Se o primeiro dia de atividades da Fórmula 1 no circuito de Sepang terminou com Gabriel Bortoleto parado no meio da pista devido a um problema no câmbio, o sábado (3) de classificação foi muito mais positivo. Isso porque o brasileiro encontrou a sintonia perfeita com o carro da Audi e voltou a marcar presença no Q3, colocando-se como forte candidato aos pontos no GP do Bahrein, realizado expecionalmente na Malásia em 2026.

Mas o dia começou com o TL3, quando o dono do #5 conquistou um resultado semelhante aos dos treinos anteriores. Sem maiores sustos a bordo do R26, completou 15 voltas e anotou 1min38s204 como melhor tempo, o suficiente para situá-lo na 11ª posição, novamente à frente de Nico Hülkenberg, companheiro de equipe — um prenúncio do que estava para acontecer horas mais tarde.

Na classificação, o piloto alemão pagou caro por um erro cometido na curva 14 e foi eliminado logo no Q1. Por causa das punições impostas a Franco Colapinto e Arvid Lindblad, que largam do fundo do grid após trocarem componentes da unidade de potência, o #27 saltou para o 15º lugar. Ainda muito aquém do que a Audi esperava e, principalmente, muito distante de Bortoleto.

O brasileiro viveu uma situação completamente oposta ao avançar pelas fases iniciais sem maiores dificuldades. No fim das contas, cravou 1min37s673 no cronômetro e garantiu a décima colocação, entre Pierre Gasly e Liam Lawson, da Alpine e Racing Bulls, respectivamente, as duas principais rivais da marca das quatro argolas já há algum tempo.

“Faço meu trabalho dentro da pista, tenho de tirar o máximo possível do carro, mas a gente sabe que não tem sido fácil, até agora não tinha sido um fim de semana fácil também. A gente sofre muito nas retas. Mesmo que a gente tenha um carro bom de curva, nas retas é difícil para a gente, então temos de fazer tudo perfeito, tem de sair tudo maravilhoso para a gente conseguir estar na posição que a gente acabou hoje”, disse Bortoleto após a classificação.

“Não é só porque agora a gente foi para o Q3 que vai ser fácil, a gente sabe que está muito mais difícil do que estava no começo do ano”, continuou o paulista, que destacou o que espera da etapa na Malásia. “Muito desgaste, muito calor. Então para a gente vai ser importante ter um bom ritmo e ter uma boa largada, que é uma dificuldade que a gente tem tido em todas as corridas”, reconheceu.

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Gabriel Bortoleto mostrou confiança na chance de pontuar em Sepang (Foto: Audi)

“A verdade é que vamos ver quantas posições a gente vai conseguir manter, sabemos que não é fácil. Então, depois da curva 1, vamos entender onde a gente está posicionado, seja de onde eu largar ou algumas posições para trás, e começar a nossa corrida dali, dar o nosso melhor, fazer uma boa gestão de pneus e tentar fazer uma boa corrida e ir para os pontos. Porque acho que amanhã a gente tem chance”, completou Bortoleto.

Quem está muito satisfeito com o resultado do brasileiro é Allan McNish, diretor de corridas da Audi, que explicou como “tudo se encaixou” durante a classificação. Importante destacar que o time alemão não apresentou nenhuma nova atualização em Sepang, uma vez que ainda tenta otimizar o pacote robusto introduzido no Azerbaijão, onde não teve um desempenho muito convincente.

“É justo dizer que foi um fim de semana bastante desafiador para todos: chegar a um circuito novo, ganhar ritmo e encontrar o equilíbrio e a sensação ideais do carro não foi fácil nessas condições. Para nós, tudo se encaixou na classificação, quando extraímos o máximo do desempenho do carro”, começou. “O novo pacote funcionou muito bem, e Gabi fez voltas absolutamente fantásticas ao longo da sessão para chegar ao Q3 e garantir uma boa posição de largada para amanhã”, encerrou.

Se quiser voltar a somar pontos, algo que não acontece desde o GP da Bélgica, quando cruzou a linha de chegada em oitavo, Bortoleto vai precisar, antes de mais nada, ter uma boa largada. Como ele mesmo destacou, esse tem sido um ponto de atenção desde o início do ano, causado também — mas não só — pelo turbo maior da unidade de potência, uma situação contrária à da Ferrari, por exemplo.

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O forte calor será um desafio para todos os pilotos na Malásia (Foto: Audi)

Caso consiga defender a décima posição ou, pelo menos, não despencar muito pelo grid, então pode pensar em pontuar, sim. Em questão de ritmo de corrida, a Audi ficou atrás de Racing Bulls e Alpine nas simulações de sexta-feira, mas nada que cause qualquer desespero.

Até porque, com o forte calor e o asfalto abrasivo, o GP do Bahrein vai depender muito da estratégia. Como boa parte do grid, a equipe guardou dois jogos de pneus duros novos — que devem ser utilizados amanhã — para Gabriel, além de um novo de macios. O brasileiro não possui médios novos, diferentemente de Gasly e Lawson, que podem até começar com esse composto.

O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP do Bahrein, em Sepang, AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.

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