Max Verstappen iniciou a temporada 2026 da Fórmula 1 embalado pela quase histórica recuperação protagonizada no segundo semestre do ano passado, quando reduziu uma desvantagem superior a 100 pontos e levou a disputa pelo título contra Lando Norris até a última etapa. No entanto, a grande expectativa por mais uma temporada brigando pelo título diminuiu rapidamente e a realidade mudou completamente devido à perda de competitividade da Red Bull. Com isso, o neerlandês passou a demonstrar um discurso cada vez mais incisivo sobre o momento da equipe.

Os quatro pódios conquistados até aqui (em Canadá, Áustria, Bélgica e Hungria) ajudam a dimensionar o trabalho de Verstappen. Em uma temporada marcada pelos problemas técnicos da Red Bull, continua entregando resultados muito acima do potencial do carro, buscando manter a equipe competitiva mesmo distante do nível apresentado por McLaren, Ferrari e Mercedes.

Ficou evidente ao longo do primeiro semestre que as principais rivais interpretaram o novo regulamento técnico de maneira muito mais eficiente. Enquanto Mercedes, Ferrari e McLaren rapidamente encontraram caminhos para desenvolver projetos acertados, a Red Bull enfrenta dificuldades em praticamente todas as áreas.

No primeiro ano do conjunto com a Ford para as unidades de potência, a equipe ainda sofre para acompanhar o ritmo dos concorrentes. O principal piloto do grid atual acumula abandonos nos GPs da China, de Mônaco e da Grã-Bretanha por falhas mecânicas. Tal cenário obrigou Verstappen a adaptar a forma de pilotar, aumentando a administração de energia no carro, preservando pneus e reduzindo riscos para maximizar oportunidades de pontuação. Assim, é verdade, deixa um pouco de lado o estilo agressivo que é marca da trajetória na F1.

Mesmo convivendo com baixa aderência em curvas lentas, traseira instável, constantes mudanças aerodinâmicas (como as relacionadas à asa Macarena) e comportamento imprevisível à medida que o combustível diminui, Verstappen conseguiu resultados expressivos. O melhor exemplo veio no GP da Hungria, quando terminou na segunda colocação após uma corrida marcada por ultrapassagens decisivas e uma estratégia impecável quando o carro não dava qualquer indício de que chegaria tão longe.

RB22 nunca conseguiu deixar Max Verstappen satisfeito na F1 2026 (Foto: Red Bull Content Pool)

Enquanto a Red Bull continua acumulando problemas técnicos, Verstappen comete pouquíssimos erros individuais — principalmente nas corridas — e demonstra maior capacidade de superar adversidades. É razoável argumentar inclusive que, mesmo com as limitações do RB22, estaria inserido na disputa pelo campeonato caso a equipe não tivesse desperdiçado tantos pontos com problemas mecânicos.

Por outro lado, está próximo de alcançar uma indigesta estatística: aparece apenas na sexta colocação do Mundial de Pilotos, com 109 pontos e correndo o risco de registrar o segundo maior jejum de vitórias da carreira na Fórmula 1 caso não consiga vencer diante da torcida, no GP dos Países Baixos, logo na retomada do recesso.

Os problemas da Red Bull vão muito além da pista. Nos últimos meses, Verstappen também viu a estrutura responsável pelos quatro títulos mundiais perder diversas figuras importantes, alterando profundamente a dinâmica interna. Naturalmente, o processo aumentou ainda mais a responsabilidade como principal referência técnica e esportiva da Red Bull.

F1 2026, SPA-FRANCORCHAMPS, TREINO LIVRE, RED BULL RACING, MAX VERSTAPPEN
Mudanças na diretoria da Red Bull deixaram Max Verstappen insatisfeito (Foto: Red Bull Content Pool)

Talvez justamente por isso tenha passado a adotar um discurso menos diplomático. Sempre conhecido pela sinceridade, Verstappen agora demonstra ainda menos preocupação em suavizar críticas, com reclamações abertas sobre falta de aderência, dificuldades para aquecer os pneus e perda de desempenho ao longo dos stints, chegando a classificar o carro como uma “porcaria” em diferentes oportunidades.

O comportamento diante da imprensa também mudou notavelmente, uma vez que Verstappen responde com crescente impaciência a perguntas sobre a política interna da Red Bull, comparações com temporadas anteriores, decisões dos comissários da FIA e, principalmente, especulações envolvendo o futuro, frequentemente recorrendo a respostas curtas ou carregadas de ironia.

Assumindo um papel de liderança inédito dentro da equipe, passou a cobrar de maneira mais direta soluções imediatas para recolocar a Red Bull na disputa por vitórias. A equipe sabe que precisa entregar um carro competitivo na segunda metade da temporada caso queira reduzir a crescente pressão interna.

F1 2026, HUNGRIA, CORRIDA, RED BULL RACING, MAX VERSTAPPEN, McLAREN, LANDO NORRIS, MERCEDES,KIMI ANTONELLI
Max Verstappen no pódio do GP da Hungria ao lado de possíveis novos companheiros de trabalho em McLaren ou Mercedes (Foto: Reprodução/F1)

Ao mesmo tempo, as especulações e notícias sobre uma eventual saída antes do fim do contrato, válido até 2028, continuam ganhando força diante das conversas já existentes com McLaren e Mercedes, além do interesse declarado de Verstappen em ampliar sua participação em outras categorias, como demonstrou ao disputar as 24 Horas de Nürburgring este ano.

A reta final da temporada servirá justamente para medir até onde vai a paciência de Verstappen. Caso a Red Bull não consiga devolver ao neerlandês um carro capaz de disputar vitórias regularmente, o discurso cada vez mais contundente poderá deixar de representar apenas frustração esportiva, sendo transformado em uma definitiva e já nem tão surpreendente saída da atual equipe comandada por Laurent Mekies.

A Fórmula 1 está de férias. A categoria retoma as atividades da temporada 2026 de 21 a 23 de agosto, com o GP dos Países Baixos, em Zandvoort.

▶️ F1: confira o calendário completo de 2026
▶️ Inscreva-se nos canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GPTV