É claro que uma pista de verdade quase sempre proporciona resultados inesperados — e de verdade! E é isso que o circuito de Sepang, palco neste fim de semana do GP do Bahrein, entregou a quem acompanhou a classificação neste sábado (3). Em um traçado que oferece de tudo um pouco, entre retas, curvas de alta velocidade e trechos lentos, o equilíbrio e o compromisso em termos de gerenciamento da bateria fizeram diferença. Portanto, não chega a ser exatamente uma surpresa notar a pole de Max Verstappen. O que espanta é a forma como o neerlandês e a Red Bull dominaram as ações. O tetracampeão foi cerca de 0s3 melhor que o segundo colocado, Lewis Hamilton, em uma volta espetacular, domando como ninguém as longas retas malaias. Naturalmente, Verstappen assume o favoritismo, mas é importante contrapor: a corrida deste domingo será uma das mais exigentes de toda a temporada e nada previsível.
Essa sensação de que tudo pode acontecer vem do fato de se tratar de um circuito com desafios reais. As curvas de alta velocidade, mescladas com os trechos lentos e de média velocidade, pedem um carro equilibrado, mas também há uma demanda em termos de gestão de energia, uma vez que a pista tem 4 retas. Tudo somado ainda a um calor infernal em um asfalto de acentuado nível de abrasividade. O que vai exigir demais dos pneus e, consequentemente, da estratégia, porque há uma enorme preocupação com o desgaste excessivo. Há quem acredite em uma corrida com mais de dois pit-stops. Por isso, existe também uma impressão de que a corrida será um caos até mesmo sem a chuva — outra grande característica em Sepang, mas que teima em se fazer presente desta vez.
De qualquer maneira, Verstappen foi capaz de se colocar no melhor lugar possível até com certa facilidade — curiosamente, foi ele quem venceu a corrida na última passagem da F1 pela Malásia, em 2017. E o desempenho não aconteceu ao acaso. A Red Bull investiu demais no pacote de atualizações que estreou em Baku, mas que acabou sendo até mais recompensado em Sepang. Porque a equipe apostou na velocidade de reta — o RB22 voou e obteve números melhores dos que a Mercedes, força tradicional nesses trechos. Aliado a isso, o modelo azul-marinho também perdeu pouco nas curvas de alta e parece performar bem nos trechos de média. Então, uma pilotagem sem erros acabou por colocar Max na posição de honra. Isack Hadjar também comprovou a ótima forma dos taurinos ao cravar o terceiro tempo — o francês, porém, vai partir do oitavo posto devido uma punição pela troca de peças da unidade de potência.
Importante dizer também que a Red Bull quebrou o domínio dos motores Mercedes em 2026 ao conquistar a pole. “Tentamos conquistar a pole em algumas corridas. E agora finalmente conseguimos. É fantástico. Estou feliz por hoje e, claro, tentarei vencer amanhã”, disse o tetracampeão, que obteve a 49ª pole da carreira e a primeira de 2026. O chefe dos energéticos compartilhou a alegria e detalhou os acertos do time.
“Tivemos alguns bons resultados recentemente. Na verdade, pensávamos que teríamos mais dificuldades nas curvas rápidas. Mas este resultado mostra que simplesmente fizemos um ótimo trabalho em Milton Keynes”, confessou Laurent Mekies.

Mas se a pole de Max foi construída em cima de um melhor entendimento das atualizações e da natureza da pista malaia, o complemento da primeira fila é resultado também de certa dose de imprevisibilidade que um circuito como esse proporciona. A Ferrari encontrou uma lacuna entre os problemas da Mercedes e um caminho interessante em termos de acerto da SF-26. Que acabou sendo melhor interpretado por Hamilton, que foi brilhante na volta final para assegurar o segundo posto do grid. A verdade é que a escuderia italiana tentou minimizar as perdas em retas com uma performance mais assertiva nos trechos rápidos, e isso deu muito certo. O ritmo imposto pelo inglês no segundo setor impressionou. A gestão dos pneus por parte do heptacampeão também fez diferença, enquanto Charles Leclerc, que vai largar em quarto, sofreu mais com o superaquecimento.
“Fizemos muitas mudanças no carro e, com as últimas, achamos que acertamos em cheio. Amanhã o desafio será preservar os pneus. Eles estão superaquecendo desde a largada. Mas acho que temos um bom equilíbrio”, afirmou Lewis, que virou 1min35s130, 0s298 atrás de Verstappen.
