O sábado (10) de sprint em Singapura proporcionou boas emoções para o fã da Fórmula 1. A prova curta, claro, foi salva pela chuva que caiu momentos antes da largada, o que ajudou a apimentar um pouco as coisas e evitar aquela sensação de tédio completo que era esperada para as 21 voltas em Marina Bay.

De qualquer forma, Max Verstappen voltou a ser o grande nome do dia. O tetracampeão mundial contou com a batida de George Russell para vencer pela manhã, é verdade, mas a pole-position horas depois mostrou que realmente está se sentindo à vontade a bordo do carro da Red Bull. Porém, se quiser voltar ao degrau mais alto do pódio, vai precisar melhorar um fator crucial: a largada.

Entre altos e baixos, a Mercedes pode ficar satisfeita com o maior entendimento das atualizações introduzidas recentemente no W17. A Ferrari, por outro lado, falhou na tentativa de alcançar a posição de honra pela primeira vez na temporada 2026, mas ainda tem chances reais de vencer em Singapura.

Diante disso, o GRANDE PRÊMIO lista cinco pontos do sábado da Fórmula 1 em Singapura.

Ele fez de novo!

Se não bastasse a vitória na sprint para quebrar de vez a maldição de nunca ter vencido em Singapura, Max Verstappen seguiu com o mesmo embalo horas depois e garantiu a pole-position, a 50ª dele na Fórmula 1. O RB22 definitivamente parece muito mais encaixado ao circuito de Marina Bay do que os carros anteriores da Red Bull, com os quais o tetracampeão mundial sempre encarou dificuldades.

Isso não quer dizer que tudo esteja perfeito. Apesar de extremamente competitivo, o monoposto taurino só foi realmente mais rápido do que os rivais nos setores de reta, com uma desvantagem muito pequena nas curvas de alta e média velocidade, com a Ferrari se destacando nas de baixa. Mesmo assim, a ótima performance nos setores 1 e 3 foi suficiente para compensar o que perdia para Lewis Hamilton na segunda sessão da pista, pelo menos no Q3. O heptacampeão realmente se colocou como favorito nessa disputa durante boa parte da classificação.

Ok, Verstappen garantiu a posição de honra, e agora? Precisa largar bem. Assim como foi na Malásia, quando terminou superado por Andrea Kimi Antonelli e George Russell quando as luzes se apagaram, o mesmo aconteceu na sprint deste sábado. Se voltar a perder posições amanhã, com Charles Leclerc e Hamilton logo atrás, o custo vai ser alto. Dificilmente vai recuperar na pista, que praticamente não possui pontos de ultrapassagem. Na prova curta, contou com a batida do britânico da Mercedes para vencer.

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Max Verstappen voltou a mostrar a força da Red Bull (Foto: Red Bull Content Pool)

Precisa trabalhar em equipe

“Com o nosso carro, existe uma linha muito tênue entre passar do limite e ainda ter margem para ir mais rápido. Encontrar esse ponto ideal é muito difícil”, foi assim que Lewis Hamilton explicou o desempenho aquém do esperado no Q3 da classificação. O britânico dominou completamente as duas primeiras fases, mas foi incapaz de completar uma volta isenta de erros na hora que mais importava e viu a possível primeira pole com a Ferrari ir por água abaixo. Até porque uma coisa não anula a outra neste caso: ele poderia, sim, ter feito um trabalho melhor.

No fim das contas, além de perder a guerra para Max Verstappen, terminou atrás ainda de Charles Leclerc. O monegasco sofreu bastante com os pneus na sprint e com os freios na classificação. Porém, quando o companheiro de equipe papou mosca, estava pronto para dar o bote. Comportamento típico do #16 que, apesar de vacilar bastante em certos momentos, inegavelmente é um dos mais rápidos da F1 em volta lançada.

O que a Ferrari precisa fazer agora? Trabalhar em equipe, claro. Com dois carros contra apenas um da Red Bull, a escuderia italiana pode apostar na estratégia para tentar driblar Verstappen. E se algum deles assumir a liderança logo na largada, o caminho tende a se tornar menos complicado. Para isso, no entanto, terão de atuar como um time, o que não acontece já há algum tempo. Será possível deixar de bater cabeça por um mísero fim de semana? Veremos.

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A Ferrari tem chances reais de vencer o GP de Singapura (Foto: Ferrari)

Um passo na direção certa

Com Andrea Kimi Antonelli sofrendo para lidar com o carro atualizado da Mercedes, George Russell, a bordo da versão antiga, viu na sprint a grande oportunidade de reduzir, mesmo que minimamente, a desvantagem em relação ao italiano na classificação do campeonato. E tudo parecia ir bem, inclusive depois que tomou a liderança de Max Verstappen na curva 1. Mas como toda desgraça é pouca para o britânico em 2026, ele cometeu um erro na curva 19 e bateu. No fim, o companheiro de equipe abriu mais 5 pontos na liderança. Que fase.

Mais do que pensar em título — que, sinceramente, já era há algum tempo — , Russell precisa terminar a temporada em alta, já pensando em 2027. Condenado a largar do fundo do grid por trocar o motor em uma pista de difícil ultrapassagem, o #63 agora precisa de algo sobrenatural para ajudá-lo a avançar pelo pelotão. Por outro lado, o líder do Mundial pode ficar mais do que satisfeito com o quarto lugar, somente 0s189 atrás do pole Max Verstappen — muito menos do que os 0s693 da classificação sprint.

