F1
“Massa foi roubado”: defesa acusa ex-chefes da F1 de “ocultação deliberada” no ‘Crashgate’
Defesa de Felipe Massa afirmou que somente entrevista de Bernie Ecclestone em 2023 revelou que ex-chefes da FIA e Fórmula 1 encobriram caso ocorrido no GP de Singapura de 2008
Os advogados de Felipe Massa afirmaram nesta quinta-feira (30) que Bernie Ecclestone e Max Mosley participaram de uma “ocultação deliberada de uma conspiração” ao deixarem de investigar o Crashgate de 2008 logo após sua ocorrência. A acusação foi feita durante audiência na Superior Corte de Justiça de Londres, que analisa a ação movida pelo ex-piloto brasileiro em busca de reconhecimento como campeão da Fórmula 1 daquele ano.
O processo está centrado no escândalo do GP de Singapura de 2008, quando Nelsinho Piquet bateu propositalmente para ajudar o companheiro Fernando Alonso a vencer a corrida. Massa não pede que Lewis Hamilton seja destituído do título, mas busca ser reconhecido também como campeão e requer indenização de cerca de US$ 82 milhões (R$ 438,52 milhões, na cotação mais recente) por perdas financeiras e danos à reputação, além de um reconhecimento formal de que a FIA violou seus próprios regulamentos.
Nick De Marco, representante de Massa, afirmou que Ecclestone e Mosley “se uniram em uma ocultação deliberada de uma conspiração” ao não investigar imediatamente o caso. A defesa alega que o resultado da corrida deveria ter sido anulado, o que teria dado o título de 2008 ao brasileiro.
O advogado sustentou que Massa não perdeu o prazo legal para mover o processo — um dos principais argumentos dos réus — porque somente em 2023 o ex-piloto da Ferrari teve conhecimento real da suposta ocultação, a partir de uma entrevista concedida por Ecclestone. No depoimento, o ex-chefe da F1 teria declarado que “sentia pena de Massa” e que o brasileiro “foi roubado do título”. Ele nega que tenha feito tais afirmações, colocando a interpretação na conta do idioma.

“Após muitos anos, essa entrevista foi a primeira vez em que ficou evidente para o senhor Massa que houve uma ocultação deliberada de uma conspiração que já era conhecida”, afirmou o advogado.
Ele ainda declarou que “os réus estão muito ansiosos para impedir o tribunal de examinar suas condutas gravemente ilícitas” e acusou as partes de tentarem distorcer o caso para fazê-lo parecer uma tentativa de reabrir os resultados do campeonato.
Segundo o advogado, a FIA falhou em sua obrigação de garantir a justiça esportiva: “A FIA tinha um dever com seus membros de fazer cumprir seus regulamentos. A própria entidade reconheceu esse dever quando, tardiamente, investigou o acidente em 2009”, argumentou.
De Marco acrescentou que a FIA “falhou nesse dever em 2008, quando o pai de Nelson Piquet se aproximou da entidade para dizer que a batida poderia ter sido proposital”. Ele reforçou que a entrevista de Ecclestone contradiz o argumento da FIA de que “não havia provas suficientes” para abrir investigação na época.

“O senhor Ecclestone confirma isso quando diz que a FIA tinha provas suficientes para investigar a batida e deveria tê-lo feito naquele momento. A entidade esportiva internacional, cuja razão de existir é proteger a integridade do esporte, falhou em cumprir seu papel”, destacou o advogado.
De Marco citou também o relatório do Conselho Mundial do Esporte a Motor publicado em setembro de 2009, assinado pelo então presidente Mosley. O documento afirmava que, após a corrida de Singapura, “a sequência de eventos que beneficiou Renault e Alonso levantou suspeitas”, mas que, “naquele momento, a FIA considerou não haver provas suficientes para lançar uma investigação detalhada”.
O advogado rebateu essa versão com dureza: “Isso foi uma mentira. As pessoas que escreveram esse relatório — Ecclestone e Mosley — sabiam terem provas suficientes, mas estavam preocupadas com as consequências, então encobriram o caso”, disse.
“Ele foi roubado por Ecclestone e Mosley”, disse De Marco, em uma das frases mais contundentes da audiência. “Não havia nada que pudesse alertar Massa de que Ecclestone e Mosley tinham todas as informações necessárias para agir, quando diziam exatamente o contrário. Essa entrevista de 2023 foi a primeira evidência de uma ocultação deliberada”, concluiu.

A audiência em Londres segue até esta sexta-feira para definir se o processo movido por Massa seguirá adiante ou será arquivado.
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