Em uma modalidade que ficou tão fechada nos últimos tempos, começar algo praticamente do zero é uma tarefa muito difícil na Fórmula 1. E por mais que a Audi tenha comprado a estrutura da antiga Sauber, a missão de ter um motor completamente novo competindo contra a expertise de gigantes como Mercedes e Ferrari é uma missão enorme. Gabriel Bortoleto teve dificuldades, mas tem encontrado um caminho para se tornar o protagonista da esquadra alemã.
As grandes dificuldades de Bortoleto com a Audi passam alguns tópicos. O principal deles é a questão das largadas. Frequentemente, o brasileiro perde inúmeras posições e é forçado a realizar corridas de recuperação, que para pontuar, acaba dependendo muito de ocorrências com carros das principais equipes.
Um exemplo é Suzuka, quando penetrou ao Q3 e largou da nona posição, mas terminou a primeira volta apenas em 13º. Não foi capaz de se recuperar a partir daquele ponto. No Canadá, largou em 13º, mas já era 20º ao fim da segunda volta. Precisar frequentemente de recuperação não é um cenário ideal quando existe uma disparidade grande entre as principais equipes e os times do meio de tabela.
O segundo fator é a confiabilidade da própria Audi, que tem até afetado mais Nico Hülkenberg, mas não deixou de ser um problema para o brasileiro, que sequer largou no GP da China, por exemplo. Além disso, classificações foram prejudicadas, como o caso de Miami, quando um incêndio nos freios ainda no Q1 forçou o brasileiro a largar do último lugar.
No meio de uma confiabilidade suspeita e a necessidade de provas de recuperação, Bortoleto encarou uma certa fase em que “batia na trave” com as oportunidades de pontuar, até que veio o GP da Inglaterra, onde a Audi apresentou um problema de câmbio na classificação, mas que foi corrigido a tempo. Mesmo largando mal, conseguiu se recuperar e aproveitou os problemas com Max Verstappen e Andrea Kimi Antonelli para conquistar o oitavo lugar.
Algo semelhante aconteceu na Bélgica, mesmo perdendo posições para Lando Norris e Isack Hadjar, que largaram na parte de trás do grid. Manteve-se bem no topo do pelotão intermediário, aproveitou-se das confusões com Racing Bulls e Alpine, além do abandono de George Russell, para ficar no oitavo posto mais uma vez.

Ao mesmo tempo em que Bortoleto agarrou oportunidades que o deixam com 10 pontos no Mundial, o cenário não é tão favorável ao companheiro de equipe Hülkenberg, que só conseguiu pontuar no GP da Hungria, a última corrida antes da pausa do verão. Mesmo que o alemão equilibre as classificações e faça boas corridas, o fato de sofrer muito mais azar e não ser tão excepcional pesa a favor do brasileiro.
Assim como em 2025, Bortoleto tem crescido ao longo do campeonato. A missão de pontuar com frequência é muito difícil, especialmente com uma Racing Bulls que claramente consegue completar a lista do top-10 junto aos times grandes. Porém, o brasileiro e Audi caminham em uma parceria que, de forma lenta, é menos dolorosa do que outras montadoras que tentaram entrar no Mundial e apanharam muito no início.
Para o que ainda resta na temporada, o objetivo é de corrigir erros tão marcantes e tentar capitalizar em cima das oportunidades que restam para pontuar. Afinal, se a Audi melhorar, espere o mesmo das outras equipes.
A Fórmula 1 está de férias. A categoria retoma as atividades da temporada 2026 de 21 a 23 de agosto, com o GP dos Países Baixos, em Zandvoort.