A Fórmula 1 estuda a possibilidade de adotar um modelo escalonado do teto orçamentário já a partir da temporada 2027, com o intuito de aumentar a margem de gastos das equipes que se encontram na parte de trás do pelotão. A ideia foi levantada por James Vowles, chefe da Williams, que destacou como Ferrari, McLaren, Mercedes e Red Bull, que formam o top-4, conseguiram abrir uma vantagem considerável em relação às rivais logo no primeiro ano do novo regulamento.

A informação foi divulgada pelo portal inglês The Race nesta quarta-feira (7). Para que mudanças aconteçam imediatamente na próxima temporada, o time de Grove precisa do apoio da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), da Formula One Management (FOM) e de mais cinco das 11 equipes do grid. De acordo com o veículo, Audi, Aston Martin, Alpine e Cadillac se colocaram favoráveis à proposta.

A Haas, por sua vez, desaprovou, visto que tem dificuldades até mesmo para se aproximar do limite orçamentário atual, definido em US$ 215 milhões (aproximadamente R$ 1,08 bilhão na cotação mais recente) para 2026. Ou seja, votar para que as rivais mais próximas possam gastar ainda mais não seria nada positivo para a escuderia norte-americana.

Com Ferrari, McLaren, Mercedes e Red Bull sendo as prejudicadas, dificilmente a Williams contará com o apoio de qualquer uma delas. Desta forma, resta então a Racing Bulls. Para que isso aconteça, porém, Vowles e companhia teriam de convencer a alta cúpula da marca de bebidas energéticas de que ajudar a segunda equipe pode ser interessante para a empresa — um desafio e tanto.

De qualquer forma, caso o time de Faenza não embarque nessa proposta, a ideia ganha força para 2028, quando então seria necessário o apoio de somente quatro equipes, o que a escuderia inglesa já possui.

James Vowles defendeu mudança no teto orçamentário da F1 a partir de 2027 (Foto: AFP)

Qual seria a proposta?

Os detalhes da proposta ainda serão discutidos na reunião da Comissão da F1 em novembro, mas o The Race informou que existem algumas possibilidades.

A primeira seria adotar um modelo similar ao que é feito com as restrições de testes aerodinâmicos, de que modo que a equipe que terminar na última posição do Mundial de Construtores receba uma margem maior para gastar, com esse limite sendo reduzido gradualmente até a quinta colocada — exatamente para que nenhum integrante do top-4 seja beneficiado.

Outro formato que deve ser apresentado já se assemelha mais ao sistema das Oportunidades Adicionais de Desenvolvimento e Atualização, o chamado ADUO. Ou seja, as equipes que estiverem dentro de determinada margem percentual de pontos em relação às principais forças seriam agrupadas e receberiam a permissão para investir mais dinheiro.

Por fim, há também a possibilidade de estabelecer uma escala diretamente relacionada à diferença de pontos. Por exemplo: o mecanismo só poderia ser utilizado pelos times que estivessem 100 pontos atrás dos quatro primeiros colocados. Com isso, uma equipe que terminasse em quinto, muito próximo das quatro de cima, não seria beneficiada, apenas aquelas que ficassem bem atrás.

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Chefe da Williams explicou como equipes da ‘F1 B’ possuem desvantagens estruturais (Foto: AFP)

Urgência para 2027

Vowles teme que a distância entre o top-4 e a chamada ‘F1 B’ se torne muito grande, o que acabaria tornando as escuderias do segundo pelotão menos atrativas para os patrocinadores. Sem o dinheiro de grandes marcas, não há como progredir, o que desvalorizaria as próprias equipes e, consequentemente, reduziria a força da própria F1.

A urgência para que tal mudança no teto orçamentária aconteça já em 2027 se deve ao fato de que os efeitos da medida, de acordo com o chefe da Williams, levarão três anos para aparecer — o que coincide com a chegada do próximo regulamento, previsto para ser introduzido em 2030 ou 2031.

“Nós queríamos alcançar sustentabilidade financeira no longo prazo. E acredito que, nesse objetivo, não apenas conseguimos chegar lá, como fomos além do que esperávamos. Hoje, as equipes têm bons investimentos que permitem que continuem operando, e são negócios de fato. Antes de 2021, elas não eram negócios de forma alguma”, disse Vowles em entrevista ao The Race.

