Flavio Briatore acredita que a Alpine reúne todos os elementos necessários para voltar a disputar vitórias e títulos na Fórmula 1. O consultor-executivo da equipe francesa destacou parceria firmada com a Mercedes para fornecimento de motores, investimentos realizados na fábrica de Enstone e estabilidade interna conquistada nos últimos meses, mas afirmou que ainda precisa mudar a mentalidade para transformar esse potencial em resultados.

Desde que retornou à F1 com uma equipe de fábrica, em 2016, o Grupo Renault falhou no objetivo de retornar ao topo da categoria. De lá para cá, viveu de brilhos esporádicos, como a isolada vitória de Esteban Ocon no GP da Hungria de 2021 — quando a equipe já havia sido rebatizada de Alpine. A realidade, entretanto, foi oscilar no pelotão intermediário.

Com a revolução técnica que a F1 passaria em 2026, o time francês apostou alto em uma virada de chave. Trouxe de volta Briatore para comandar o projeto e decidiu abdicar do status de fábrica e trocou as unidades de potência Renault por um acordo de cliente com a Mercedes. Até aqui, porém, os movimentos não renderam os frutos esperados: ocupa apenas a sexta posição no Mundial de Construtores neste momento e, apesar de ter conquistado um pódio em Mônaco com Pierre Gasly, perdeu terreno após um bom início de campeonato e já foi superada por Red Bull e até Racing Bulls.

Embora reconheça que ainda ocupa uma posição intermediária, Briatore deixou claro que não enxerga motivos para a Alpine permanecer distante das principais forças do campeonato. Para o dirigente italiano, o principal desafio não está na infraestrutura, mas na maneira como o projeto é conduzido.

Temos tudo para vencer. O acordo que fizemos com a Mercedes é excelente. Escolhemos o parceiro certo e estamos investindo muito dinheiro na fábrica. Temos tudo, precisamos apenas juntar as peças. Para isso, temos de ser um pouco mais criativos do que somos hoje e assumir mais riscos do que assumimos agora”, afirmou ao portal The Race.

Briatore lembrou que a estrutura baseada em Enstone já conquistou campeonatos no passado, quando competia como Benetton e Renault, e afirmou que esse histórico demonstra que o sucesso pode ser repetido. Apesar da confiança, o italiano admitiu que a reconstrução exige tempo.

Alpine apostou nos motores Mercedes para 2026, mas ainda não deu salto esperado na F1 (Foto: Alpine)

“Tenho certeza de que esta equipe pode vencer. Não sei por que não estamos ganhando. Não sei por que não batemos McLaren ou Ferrari. Já fizemos isso antes. É apenas uma questão de acreditar no que estamos fazendo. É uma questão de competir com essas equipes”, ressaltou.

“Este é o primeiro ano em que conseguimos juntar um pouco das peças. No ano passado prometi à Renault que estaríamos entre os seis primeiros neste ano. Talvez possamos até terminar entre os cinco primeiros. Esse foi o compromisso que assumi”, explicou.

Ao comparar a Alpine com as principais rivais, Briatore afirmou que instalações modernas, por si só, não garantem competitividade. Para exemplificar, citou a Aston Martin, que possui uma das estruturas mais avançadas da categoria, mas ainda busca melhores resultados.

“Não vejo o que outras equipes têm de diferente, talvez algumas tenham instalações melhores. Mas também vemos o exemplo da Aston Martin, que tem a melhor fábrica do mundo e alguns dos melhores engenheiros do mundo, e mesmo assim não é tão competitiva. É apenas uma questão de fazer as pessoas acreditarem que é possível vencer e colocarem todo o esforço nisso”, disse.

Flavio Briatore acredita que Alpine tem estrutura para vencer, mas precisa de nova mentalidade (Foto: Alpine)

O dirigente também destacou que a estabilidade conquistada recentemente permitiu à Alpine avaliar melhor o próprio quadro técnico. Segundo Briatore, as constantes mudanças dos últimos anos dificultavam esse diagnóstico. E ainda revelou que profissionais que deixaram a equipe já demonstraram interesse em voltar.

“Talvez tenhamos engenheiros muito bons que ainda estavam no banco. Nosso diretor-técnico, David Sanchez, precisa avaliar isso cuidadosamente. Agora fizemos o primeiro carro todos juntos. Conseguimos entender quem está fazendo um bom trabalho, quem precisa melhorar e onde podemos evoluir. Antes não havia esse panorama porque havia mudanças o tempo todo. Agora temos estabilidade”, explicou.

“Temos pessoas entrando em contato para trabalhar conosco e ajudar o projeto. Antes todos estavam aproveitando oportunidades em Cadillac, Aston Martin e outras equipes. Agora muita gente quer voltar. Mas, por enquanto, não quero ninguém. Quem saiu pode falar o que quiser. Não me importo”, encerrou.

A Fórmula 1 está de férias. A categoria retoma as atividades da temporada 2026 de 21 a 23 de agosto, com o GP dos Países Baixos, em Zandvoort.

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