A Fórmula 1 chegou ao segundo semestre de 2026 diante de uma situação que parecia improvável no início do campeonato: a segurança no Oriente Médio passou a interferir diretamente no calendário da categoria. Depois de adiar as etapas do Bahrein e da Arábia Saudita, a F1 precisou avaliar também a realização dos GPs do Catar e de Abu Dhabi, marcados para o fim da temporada, por conta da guerra iniciada por Estados Unidos e Israel no Irã e que provocou desdobramentos por toda a região.
A situação ganhou a primeira solução parcial com o Bahrein: a etapa foi transferida para Sepang, na Malásia, neste fim de semana. O movimento mostrou que a F1 estava disposta a sair do convencional para atender as praças. O calendário oficial mantinha, ainda, Catar e Abu Dhabi como as duas últimas etapas da temporada.
Neste sábado (3), Stefano Domenicali, CEO da Fórmula 1, afirmou que os dois eventos permanecem nos planos da categoria e serão realizados. A declaração ocorreu enquanto a F1 monitorava a evolução do conflito e trabalhava simultaneamente com alternativas para o caso de uma mudança se tornar necessária. Ímola passou as últimas semanas de sobreaviso. Mas essa não foi a primeira vez na era Liberty Media que a F1 esteve entre a cruz e a espada.

F1 já precisou decidir entre correr ou cancelar
O cenário de 2026 não é o primeiro em que uma guerra ou conflito coloca um GP diante de questão de segurança.
Um dos exemplos mais próximos aconteceu no GP da Arábia Saudita de 2022. Durante o fim de semana da corrida em Jedá, um ataque atingiu uma instalação de petróleo nas proximidades do circuito. A ocorrência provocou uma longa reunião entre pilotos, equipes e dirigentes para discutir a continuidade da etapa.
Depois das conversas com as autoridades responsáveis pela segurança, a F1 decidiu manter o evento. A corrida foi realizada normalmente, com Max Verstappen como vencedor.
O episódio se tornou um precedente importante porque a dúvida não surgiu apenas antes da viagem ao país: a questão de segurança apareceu durante o próprio fim de semana do GP.

Bahrein mostra que decisão pode mudar de um ano para outro
O Bahrein oferece outro exemplo relevante. Em 2011, o GP do Bahrein foi inicialmente adiado e posteriormente cancelado devido à onda de protestos antigovernamentais e à repressão no país. A prova deveria abrir aquela temporada. Um ano depois, a F1 voltou a Sakhir e realizou a corrida apesar da continuidade das manifestações e das controvérsias em torno da situação do país. O GP de 2012 terminou com vitória de Sebastian Vettel.
A diferença entre as duas temporadas mostra que a existência de uma crise não produz necessariamente uma decisão automática da Fórmula 1. A categoria precisa avaliar as circunstâncias específicas de cada momento, especialmente as condições de segurança para pilotos, equipes, funcionários e público.

Rússia foi caso diferente
Em 2022, a invasão da Ucrânia levou a F1 a adotar uma decisão diferente. O GP da Rússia, previsto para Sóchi, foi cancelado após a escalada do conflito. Posteriormente, a categoria encerrou o contrato com os promotores russos e retirou a etapa dos planos futuros.
O caso se tornou um dos principais exemplos recentes do esfarelamento duma relação da F1 por motivos de conflito na esfera bélica.

História pré-era Liberty mostra outros exemplos
O GP de Long Beach aconteceu em 4 de abril de 1982. Poucos dias antes, em 2 de abril, a Argentina e Reino Unido haviam iniciado o conflito armado nas Ilhas Malvinas. A corrida, portanto, aconteceu literalmente durante o início de uma guerra entre os países de origem de parte importante do paddock.
O argentino Carlos Reutemann era piloto da inglesa Williams. Havia disputado as duas primeiras corridas da temporada, inclusive indo ao pódio no GP da África do Sul, mas abandonou a F1 depois do GP do Brasil. A Guerra das Malvinas tornou a posição de Reutemann dentro de uma das equipes mais britânicas do grid cada vez mais difícil. Mesmo que tivesse sido vice-campeão mundial no ano anterior. Nunca mais voltou ao grid. Long Beach, porém, não foi cancelado — sequer houve ameaça direta. Niki Lauda venceu a prova, disputada normalmente.
O GP da África do Sul de 1985 é outro que cabe na discussão. O país vivia uma situação extremamente tensa por causa da revolta interna e dos protestos da comunidade internacional em função do sistema racista de apartheid que reinava no país. O governo, inclusive, decretara estado de emergência. A pressão contra a realização do evento aumentava.
Duas equipes francesas, Renault e Ligier, decidiram não participar da corrida. A pressão internacional também atingia pilotos e patrocinadores. Mesmo assim, o GP em Kyalami aconteceu. Nigel Mansell venceu, com Keke Rosberg em segundo. Foi também a última corrida de F1 disputada em um sábado até o GP de Las Vegas de 2023.

Em 2026, solução encontrada foi outra
A sequência de acontecimentos deste ano acrescentou uma alternativa que não apareceu nos casos mais conhecidos. O Bahrein não recebeu sua corrida na data originalmente prevista. Em vez de eliminar definitivamente a etapa, a F1 encontrou uma solução conjunta com Bahrein e Malásia para levar o evento a Sepang, preservando a prova no campeonato. A própria categoria classificou a mudança como uma nova forma de realizar o evento.
O calendário oficial passou, assim, a incluir o GP do Bahrein em Sepang, antes das etapas de Singapura e dos Estados Unidos. A Arábia Saudita ficou de lado, mas Catar e Abu Dhabi tinham mais tempo. A decisão foi aguardar.

De garantia a plano de contingência
A declaração de Domenicali sobre a permanência de Catar e Abu Dhabi precisa ser entendida dentro desse contexto. Em julho, o dirigente afirmou que as duas corridas estavam confirmadas naquele momento, mas também explicou que a F1 monitoraria a situação e poderia alterar o encerramento da temporada caso as condições de segurança não fossem consideradas adequadas. A alternativa era terminar o campeonato na Europa, especificamente em Ímola.
Isso ajuda a explicar por que a F1 trabalha com alternativas mesmo quando mantém oficialmente uma etapa no calendário. O calendário oficial consultado pela categoria mantém atualmente o GP do Catar para 27 a 29 de novembro e o GP de Abu Dhabi para 4 a 6 de dezembro.

Histórico mostra por que F1 evita decisões automáticas
Os precedentes ajudam a colocar a situação atual em perspectiva. Na Arábia Saudita, em 2022, uma corrida continuou depois de um incidente de segurança durante o fim de semana; no Bahrein, em 2011, a etapa foi cancelada, enquanto um ano depois a F1 retornou ao país; na Rússia, em 2022, a guerra levou ao cancelamento e ao fim do vínculo com o promotor local.
Agora, em 2026, a categoria acrescentou a possibilidade de transferir uma corrida para outro país, como ocorreu com o Bahrein. A história recente, portanto, mostra que não existe um único desfecho para uma temporada afetada por conflitos. É esse histórico que ajuda a contextualizar a posição de Domenicali: mesmo quando a F1 garante a intenção de manter uma etapa, a experiência recente mostra que o calendário pode continuar sujeito às condições externas até que a corrida efetivamente aconteça.
O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP do Bahrein, em Sepang, AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
GP do Bahrein na Malásia de F1: veja os horários no Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique:
Horários no Brasil*
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Domingo (4)
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Horários em Moçambique
Domingo (4)
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