“Os outros dois objetivos, porém, estavam relacionados à equidade esportiva e, na prática, ao nivelamento do grid. Ou seja, à competitividade entre as equipes. Esses eram os três objetivos do teto de gastos. E esses outros dois fracassaram”, seguiu.

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James Vowles usou Mercedes, ex-equipe dele, como exemplo (Foto: Alexander Seregin/ASPPA Images Europe)

“Há uma estatística que eu estava analisando cerca de um mês atrás. Se considerar os últimos 15 anos da F1, sendo cinco deles sob o teto de gastos, as quatro equipes que estão na parte de cima conquistaram 83% dos pontos. Antes disso, o número ficava na casa dos 70%, só para deixar claro. Em outras palavras, pioramos a situação, e agora todas as outras equipes estão brigando por algo em torno de 17% dos pontos”, explicou.

“O número de vezes em que uma equipe fora das quatro primeiras subiu ao pódio costumava representar 10% das corridas. Agora, são apenas 5%. Posso apresentar uma série de outras estatísticas, mas o teto de gastos tornou a situação pior, não melhor”, bradou.

Na sequência, o chefe da Williams lembrou dos mais de dez anos em que trabalhou na Mercedes. Vowles explicou que boa parte dos gastos da equipe inglesa vão para o desenvolvimento de processos e não para atualizações, situação completamente diferente da escuderia de Toto Wolff, por exemplo, que já é bem-estruturada e pode focar nas melhorias para o carro.

“Fui da melhor equipe para a pior equipe. Acho que isso está bem claro. O que eu não tinha percebido ou compreendido ao fazer essa mudança [em 2023] era o quão pouco pode ser feito quando você está sob um teto de gastos. Não estou gastando dinheiro no carro. Estou gastando milhões, dezenas de milhões, na verdade, apenas com sistemas básicos”, destacou.

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Proposta deve ser discutida na Comissão da F1 em novembro(Foto: Pirelli)

“Isso significa, por exemplo, saber onde uma peça está na fábrica. Esse dinheiro não vai para o carro. Não vai para uma asa dianteira. Não vai para uma atualização. É gasto em sistemas que preciso ter funcionando apenas para conseguir fazer o básico. Estamos presos em uma armadilha criada pelo teto de gastos”, bradou.

“Agora você entende por que, se eu fizer qualquer coisa pensando nesta temporada, vou acabar prejudicando meu desempenho no futuro. Não posso fazer isso. Temos um campeonato dividido em dois níveis. Não sou eu quem está dizendo isso; é simplesmente o que os números mostram hoje em termos de pontos conquistados. É nesse ponto que precisamos nos unir como categoria e dizer: ‘Isso não está certo em relação ao que queremos para o futuro’. Queremos ter a possibilidade de, se fizermos um bom trabalho, disputar algo mais.”

“A solução não é acabar com o teto de gastos. Como disse antes, hoje temos uma categoria financeiramente muito mais estável graças a ele. Mas precisamos pensar nos mecanismos que temos para garantir que todos estejam competindo com as mesmas ferramentas e dentro das mesmas regras, porque hoje não é isso que acontece”, encerrou Vowles.

A Fórmula 1 volta neste fim de semana, de 9 a 11 de outubro, com o GP de Singapura, 17ª etapa da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades em Marina Bay AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificações e corridas em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.

Horários do GP de Singapura de F1 2026

O GP de Singapura acontece de 9 a 11 de outubro, em Marina Bay, com treino livre, classificação da sprint, sprint, classificação e corrida.

DiaSessãoBrasilPortugalAngolaCabo VerdeMoçambique
Sexta-feira, 9/10Treino livre5h309h309h307h3010h30
Sexta-feira, 9/10Classificação da sprint9h3013h3013h3011h3014h30
Sábado, 10/10Sprint6h10h10h8h11h
Sábado, 10/10Classificação10h14h14h12h15h
Domingo, 11/10Corrida9h13h13h11h14h

Horário de Brasília para o Brasil e de Portugal continental e Madeira para Portugal.