A temporada 2026 da Fórmula 1 marca o início de uma nova era na categoria, já que é o primeiro ano de um regulamento novo e com mudanças consideráveis nos carros e nos motores. Nikolas Tombazis, diretor de monopostos da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), afirmou que a entidade pode intervir e tomar as medidas necessárias nas corridas caso as regras decepcionarem.
Além de mudanças robustas na aerodinâmica dos carros, incluindo o fim do efeito-solo e a substituição do DRS pelo Manual Override Mode (Modo de Ultrapassagem Manual, em tradução livre), por exemplo, os motores do próximo ano terão a parte elétrica ampliada, passando a representar até 50% da força total — frente aos 20% dos antigos — e combustível 100% sustentável.
Por conta da quantidade considerável de potência proveniente da parte elétrica, a gestão de energia será fundamental. Porém, existe o risco de os pilotos passarem boa parte do tempo tendo de economizar, ao invés de andarem no limite. E embora a FIA e a F1 esperem que uma combinação de aerodinâmica ativa e um modo de ultrapassagem apimente a ação, ninguém sabe ao certo como as coisas se desenrolarão no mundo real até que os carros comecem a correr.
Alguns aspectos das regras de 2026 são fixos, como a quantidade de energia extra disponível para auxiliar nas ultrapassagens, mas o órgão regulador do esporte tem meios para ajustar diversos outros fatores durante um fim de semana de GP, o que pode incluir a localização e a duração das zonas de ativação para o modo de ultrapassagem.

Tombazis afirmou que a FIA acompanhará de perto os testes de pré-temporada e as primeiras corridas para garantir que tudo funcione conforme o planejado. Falando especificamente sobre o modo de ultrapassagem, o dirigente disse: “Ainda estamos aperfeiçoando-o. À medida que obtemos mais simulações finais, temos recursos que podemos ajustar do ponto de vista regulatório”.
“Portanto, se percebermos que ultrapassar está um pouco difícil demais, por exemplo, temos ferramentas para tornar isso um pouco mais fácil. Ou, se acharmos que está muito fácil, podemos tornar isso um pouco mais desafiador”, salientou.
O diretor de monopostos destacou a importância de a F1 produzir o equilíbrio certo em termos de ultrapassagens, pois em excesso podem ser tão prejudiciais ao espetáculo quanto a ausência total delas.
“As ultrapassagens têm de ocorrer em uma janela estreita. Não podem ser muito fáceis. Não queremos que os carros simplesmente passem uns pelos outros sem duelar. Sempre queremos ter essa disputa. Mas também não queremos que seja impossível, de modo que, quando eles saem do grid após a primeira volta, você já sabe como vai terminar. Claramente, também não queremos isso”, ressaltou.

“Ainda temos um longo caminho a percorrer em ambas as direções. E quando tivermos os resultados iniciais e as simulações finais com os carros e tudo mais, talvez precisemos usar alguns desses dados para fazer pequenos ajustes”, enfatizou.
Tombazis também acredita que pode levar algum tempo para que as equipes e os pilotos se acostumem com os novos modos do motor e os utilizem da melhor maneira possível nas corridas, como onde economizar energia e onde utilizá-la para garantir que não fiquem totalmente expostos nas retas.
“Haverá diferenças de energia que podem criar uma situação em que um carro talvez não consiga defender tão bem a sua posição. Mas acreditamos que, à medida que as equipes e os pilotos se acostumarem a operar de uma determinada maneira, eles garantirão que não fiquem completamente vulneráveis a uma situação específica”, projetou.
“Se de repente pegássemos esses 22 carros, os colocássemos no grid agora e disséssemos para começarem a correr hoje, tenho certeza de que encontraríamos situações em que os competidores ainda não estariam totalmente preparados ou otimizados dessa forma. Mas acho que, quando as pessoas souberem como usar isso, elas serão capazes de garantir que não ficarão indefesas na reta”, completou o dirigente da FIA.

A Fórmula 1 está de férias. Os carros voltam a acelerar de 26 a 30 de janeiro em testes privados em Barcelona. Depois, seguem para o Bahrein para mais duas sessões da pré-temporada: de 11 a 13 de fevereiro e de 18 a 20 de fevereiro. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades de 2026.
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