inteiro era separado apenas por alguns décimos. Com carros tão grandes, mal adaptados a circuitos mais estreitos, acabamos com corridas incrivelmente sem graça em Mônaco, Zandvoort, Catar, e algumas um pouco menos tediosas em outras pistas. No Catar, com a limitação adicional de 25 voltas por pneu e a coincidência do safety-car, chegamos ao ponto do absurdo: não houve qualquer variedade estratégica. Esperamos que a próxima temporada sob o novo regulamento traga mais imprevisibilidade.

Não houve disputa real entre Construtores

Essa parte é simples — a McLaren marcou liderança já nos testes de pré-temporada. A prata se tornou uma meta mais realista para a Red Bull e a Mercedes logo de cara, e a Ferrari eventualmente aceitou o quarto lugar. Embora oficialmente o Mundial de Construtores só tenha sido definido no GP de Singapura, ninguém tinha dúvidas desde a primavera sobre quem levaria o título.

Lando e Oscar desapontaram com quedas

Conheço tanto fãs quanto integrantes do paddock que vinham torcendo para Lando até meados do verão, mas então tiveram dificuldades de continuar apoiando um atleta que seguia perdendo e cometendo erros. Essas pessoas em particular pararam de ver o britânico como piloto favorito — e então ele começou a ganhar. Lando primeiro “perdeu a fé,” conseguiu reagir, mas a confiança entre alguns torcedores já tinha se desgastado. A mesma coisa aconteceu com Oscar, que começou a ter problemas um pouco mais tarde. Não vimos quedas de performance tão longas — de cinco ou mais corridas — em 2016 ou 2021 na Fórmula 1. Nico Rosberg, Lewis Hamilton e Max Verstappen foram mais consistentes; o público queria continuar torcendo para eles.

GP do Catar teve erro bisonho da McLaren, mas corrida não proporcionou nenhuma possibilidade estratégica (Foto: Red Bull Content Pool)

McLaren cometeu vários erros inaceitáveis

Se acreditamos que a McLaren lidou mal com as ordens de equipe, devemos separar essa questão dos demais erros e abordá-los também. Os exemplos mais recentes são Las Vegas e Catar — mas tivemos vários outros antes disso que custaram pontos valiosos.

Obviamente, quanto mais erros, mais drama, e melhor é para o esporte. Mas aqui vão três argumentos contrários. Alguns podem parecer fracos, mas tenho quase certeza de que você vai concordar com pelo menos um ou dois.

Assim como o campeonato dos pilotos importa mais do que o de construtores na F1, nós nos interessamos mais por conquistas individuais porque podemos ver na tela como os pilotos desempenham e sentir empatia por eles. Se essas conquistas são repetidamente abaladas pela equipe e isso também afeta a tabela, deixamos de ser testemunhas reais da história. Por exemplo, em Vegas vimos Lando no pódio, mas nos bastidores descobriu-se que ele não deveria estar lá por causa de uma infração às regras. Então quando nós e todos que compraram ingressos acompanhamos a disputa dele na pista, foi tudo em vão — o resultado acabou mudando de qualquer forma. O consenso geral no paddock, como posso observar em primeira mão, é que o que aconteceu no Catar não foi por erro da FIA — a culpa é inteiramente da equipe. Quando uma questão extremamente importante é decidida longe das câmeras, isso é ruim para o esporte.

Nós amamos a F1 em parte porque é um esporte de grandes conquistas, em que equipes (e pilotos) podem errar, mas, no geral, atuam no mais alto nível. A McLaren certamente não demonstrou seu melhor desempenho em várias pistas neste ano.

De volta à comparação de 2025 com 2016 e 2021 — as únicas temporadas da última década que foram tão emocionantes quanto essa, e nas quais o título também permaneceu em aberto até a corrida final. Dentre esses três anos, os erros de equipe tiveram um impacto mais forte no resultado em 2025. Pode-se dizer que, em 2021, a Mercedes também errou ao decidir não chamar Lewis para os boxes quando o safety-car foi acionado. Mas na época, como a maioria deve concordar, o fator decisivo foi a escolha de Michael Masi. Na temporada atual, pelo contrário, a McLaren deixou os pilotos na mão por conta própria, e isso deixa um gosto amargo.

Com o fim dos testes de pós-temporada, a Fórmula 1 agora entra oficialmente de férias. Os carros voltam a acelerar de 26 a 30 de janeiro em testes privados em Barcelona. Depois, seguem para o Bahrein para mais duas sessões da pré-temporada: de 11 a 13 de fevereiro e de 18 a 20 de fevereiro. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades da temporada 2026.

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