Na verdade, toda a Mercedes tem razões para comemorar. Isso porque a escuderia finalmente deu um passo à frente no entendimento das atualizações. Com os dados coletados na sprint, as Flechas de Prata ajustaram o W17 para a classificação, e a evolução foi clara, apesar de ainda estarem atrás de Red Bull e Ferrari em Marina Bay. Por isso que Toto Wolff adotou a postura de São Tomé, de ver para crer, e disse que prefere esperar a performance no GP de Singapura antes de qualquer veredito. E está certo.

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A Mercedes começou a se entender com as atualizações (Foto: Mercedes)

A Audi realmente estagnou

Sempre importante deixar um tópico para falar exclusivamente do pelotão intermediário. Embora a disputa do top-4 seja a que realmente atrai a atenção do grande público, a chamada ‘F1 B’ também costuma apresentar disputas acirradas. E foi assim neste sábado, tanto na sprint quanto na classificação.

A atividade que definiu o grid de largada deixou claro que Racing Bulls e Alpine realmente são as grandes forças dessa parte intermediária do grid. Esperava-se uma certa evolução por parte da Audi, o que não aconteceu. Gabriel Bortoleto voltou a andar muito atrás de Nico Hülkenberg e terá de largar na 14ª posição, sem qualquer condição de realmente avançar para terminar nos pontos — algo que não acontece desde o GP da Bélgica, inclusive.

O alemão, saindo do 11º lugar, ainda tem chances. Embora o circuito de Marina Bay seja de difícil ultrapassagem, tudo pode acontecer. E a prova curta deixou isso bem nítido. Hülkenberg e Oliver Bearman, da Haas, foram mais espertos do que Pierre Gasly em diferentes momentos e conseguiram pontuar. Obviamente que contaram com a patacoada da dupla da McLaren, o que sempre pode acontecer, com qualquer um.

Sobre a Audi em si, é preciso rever as atualizações que foram feitas. As 14 mudanças aplicadas lá no Azerbaijão deixaram o carro mais fraco em uma pista que teoricamente os alemães deveriam andar bem. Não houve um ganho de performance claro em nenhuma área. Que a próxima semana de folga sirva para colocarem as coisas no lugar.

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Gabriel Bortoleto e Audi não acompanharam ritmo das principais rivais (Foto: Audi)

A chuva ajudou (?) a F1

A chuva voltou a atrasar a programação da F1 neste sábado, assim como aconteceu na Malásia. Como sempre, destaque para a incapacidade da categoria de competir em condições minimamente molhadas, com um dos setores, o 2, inclusive, completamente seco. O pneu de chuva intensa da Pirelli realmente serve só para decoração, forçando todos a esperarem pacientemente o momento aceitável para que os intermediários entrassem em ação.

De qualquer maneira, a sprint, que tinha tudo para ser das mais tediosas, ficou bem animada. A ultrapassagem de George Russell para cima de Max Verstappen logo na largada acrescentou um tempero especial: será que o neerlandês partiria para cima para finalmente quebrar a maldição de nunca ter vencido em Marina Bay? Nem precisou. O britânico da Mercedes cometeu um erro na curva 19 logo no fim da volta e abandonou. Por sorte não foi atingido por outro carro, visto que bateu no muro e chegou a atravessar a pista com o W17 de lado na reta principal.

Só que a prova curta teve outras barbeiragens. Sem surpresa para ninguém, Lance Stroll jogou o carro para cima de Sergio Pérez, assim como Alexander Albon, que perdeu o freio e estampou a traseira de Gabriel Bortoleto, colocando um ponto final na corrida de ambos. Na volta derradeira, Lando Norris pagou de doido e tentou uma ultrapassagem ousada para cima de Oscar Piastri, o que deixou o clima na garagem laranja-papaia bem azedo. Isack Hadjar e Franco Colapinto também não concluíram, mas por questões de confiabilidade.

A chuva até atrapalha a programação, mas costuma salvar a F1 de escolhas erradas. A de realizar uma sprint em Singapura, por exemplo, nunca fez o menor sentido e tinha tudo para proporcionar uma corrida bem chata. E seria, de fato. Só que as condições adversas causadas pela pista molhada e, consequentemente, o fato de todos sofrerem bastante para manter os pneus intermediários vivos deixaram tudo um pouco mais animado. Contudo, apesar de ter mais voltas e envolver opções estratégicas, a corrida principal, caso não chova, deve ser aquela mesma ladainha de sempre.

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A chuva em Marina Bay animou a sprint que tinha tudo para ser bem chata (Foto: Mercedes)

O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP de Singapura, 17ª etapa da temporada 2026 da Fórmula 1, AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificações e corridas em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.

Horários do GP de Singapura da F1 2026

O GP de Singapura acontece de 9 a 11 de outubro, em Marina Bay, com treino livre, classificação da sprint, sprint, classificação e corrida.

DiaSessãoBrasilPortugalAngolaCabo VerdeMoçambique
Domingo, 11/10Corrida9h13h13h11h14h

Horário de Brasília para o Brasil e de Portugal continental e Madeira para Portugal.