A Fórmula 1 trabalha para aumentar o desgaste dos pneus a partir de 2027 e, assim, reduzir a predominância das estratégias de uma parada nas corridas. A mudança é estudada pela Pirelli depois de nove das 15 corridas disputadas até aqui em 2026 terem essa tática como a mais utilizada e, segundo o engenheiro-chefe da fabricante, Simone Berra, o trabalho será facilitado pelos carros utilizados nos testes ao longo deste ano.
As informações são do portal inglês The Race. O baixo desgaste dos pneus tem sido uma característica frequente da temporada. O GP do Azerbaijão, disputado no último fim de semana, foi mais um exemplo de corrida em que uma única passagem pelos boxes se mostrou suficiente para a maior parte do grid — apenas Carlos Sainz e Liam Lawson pararam duas vezes.
A predominância de uma parada está parcialmente relacionada à forma como os pneus de 2026 foram desenvolvidos. A fabricante utilizou principalmente os chamados carros-mula fornecidos pelas equipes, que eram modelos desenvolvidos no regulamento antigo com elementos aerodinâmicos básicos inspirados nos carros de 2026. Apesar das adaptações, os monopostos não reproduziam fielmente as características da nova geração, tampouco contavam com as novas unidades de potência.
Por esse motivo, a Pirelli precisou trabalhar com estimativas das equipes sobre os níveis de pressão aerodinâmica e as cargas que seriam aplicadas aos pneus. O problema é que as simulações apresentavam diferenças significativas. Em agosto de 2025, chegou a ser revelada uma distância de até 30% nos níveis de downforce previstos, o que poderia representar aproximadamente 4s por volta. Diante desse cenário, a fabricante precisou desenvolver uma gama capaz de funcionar em um espectro bastante amplo de características.
Para 2027, porém, a situação é diferente. Os pneus estão sendo testados pelas equipes com os próprios carros e unidades de potência de 2026 durante dias específicos de testes organizados pela Pirelli. O trabalho mais recente aconteceu em Ímola, após o GP da Espanha, quando Ferrari e Racing Bulls somaram 400 voltas em conjunto com os pneus da próxima temporada.
Simone Berra, engenheiro-chefe da Pirelli, explicou que a possibilidade de testar os pneus de 2027 com carros reais permitiu à fabricante obter uma visão mais precisa do comportamento esperado para a próxima temporada. A principal meta, segundo ele, deixou de ser encontrar uma estrutura que simplesmente acompanhasse o equilíbrio e a estabilidade dos carros e passou a ser aumentar o nível de desgaste.

“Neste ano, não trabalhamos com o carro-mula, mas com os carros reais de 2026. Foi muito melhor para termos uma visão clara. Então, nosso objetivo está menos relacionado ao equilíbrio do carro, à própria estabilidade”, explicou.
“Trabalhamos na estrutura para gerar mais desgaste. Testamos diferentes soluções para gerar mais desgaste nos pneus dianteiros e outras soluções que gerassem mais desgaste no eixo traseiro”, seguiu.
A intenção é aumentar a chamada degradação térmica. Ou seja, fazer com que os pneus acumulem mais calor e percam desempenho de forma mais acentuada ao longo dos stints. Berra afirmou que o baixo desgaste observado em parte da temporada de 2026 foi um dos motivos para a mudança de abordagem.
“No momento, não quero entrar muito em detalhes sobre essas soluções, mas a ideia é aumentar o nível de desgaste, porque vimos que, especialmente na primeira parte da temporada, mas também em outras corridas, o desgaste foi bastante baixo”, afirmou.

“Trabalhamos na própria estrutura para gerar mais geração de calor e desgaste térmico”, completou.
A Pirelli ainda precisa definir a gama de compostos que será utilizada em 2027. Portanto, além das soluções estruturais já testadas, a escolha dos compostos também será determinante para estabelecer o nível final de desgaste dos pneus.
“Obviamente, ainda temos os testes para a gama de compostos e para definir quais serão usadaos próxima temporada. Esse é outro tópico que temos de considerar nesta discussão”, afirmou Berra.
O próximo teste dos pneus de 2027 está previsto para meados de outubro, em Magny-Cours, na França. A Pirelli utilizará o sistema artificial de irrigação do circuito para avaliar os pneus destinados a condições de pista molhada.
A Fórmula 1 volta neste fim de semana, de 2 a 4 de outubro, na Malásia, que recebe o GP do Bahrein. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades em Sepang AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
GP do Bahrein na Malásia de F1: veja os horários no Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique:
Horários no Brasil*
Sexta (2)
- TL1: 01:30
- TL2: 05:00
Sábado (3)
- TL3: 01:30
- Classificação: 05:00
Domingo (4)
- Corrida: 04:00
Horários em Cabo Verde
Sexta (2)
- TL1: 03:30
- TL2: 07:00
Sábado (3)
- TL3: 03:30
- Classificação: 07:00
Domingo (4)
- Corrida: 06:00
Horários em Portugal e Angola
Sexta (2)
- TL1: 05:30
- TL2: 09:00
Sábado (3)
- TL3: 05:30
- Classificação: 09:00
Domingo (4)
- Corrida: 08:00
Horários em Moçambique
Sexta (2)
- TL1: 06:30
- TL2: 10:00
Sábado (3)
- TL3: 06:30
- Classificação: 10:00
Domingo (4)
- Corrida: 09:00
*Horários de Brasília