Nem mesmo as oito vitórias nas 11 primeiras corridas da temporada 2026 da Fórmula 1 deixam a Mercedes confortável para a segunda metade do campeonato, pelo contrário. O diretor-técnico, James Allison, explicou que os alemães estão “duas corridas atrás” das rivais diretas em atualizações, o que significa que um único desenvolvimento pode anular a vantagem de 0s5 obtida no início do ano.
Allison falou sobre a linha de trabalho da Mercedes para este ano no Nu Silver Arrows Radio Show, podcast produzido pela própria equipe. Ele começou explicando que o ganho atual de tempo de volta em túnel de vento é “cerca de seis ou sete vezes maior do que no ano passado”, o que representa “0s5 a cada dois meses”.
“É realmente muito significativo. E fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para levar à pista, no início do ano, um carro que fosse competitivo. Felizmente, o esforço valeu a pena”, destacou o engenheiro britânico.
“Um aspecto da nossa estratégia de desenvolvimento foi uma decisão interna em relação à aerodinâmica e ao chassi do carro: finalizaríamos o projeto — ‘congelaríamos’ a especificação — várias semanas mais tarde do que jamais havíamos feito com um carro anteriormente. E seguiríamos um plano com menor margem de erro”, acrescentou.
Allison destacou que a Mercedes chegou ao GP da Austrália, abertura do campeonato, com os recursos praticamente esgotados. “Como resultado, conseguimos incorporar ao carro, para a primeira corrida, a maior parte possível daquela curva de desenvolvimento extremamente íngreme, o máximo que acredito ser humanamente possível incluir. E esgotamos todos os nossos recursos para isso.”
“Talvez outras equipes não tenham chegado com um resultado tão próximo do limite. No entanto, elas atualizaram seus carros mais cedo”, continuou.

De fato, desconsiderando as mudanças específicas para o circuito, a Mercedes foi uma das equipes que menos mexeram no carro na primeira parte de 2026, com 20 atualizações promovidas no W17. A título de comparação, McLaren e Ferrari, que já venceram corridas este ano, levaram nove e dez a mais, respectivamente, e planejam mais pacotes para as etapas que restam.
“Essas equipes definiram o projeto do carro mais cedo e trabalharam na introdução da primeira atualização mais rapidamente durante a temporada. Nós, por outro lado, chegamos com muito desempenho, mas com todos os recursos já esgotados”, continuou Allison.
“Temos nos esforçado ao máximo para entregar mais, e estamos um pouco defasados. E nosso programa de desenvolvimento, por termos chegado mais cedo, agora está uma ou duas corridas atrás do ritmo de atualização das outras equipes”, pontuou.
Um exemplo claro disso foi no GP da Hungria, que antecedeu a pausa das férias. A Mercedes em nenhum momento foi a primeira força do final de semana, enquanto a McLaren apresentou melhor ritmo de classificação e de corrida, fechando a etapa com vitória de Lando Norris.

“Ao analisar os tempos de volta, parece que todos estão na mesma trajetória que nós. Todos estão ganhando cerca de 0s5 a cada dois meses. Portanto, ficar fora de sincronia com o ciclo de desenvolvimento significa o risco de perder 0s5, como aconteceu conosco no início do ano”, seguiu Allison, que fez um alerta na sequência: “Um ciclo de desenvolvimento já será suficiente para anular essa vantagem. E isso é bastante assustador”
Apesar da aparente desvantagem, a Mercedes também prepara atualizações para a próxima fase da temporada 2026. “Sabemos que ainda temos muito potencial guardado”, garantiu o diretor-técnico, reiterando que “é só uma questão de quando vamos colocar nossas novidades em prática”.
“Nossa estratégia é simplesmente tentar manter a liderança e garantir que o próximo salto de desempenho que apresentarmos restaure o status quo anterior, restaure a vantagem que conquistamos no início da temporada. Só precisamos superar esses momentos assustadores em que os outros trazem novidades sofisticadas”, encerrou.
A Fórmula 1 está de férias. A categoria retoma as atividades da temporada 2026 de 21 a 23 de agosto, com o GP dos Países Baixos, em Zandvoort.