Fórmula 1 recua e desiste de promover mudanças nas regras de 2026 após GP da China
Boas corridas na China fazem direção da Fórmula 1 adotar maior cautela antes de promover mudanças. Chefes de equipe terão reuniões para analisar cenário, mas nenhuma grande alteração será feita antes do GP de Miami
A Fórmula 1 decidiu pisar no freio e não fará qualquer mudança significativa no regulamento técnico de 2026 após o GP da China, realizado neste domingo (15). A decisão foi tomada depois de uma reavaliação do novo conjunto de regras ao longo do fim de semana em Xangai, que apresentou corridas mais disputadas que na Austrália, e a categoria vai aproveitar a folga ocasionada pelo adiamento das provas no Bahrein e na Arábia Saudita para debater o assunto de forma mais profunda e cautelosa.
Segundo informações do portal The Race, Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e direção da F1 planejavam uma reunião com chefes de equipe logo após a etapa de Xangai para discutir as primeiras impressões sobre os novos carros e verificar se mudanças imediatas seriam necessárias. A iniciativa surgiu após preocupações levantadas durante a pré-temporada, quando houve temor que os carros de 2026 — muito dependentes da gestão de energia — pudessem produzir corridas pouco emocionantes.
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Caso as primeiras etapas do campeonato confirmassem essas projeções pessimistas, existia a possibilidade de ajustes emergenciais no regulamento para já entrarem em vigor no GP do Japão. A reação negativa após a corrida em Melbourne — tanto de alguns pilotos quanto de fãs — chegou a aumentar a pressão por mudanças rápidas. No entanto, o cenário mudou após as corridas disputadas em Xangai, que apresentaram disputas intensas tanto na prova sprint quanto na principal.
A avaliação predominante no paddock é de que alguns pontos ainda precisam ser discutidos, como o formato da classificação e determinados aspectos técnicos considerados complexos, mas não há problemas graves o suficiente para justificar alterações imediatas no regulamento. Três fatores principais levaram a F1 a optar por uma abordagem mais cautelosa.
O primeiro foi o próprio espetáculo na China, que indicou que as corridas podem ser mais competitivas do que muitos temiam antes do início do campeonato. O segundo ponto é que o circuito australiano é considerado um dos mais críticos em termos de consumo de energia, o que pode ter distorcido a percepção inicial sobre o comportamento dos carros. Por fim, o calendário ganhou uma janela maior de análise após o adiamento das etapas do Bahrein e da Arábia Saudita, o que permite mais tempo para estudar possíveis mudanças.
No início da semana, o chefe da Williams, James Vowles, revelou que já havia “quatro ou cinco propostas” de alterações no regulamento e confirmou que as ideias seriam debatidas logo após o GP da China. A reunião prevista entre chefes de equipe deve acontecer normalmente na próxima semana, mas agora com foco em encaminhar o tema para um grupo de trabalho técnico que irá se reunir após a etapa japonesa para avaliar os regulamentos com mais profundidade.
Ao longo do fim de semana, já começaram a surgir vozes defendendo cautela no processo decisório. Ayao Komatsu, chefe da Haas, se manifestou e disse que o mais importante é evitar decisões precipitadas. “Definitivamente, não devemos reagir de forma impulsiva. Se vamos mudar algo, precisamos fazer isso apenas uma vez e da maneira correta”, afirmou.
Entre os pilotos, o regulamento segue dividindo opiniões. Max Verstappen, por exemplo, vem sendo um dos principais críticos e na entrevista coletiva em Xangai disse que participa das conversas por possíveis ajustes. O pensamento é corroborado por Lando Norris, que após o GP da Austrália chegou a dizer que esses são “os piores carros da história” da F1.

George Russell, apesar de ter começado o campeonato com uma vitória e um segundo lugar e já emergir como um dos favoritos ao título nesta temporada, também teceu críticas, mas de forma mais comedida e pedindo ajustes pontuais, visando segurança dos pilotos. O britânico da Mercedes também rebateu falas mais fortes e apontou incoerência ao recordar que muitos avaliavam as corridas como “chatas” até 2025. Após a prova deste domingo, Charles Leclerc também fez ponderações, explicando que os carros permitem disputas mais próximas na pista, mas que há necessidade de ajustes nas classificações.
Já Lewis Hamilton difere totalmente dos companheiros de grid e vem se tornando o maior entusiasta dos novos modelos. Após ter feito avaliações positivas sobre a abertura da F1 2026, o piloto da Ferrari classificou o GP da China como “um dos mais divertidos da carreira”.
A Fórmula 1 retorna em duas semanas, entre os dias 27 e 29 de março, com o GP do Japão, em Suzuka.
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