Diretor de monopostos da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), Nikolas Tombazis reconheceu que as reclamações feitas por Oscar Piastri a respeito do complexo algoritmo das novas unidades de potência da Fórmula 1 “são compreensíveis”. O dirigente, no entanto, admitiu que não é possível encontrar uma solução, embora acredite que a mudança na proporção entre motor a combustão e parte elétrica, implementada por partes até 2028, deve amenizar a situação.
Durante o fim de semana do GP da Bélgica, o australiano da McLaren rasgou o verbo contra a atual gestão de bateria e afirmou que os grids agora “são definidos por computadores”. Isso porque, em Spa-Francorchamps, o #81 perdeu um tempo significativo nas retas em comparação com Lando Norris, algo que o próprio time de Woking não foi capaz de explicar em um primeiro momento, visto que os sistemas dos dois carros estavam configurados da mesma forma.
Dias depois, porém, Andrea Stella detalhou que as unidades de potência possuem algoritmos de controle e otimização. Ou seja, os mapas e estratégias pré-programadas pelas equipes são alteradas automaticamente de acordo com as demandas. Por exemplo: se o piloto usa muita energia em determinada curva e, por isso, fica sem energia na reta seguinte, o software ajusta os parâmetros dentro de uma faixa permitida para, na próxima volta, reduzir a entrega de potência na mesma curva e ter mais oferta no trecho de alta velocidade.
No caso de Piastri e Norris em Spa-Francorchamps, se os dois tinham as mesmas configurações, por que as respostas dos carros eram diferentes? Simplesmente porque o estilo de pilotagem tem influência nesse sistema: o traçado adotado, a maneira que pressionam o acelerador, o momento em que recarregam a bateria e tantos outros aspectos podem, sim, resultar em interpretações distintas por parte da unidade de potência. Por esse motivo o australiano reclamou da questão dos computadores.
“É verdade, e os comentários deles são compreensíveis”, começou Tombazis em conversa com o site Motorsport-Total. “Essas declarações são consequência do fato de que a quantidade de energia é limitada e, por isso, torna-se extremamente importante a forma como ela é gerenciada da melhor maneira possível. As diferentes estratégias que precisam ser utilizadas para isso estão relacionadas a esse aspecto”, acrescentou.
O diretor da FIA então foi questionado se esse sistema de autoaprendizagem não poderia ser desligado, permitindo que os pilotos controlassem o consumo de energia inteiramente por meio de um botão no volante. “Não acredito que seria possível ir tão longe”, respondeu.

“Primeiro, se para os pilotos fosse realmente apenas um sistema de liga e desliga, que eles pudessem usar a qualquer momento e pelo tempo que quisessem, eles utilizariam toda a energia na saída das curvas durante um período muito limitado. Com isso, os efeitos dos quais as pessoas estão reclamando seriam ainda mais evidentes”, explicou.
“Segundo, existem limitações sobre quanta energia pode ser utilizada ou recuperada durante uma volta. Isso inclui o chamado delta de SOC, ou seja, o ‘State of Charge Delta’ (diferença no estado de carga, em tradução livre), além de outros fatores semelhantes”, seguiu. “Essas limitações existem para evitar uma corrida armamentista e, por exemplo, impedir a construção de uma bateria ainda maior. Não queríamos que as equipes fossem obrigadas a instalar uma bateria com o dobro do tamanho e, com isso, voltassem a ter carros mais pesados. Por isso, não acredito que as pessoas consigam controlar racionalmente todos esses parâmetros”, completou Tombazis.
Se Piastri, porém, acredita que a situação não deve melhorar tanto com as mudanças que acontecerão nos próximos dois anos, com a nova proporção entre motor térmico e parte elétrica, o diretor da FIA seguiu por um caminho diferente. Mesmo que a questão não seja 100% resolvida, Nikolas deixou claro que a F1 está caminhando na direção certa.
“Quando a participação elétrica é grande e você não depende de começar a volta com uma bateria totalmente carregada, o gerenciamento de energia se torna importante. Acho que Oscar é um piloto muito inteligente. Mas acredito que ele percebe, de fato, aquilo que, na visão dele, está prevalecendo no momento. Acredito que o reequilíbrio será um passo na direção certa. O problema vai desaparecer completamente? Não. Mas acho que será uma melhora”, reconheceu.

“Sem dúvida, é complicado e certamente mais complexo do que gostaríamos. 100%, concordo totalmente. Mas acredito que isso é consequência do problema fundamental que está na base de tudo”, encerrou o grego.
A Fórmula 1 está de férias. A categoria retoma as atividades da temporada 2026 de 21 a 23 de agosto, com o GP dos Países Baixos, em Zandvoort.
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