É a primeira vez, desde a histórica decisão do título de 2021, que Verstappen sai na pole com Hamilton em segundo. E isso por si só já é motivo suficiente para tornar a corrida de amanhã das mais interessantes. Mas há outros pontos, como o fato de Andrea Kimi Antonelli aparecer no terceiro lugar. A Mercedes enfrentou mais problemas do que o esperado na Malásia, mesmo diante de um pacote robusto de atualizações. O W17 apresentou instabilidade aerodinâmica nas curvas de alta velocidade, e isso cobrou um preço alto. Mesmo em retas, onde normalmente as Flechas de Prata dominam, o cenário foi bem distinto, perdendo muito em ritmo para a Red Bull.

Ainda assim, Antonelli foi capaz de se recuperar ao longo da classificação, depois de ter de sacrificar um jogo de pneus macios no Q2 por conta de uma volta eliminada por exceder os limites de pista. Só um conjunto disponível para o Q3, o italiano otimizou a performance para conquistar a segunda fila. Já George Russell sofreu mais com as falhas do carro verde e vai largar apenas em sétimo. Um revés enorme para quem comandou as ações seis dias atrás. “No momento, estamos perplexos. Nada parece bom para nós amanhã”, admitiu o chefão da Mercedes, Toto Wolff.
“Não gosto que o Max esteja na pole, mas ele mereceu. Em termos de pontos, ele não é uma ameaça, mas se realmente dermos um passo atrás, ele ainda pode se tornar uma”, acrescentou o dirigente em declaração à TV neerlandesa Viaplay. De fato, é algo que pode assombrar demais a esquadra alemã até a largada deste domingo.
Falando na corrida, é também essencial entender que o GP do Bahrein na Malásia será pautado pela estratégia, combinada com essa ordem de forças que coloca a Red Bull um degrau acima de Ferrari e Mercedes. É que o comportamento dos pneus tem sido pouco convincente, e isso abre uma série de possibilidades no apagar das luzes se a chuva não se fizer presente. “As condições da pista melhoraram progressivamente ao longo do dia, permitindo que o composto macio oferecesse um nível de desempenho muito competitivo em classificação. Apesar disso, os tempos de volta permaneceram significativamente mais lentos do que os previstos pelas simulações, indicando que a evolução da pista não foi suficiente para reduzir a diferença”, explicou Dario Marrafuschi, diretor da Pirelli.
“Na tentativa de extrair o máximo potencial do C4 (macio) imediatamente, a degradação gerada no composto impediu que qualquer volta realmente competitiva fosse completada após a primeira volta lançada. Ao mesmo tempo, nos treinos livres, o pneu demonstrou que pode manter um nível aceitável de consistência ao longo das distâncias de corrida, quando é gradualmente levado à janela ideal de funcionamento nas primeiras voltas. Essa característica pode se mostrar particularmente importante amanhã, considerando o número de jogos de pneus macios que várias equipes ainda possuem.”
A maior parte dos pilotos possui dois jogos de pneus duros, o que significa stints mais longos e maior resistência. E será uma prova, em tese, de duas paradas, na combinação médio-duro-duro ou macio-duro-duro, de acordo com a fabricante italiana. “Existem, no entanto, algumas situações particulares, como as de Verstappen e Leclerc, que dispõem de apenas um conjunto de pneus C2 (duros) e, portanto, podem considerar abordagens diferentes, utilizando mais os compostos macios e médios ou até mesmo partindo para estratégias de três paradas. Nesse cenário, o leque se amplia consideravelmente, com stints mais curtos e maior flexibilidade”, ponderou o dirigente italiano.
A chance de uma corrida de uma única parada é praticamente nula, enquanto a possibilidade de chuva segue como uma incógnita. Portanto, a corrida flerta com a balbúrdia e um delicioso suspense em torno dos pneus, e apenas por isso já valeu o acréscimo da Malásia ao calendário.
O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP do Bahrein, em Sepang, AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
GP do Bahrein na Malásia de F1: veja os horários no Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique:
Horários no Brasil*
Domingo (4)
- Corrida: 04:00
Horários em Cabo Verde
Domingo (4)
- Corrida: 06:00
Horários em Portugal e Angola
Domingo (4)
- Corrida: 08:00
Horários em Moçambique
Domingo (4)
- Corrida: 09:00
*Horários de Brasília