Ferrari pega Mercedes no contrapé e vira ponto de atenção do GP da Inglaterra
A Ferrari surpreendeu a Mercedes nas retas de Silverstone e ficou com a pole da corrida sprint deste sábado. Mas a performance não foi acaso. A equipe trabalhou melhor e soube como otimizar o motor revisado. Então, coube a Lewis Hamilton traduzir tudo em uma volta clássica em uma de suas pistas favoritas
Cinco dias atrás, a Ferrari derretia no calor escaldante da Áustria e enfrentava um enorme dissabor com o fato de que, mesmo diante de grandes atualizações e a primeira fila, não foi capaz de entrar na briga pela vitória contra a Mercedes e uma inesperada Red Bull. A particularidades do circuito austríaco, a altitude e as temperaturas altas aniquilaram os italianos. Pois bem, quase uma semana depois e em um cenário mais ameno, mas ainda assim difícil, a escuderia vermelha pareceu retomar a sensação deixada em Barcelona. Ou seja, de um trabalho bem feito. Porque realmente foi o que ficou evidente nesta sexta-feira (3) em Silverstone. O grupo chefiado por Frédéric Vasseur não só interpretou melhor os dados e configurações, como também soube pegar a esquadra alemã de surpresa. E tudo isso foi cuidadosamente desenhado em uma performance majestosa de Lewis Hamilton, que sai na pole da corrida sprint deste sábado.
É bom explicar como a Ferrari mudou tanto em tão pouco tempo. Parte disso tem a ver com a natureza dos dois traçados. A clássica pista inglesa, embora mais fluída e rápida, não impõe problemas de altitude e nem de calor excessivo, e isso também é fundamental. As temperaturas variaram em torno dos 26ºC, contra mais de 35 no Red Bull Ring, na semana passada. Dessa forma, todo o conjunto da unidade de potência trabalha melhor. Além disso, os engenheiros ferraristas se concentraram no gerenciamento da energia, na recuperação e no controle, especialmente nas retas — ponto mais delicado. Tanto que o desempenho nos trechos mais rápidos foi o que mais chamou a atenção dos rivais. A verdade é que a Ferrari se preparou de maneira mais eficiente para a corrida de casa de Hamilton. Aceleração plena fez muita diferença.
Então, a pole de Lewis foi construída desse jeito, na combinação fina de velocidade de reta, equilíbrio, especialmente nas saídas de curva, e experiência. Mas não deixou de ser uma surpresa — afinal, a equipe ainda temia trechos como a Hangar e a reta principal. “Ontem, eles quase me assustaram quando disseram que eu perderia seis décimos na reta em comparação com os outros. Na Áustria, estávamos quatro décimos mais lentos na reta, mas hoje, de repente, estamos praticamente lá. Eu me perguntava se era verdade ou se eles aumentariam a potência na classificação, mas, em vez disso, estávamos realmente lutando com eles”, reconheceu o heptacampeão.
“Estou muito, muito feliz, porque se vocês me ouviram na coletiva de imprensa, sabem que todos nós achávamos que a pista seria diferente [com esses carros], mas não é o caso. A pista continua fenomenal, a sensação continua ótima. A queda de potência do motor está muito aquém do que esperávamos”, emendou Lewis, se referindo ao fato de que, diante dos ajustes do próprio regulamento, as perdas foram menores nos pontos mais velozes.
E animado pelo sinal de força da Ferrari, Hamilton também acredita que a corrida sprint será um bom termômetro do que está por vir ainda no fim de semana inglês da F1. “Ainda preciso analisar o ritmo de corrida, mas o carro pareceu muito bom nas simulações. Certamente, será uma batalha difícil com esses caras. Eles estão todos muito próximos, mas não acho que seja impossível. Estamos em uma ótima posição. Há muito vácuo nas primeiras voltas, e não será fácil manter a Mercedes ou a Red Bull atrás de mim, mas darei tudo de mim”, garantiu.
É fato que a Ferrari terá uma briga apertada pela frente, principalmente no papel de Andrea Kimi Antonelli. O líder do campeonato mostrou força na parte final da classificação ao ficar apenas 0s011 da marca de Lewis. O italiano segue muito competitivo e está, claramente, com o carro nas mãos. Considerando as performances recentes, é muito provável uma troca de posições frenética nas primeiras voltas e talvez seja essa única ressalva. Até porque o ritmo entre Antonelli e Hamilton parece praticamente o mesmo. Talvez só Max Verstappen, com uma ótima terceira colocação, tenha fôlego para entrar na disputa.

“Estávamos muito perto, e é uma pena”, lamentou Kimi, que sai em segundo. “Para ser honesto, no Q1 não me senti muito confortável, não me senti bem no carro, mas depois fizemos uma pequena alteração e, no Q2, o desempenho melhorou bastante e voltamos à disputa. Já no Q3, perdemos um pouco de terreno, mas foi uma volta decente e, infelizmente, só conseguimos ficar muito perto do Lewis”, admitiu aos jornalistas.
O piloto da Mercedes também chamou a atenção para o salto da Ferrari. “Venho dizendo desde o início do fim de semana que tínhamos que ter cuidado com a Ferrari, mas é surpreendente o quanto eles ganharam nas retas em comparação com as corridas anteriores. Agora eles estão fazendo o mesmo que nós, ou até um pouco melhor. Devo dizer que eles deram um bom passo à frente”, completou.
O sábado deve responder melhor sobre o acerto imediato da Ferrari e a melhor performance em reta, então será possível entender que os italianos estão mesmo na briga. E se estiverem, o quanto ainda dá para interferir na batalha interna da Mercedes.
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Além da cobertura completa das atividades, o GRANDE PRÊMIO também está in loco em Silverstone com o repórter Leonid Kliuev.
| Sessão | BRA* | CBV | POR ANG | MOZ |
| Corrida Sprint | 08:00 | 10:00 | 12:00 | 13:00 |
| Classificação | 12:00 | 14:00 | 16:00 | 17:00 |
| Corrida | 11:00 | 13:00 | 15:00 | 16:00 |
*Horário de Brasília
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