Lewis Hamilton segue descontente com o artigo 12.2.1.n. do Código Desportivo Internacional da FIA, que restringe declarações “políticas, religiosas e pessoais” por parte dos pilotos das categorias geridas pela Federação Internacional de Automobilismo, a FIA. Além de afirmar que a definição faz com que a Fórmula 1 caminhe “100% na direção errada”, o britânico da Mercedes pediu o suporte do universo da F1 para enfrentar a decisão da entidade.
Intrinsecamente ligado à luta pela inclusão de minorias sociais no esporte, Hamilton já deixou claro que vai ignorar as diretrizes da FIA na Fórmula 1 2023.
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“Espero resistência [junto da comunidade da F1]”, garantiu o heptacampeão. “Ainda há indivíduos que não entendem ou não acreditam na importância de termos um ambiente inclusivo. Então acho que meu trabalho — e nosso trabalho — é continuar destacando os aspectos positivos do que isso pode ter e qual sua importância”, concluiu.
Além de questões relacionadas à diversidade, um dos grandes pontos de interesse de Hamilton para as discussões notoriamente são os direitos humanos em países como Arábia Saudita, Hungria e Catar. Aliás, ambos os países do Oriente Médio, que ganharam o direito de sediar GPs a partir de 2021, são continuamente acusados de descumprimentos aos direitos humanos.

É importante ressaltar ainda que o Bahrein, palco da etapa de abertura da temporada 2023 e que debutou no calendário do certame em 2004, possui questões igualmente pendentes nessa área. Ainda em 2021, ONGs apontavam para uma escalada da repressão do governo contra os críticos. Oito anos antes, a Organização das Nações Unidas (ONU) condenou o país por conta de uma recomendação do governo local, que previa a revogação da nacionalidade a condenados por terrorismo num contexto onde tais acusações poderiam ser feitas contra opositores.
Diante desse quadro, Hamilton, pela primeira vez, mostrou certa incredulidade. “Não sei ou não se piorou [a situação dos direitos humanos no Bahrein]”, disse. “Não tenho certeza se melhorou enquanto estivemos por aqui, por todos esses anos. Para mim, só nos últimos anos comecei a entender mais e mais os desafios das pessoas aqui [Bahrein] e na Arábia Saudita”, finalizou.
Assim como ocorrido há alguns dias, o dono da Mercedes #44 reiterou o suporte do chefe da F1, Stefano Domenicali. Segundo Hamilton, o apoio do italiano, a quem classificou como “um grande líder”, é fundamental na busca para reverter esse cenário de censura.
“Stefano é realmente um grande líder, muito voltado para a família, compreensivo”, classificou Lewis. “Ele já foi contra o que foi dito [o regulamento da FIA]. Portanto, continuaremos a trabalhar juntos para [achar] a direção certa”, ponderou.
Vale destacar que, fora das pistas, Hamilton possui ao menos dois projetos sociais voltados à inclusão. O primeiro é o Mission 44, que visa à formação de 150 professores nas áreas de ciências, tecnologia, engenharia e matemática. Já o segundo é o Ignite, desenvolvido em conjunto com a equipe Mercedes, que, entre várias ações, fornecerá apoio a estudantes carentes que desejam seguir nessas áreas, bem como no próprio automobilismo.
O GP do Bahrein acontece no Circuito Internacional de Sakhir entre os dias 3 e 5 de março, com cobertura AO VIVO e em TEMPO REAL do GRANDE PRÊMIO.