A organização do GP da Espanha já trabalha em alterações no Madring para a temporada 2027 depois de a estreia da Fórmula 1 em Madrid ser marcada pela dificuldade de ultrapassagens. A pista recebeu recomendações da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), e os responsáveis pelo circuito indicaram que estão dispostos a modificar o traçado antes do retorno da categoria à capital espanhola.

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O problema ficou evidente na primeira corrida realizada no circuito. Apesar de a pista ter recebido elogios pela estrutura e pelo desafio proporcionado aos pilotos durante a classificação, a prova apresentou poucas oportunidades claras de ataque. A própria organização reconheceu que há espaço para melhorar o espetáculo em pista.

A próxima edição do GP da Espanha em Madrid está marcada para 10 a 12 de setembro de 2027, segundo o calendário oficial divulgado para a temporada. O Madring tem contrato de longo prazo para receber a Fórmula 1, o que permite aos organizadores trabalhar em ajustes sem a necessidade de uma reconstrução completa do projeto.

O que pode mudar no Madring em 2027?

As propostas ainda não foram homologadas definitivamente. A avaliação envolve a organização do evento, a FIA, equipes e pilotos, mas três regiões do traçado aparecem entre os principais pontos de estudo.

A primeira delas é a sequência das curvas 5 e 6, justamente a chicane posicionada depois da maior reta do circuito. O trecho havia sido projetado como uma das principais oportunidades de ultrapassagem, mas a combinação entre frenagem e mudança de direção dificultou a aproximação dos carros.

A possibilidade considerada é aumentar a largura e modificar a aproximação da chicane, criando uma zona de frenagem mais favorável para carros que chegam lado a lado. A FIA já desenhou possíveis caminhos para melhorar o desenho do setor.

Outro ponto analisado é a curva 13, localizada logo depois da angulada La Monumental, a curva inclinada que se tornou a principal marca visual do Madring. Uma das propostas é tornar a curva mais fechada para criar uma frenagem mais forte e, consequentemente, aumentar a possibilidade de ataque.

A terceira alteração estudada envolve a curva 20, última curva antes da reta de chegada. A ideia é ampliar e redesenhar a entrada do trecho para favorecer diferentes linhas e facilitar disputas entre os carros.

Norris ofereceu alternativas à pista (Foto: McLaren)

Norris propõe mudança mais radical no setor final

Entre os pilotos, Lando Norris apresentou uma alternativa mais profunda para o desenho do trecho final. O campeão mundial sugeriu retirar as curvas 18 e 19 e transformar a região em uma reta mais longa até uma curva 20 mais larga, semelhante às grandes curvas de baixa velocidade existentes em Austin.

A proposta teria como objetivo criar uma segunda oportunidade clara de ultrapassagem no circuito, especialmente com uma aproximação mais aberta para o hairpin. Norris avaliou que o Madring funcionou melhor como pista de classificação do que como circuito de corrida e defendeu alterações para tornar as disputas mais naturais.

A sugestão, porém, não significa que será aplicada em 2027. O setor entre as curvas 18 e 20 passa por uma região próxima às estruturas permanentes da IFEMA e também envolve um dos túneis que levam o traçado sob a rodovia M-40. Por isso, uma mudança profunda nessa área seria mais complexa do que simplesmente deslocar barreiras ou ampliar uma área de escape.

A curva La Monumental (Foto: Ferrari)

Madring tem limitações diferentes em cada metade

A própria configuração do circuito ajuda a explicar por que algumas mudanças são mais simples do que outras. O Madring combina trechos construídos ao redor da área de exposições da IFEMA com uma seção desenvolvida em terreno aberto na região de Valdebebas.

É justamente na parte construída em terreno aberto que os organizadores têm maior liberdade para alterar o traçado. Já os setores próximos às estruturas da IFEMA e à M-40 estão sujeitos a limitações físicas que tornam intervenções mais profundas difíceis.

A situação da curva 5 é um exemplo intermediário. Embora exista espaço para trabalhar na aproximação, uma alteração capaz de produzir uma zona de ultrapassagem realmente eficiente exigiria mudanças na geometria do trecho, não apenas o deslocamento das barreiras.

O mesmo vale para o setor final. A sugestão de Norris visa melhorar significativamente a possibilidade de ataque, mas esbarra em estruturas permanentes do complexo que abriga o circuito.

O cenário às margens da F1 em Madri (Foto: Leonid Kliuev/Grande Prêmio)

Problema não ficou restrito às ultrapassagens

A dificuldade para ultrapassar foi o principal ponto de crítica, mas os pilotos também apontaram outras características do Madring.

Um dos problemas citados foi o excesso de curvas em que o piloto precisa frear e virar simultaneamente. Esse tipo de entrada permite que o carro da frente defenda a posição com maior facilidade porque reduz as opções de trajetória para quem vem atrás.

O pit-lane também foi apontado como um obstáculo para estratégias alternativas. A extensão da área de boxes torna a parada relativamente custosa em tempo, reduzindo o incentivo para que as equipes tentem estratégias diferentes durante a corrida.

O último ponto, no entanto, parece ser mais difícil de resolver. A configuração dos boxes está diretamente relacionada à forma como as instalações da IFEMA foram incorporadas ao circuito e não depende apenas de uma alteração no traçado.

Madri também recebeu F2 e F3 (Foto: Red Bull Content Pool)

Mudanças ainda dependem de aprovação

Apesar de já haver recomendações e estudos, o novo desenho do Madring ainda não está definido. Os responsáveis pelo circuito precisam trabalhar com a FIA antes que qualquer alteração seja homologada para a temporada 2027.

Luis García Abad, diretor-geral do GP da Espanha, afirmou que existe espaço para mudanças e que o circuito será reinstalado antes da próxima edição. A organização, portanto, pretende aproveitar o processo de montagem para incorporar eventuais modificações aprovadas.

O objetivo é transformar o Madring em uma pista capaz de manter as características que funcionaram bem na classificação, mas com mais oportunidades de ultrapassagem durante a corrida. A experiência da primeira edição servirá como referência para definir quais alterações serão efetivamente implementadas.

Por enquanto, a curva 5, a curva 13 e a curva 20 aparecem entre os pontos com mudanças estudadas, enquanto a proposta de eliminar as curvas 18 e 19 apresentada por Norris representa uma possibilidade mais ampla, mas tecnicamente mais complexa. A configuração definitiva do Madring para 2027 ainda depende das próximas etapas do processo de avaliação e homologação.

FAQ

O Madring vai mudar para o GP da Espanha de 2027?

Sim. A organização confirmou que trabalha em alterações no circuito e já recebeu recomendações da FIA, mas o desenho definitivo ainda não foi homologado.

Quais curvas do Madring podem ser alteradas?

As principais áreas citadas são as curvas 5 e 6, curva 13 e curva 20. Lando Norris também sugeriu retirar as curvas 18 e 19 para criar uma reta maior antes da curva 20.

Por que o Madring precisa de mudanças?

A estreia da F1 em Madrid teve poucas oportunidades de ultrapassagem, principalmente porque várias curvas exigiam frenagem e mudança de direção simultaneamente, facilitando a defesa do piloto que estava à frente.

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