As primeiras atividades de pista da F1 em Sepang após nove anos revelaram um problema que vai muito além da conhecida abrasividade do circuito. O asfalto do traçado malaio está se deteriorando com a passagem dos carros, soltando pequenos fragmentos de pedra que permanecem sobre a pista e reduzem ainda mais o nível de aderência.

O efeito apareceu diretamente nos tempos. Segundo a Pirelli, a melhor volta da sexta-feira (1min37s520, de Max Verstappen no TL1, ficou mais de 4s acima da referência das simulações de classificação projetadas no simulador.

É uma situação tão atípica que o próprio engenheiro-chefe da Pirelli, Simone Berra, admitiu que “não está realmente sob controle”, o que significa que, apesar de todo o trabalho de sexta-feira para emborrachar a pista, o asfalto pode continuar se deteriorando sob as altas temperaturas.

“A pista estava se deteriorando muito rapidamente, até durante a sessão, então é uma situação que não está realmente sob controle no momento”, afirmou Berra aos jornalistas presentes em Sepang.

Os fragmentos liberados pelo asfalto não representam, segundo Berra, risco de perfuração dos pneus. O problema é outro: o material permanece sobre a pista, reduz a aderência e, consequentemente, deixa a pista escorregadia. E quanto mais os pneus escorregam, maior é a tendência de elevação das temperaturas e de degradação térmica.

Sobre a diferença de 4s5 em relação ao visto no simulador, Berra atribuiu principalmente às condições da superfície: poeira, baixo nível de aderência e deterioração do asfalto. “Acredito que, devido à superfície e à poeira, ficamos 4s5 acima dos nossos tempos de simulação. Claro, tratava-se de simulações de classificação, então veremos o que acontece amanhã (sábado), mas não acho que encontraremos outros 4s ou 5s da noite para o dia. Portanto, sim, tudo se resume basicamente às condições do asfalto”, reconheceu.

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Verstappen liderou a sexta, mas com um tempo de volta muito mais lento que o previsto (Foto: Red Bull Content Pool)

“Naturalmente, as equipes também não tinham informações precisas sobre o que esperar aqui. De modo geral, não se realiza uma corrida nesta pista há dez anos, então foi difícil para elas estabelecerem uma referência confiável. Vamos analisar a origem dessa diferença de tempo, mas 4s representam uma margem significativa. Acredito que a maior parte disso se deve às condições da pista”, acrescentou Berra.

Sepang, na verdade, já seria exigente mesmo sem a degradação do piso. Segundo a Pirelli, a temperatura do ar chegou a 38°C, enquanto o asfalto atingiu aproximadamente 54°C no TL2 na sexta-feira. O calor amplifica o problema porque o deslizamento dos pneus gera mais temperatura. O pneu passa a trabalhar fora da janela ideal, perde desempenho e escorrega ainda mais.

A Pirelli identificou degradação térmica elevada especialmente nos stints longos. Com o nível de desgaste observado na sexta-feira, a estimativa é de uma perda de 0s2 a 0s3 por volta.

“Trata-se de encontrar um equilíbrio realmente bom — não apenas para o carro e o desempenho puro, mas também para os long runs: tentar manter a consistência e controlar as temperaturas para evitar deslizamentos ou a exigência excessiva dos pneus durante o stint”, concluiu.

O que esperar da classificação de sábado?

A classificação deve começar com uma incógnita fundamental: quanta aderência a pista terá recuperado — e quanto do asfalto terá se deteriorado durante a noite?

Normalmente, a expectativa seria de uma evolução bastante clara. Mais carros na pista significariam mais borracha depositada, aumentando a aderência e permitindo que os tempos se aproximassem gradualmente das simulações. Em Sepang, todavia, essa lógica precisa ser tratada com cautela.

A Pirelli afirmou que o circuito precisa de uma quantidade significativa de borracha para atingir o potencial que possui, mas também registrou que a superfície estava se deteriorando rapidamente. Portanto, a evolução da aderência vai depender do equilíbrio entre o emborrachamento e o desgaste do asfalto.

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O asfalto em Sepang está complicando a vida da F1 (Foto: McLaren)

TL3 será decisivo para entender cenário

O terceiro treino livre, marcado para as 12h30 locais de sábado (1h30 em Brasília, GMT-3), será a primeira oportunidade de observar o comportamento da pista antes da classificação. A sessão de classificação começa às 16h locais (5h em Brasília).

A sexta-feira deixou um dado particularmente importante: os macios nem sempre foram piores que os médios em stint longo. Segundo a Pirelli, o maior nível de aderência do pneu macio em alguns momentos reduziu o deslizamento e, consequentemente, a geração de temperatura. O delta de desempenho entre macio e médio ficou próximo de 0s5 por volta.

Existe uma expectativa de melhora no sábado, especialmente porque a pista deve receber mais borracha, mas há outro fator que também não pode ser descartado: o clima. A previsão oficial do serviço meteorológico da Malásia indica tempestades na manhã de sábado e ausência de chuva à tarde, o que torna o estado da pista no início do TL3 outro elemento a acompanhar.

Se houver chuva antes do TL3, a borracha será removida, alterando novamente o nível de aderência. Se a pista permanecer seca, o trabalho das equipes pode continuar de forma mais previsível — embora o calor mantenha a degradação como fator central. Será, portanto, um teste de adaptação ao estado do asfalto.

O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP do Bahrein, em Sepang, AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.

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Perguntas frequentes

Por que os carros estão 4s5 mais lentos que as simulações?

Segundo a Pirelli, a diferença está principalmente relacionada às condições da pista. Poeira, baixo nível de aderência e a deterioração da superfície fazem os pneus escorregarem mais e impedem que os carros atinjam o desempenho previsto nos simuladores.

O asfalto de Sepang oferece risco aos pneus?

A Pirelli não apontou risco de perfuração causado pelos fragmentos que estão se soltando do asfalto. O principal efeito é a perda de aderência, que aumenta o deslizamento, as temperaturas e a degradação térmica dos pneus.

O que pode acontecer na classificação?

A tendência é de evolução da aderência com o depósito de borracha, mas a magnitude dessa melhora é incerta porque o asfalto também está se deteriorando. O TL3 será importante para determinar se a pista está efetivamente ganhando aderência antes da classificação, marcada para as 5h de Brasília.