Quem vê Max Verstappen nadando de braçada na liderança da Fórmula 1, com 80 pontos de vantagem para o segundo colocado Charles Leclerc, não imagina que o neerlandês estava frustrado com a Red Bull no início da temporada. Com dois abandonos por problemas no motor nas três primeiras etapas — em Bahrein e Austrália —, o atual campeão chegou a criticar o time pelo rádio em Melbourne, incomodado com a vantagem que o monegasco construía naquele momento: 70 a 25.
Verstappen, agora mais líder do que nunca na F1, explicou o ‘pavio curto’ com a Red Bull no início do ano e disse que considera inaceitável abandonar corridas por problemas mecânicos se a equipe quiser lutar por mais um título na categoria.
“Na F1, e também no kart, você tem a experiência de que as coisas podem mudar muito rapidamente”, explicou Verstappen em entrevista para David Coulthard no canal britânico Channel 4. “Quando você está brigando pelo título, não pode ter abandonos — e foi por isso que eu critiquei tanto [a equipe]. Não podemos ter abandonos se quisermos lutar pelo campeonato”, ressaltou.
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No entanto, o jogo virou algumas semanas depois e Verstappen tomou a liderança de Leclerc na Espanha, justamente contando com um abandono do piloto da Ferrari enquanto liderava a corrida. A vitória caiu no colo de Max, que não perdeu mais a ponta do Mundial de Pilotos e só viu a diferença aumentar até as férias.
“Felizmente para nós, também aconteceu aos nossos competidores”, reconheceu. “Mas daqui para a frente, você não pode depender disso. Porque as pessoas vão aprender, vão melhorar seus produtos, e você precisa marcar pontos em cada um dos fins de semana”, avaliou o atual campeão.
Um dos ensinamentos que a F1 trouxe a Verstappen, nas palavras do próprio piloto, foi de se contentar em somar pontos em situações complicadas, nas quais a vitória deixou de ser uma possibilidade. Max afirmou que já cometeu alguns erros tentando forçar demais, e aprendeu que é importante ser regular e conseguir pontos com frequência.

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“É claro, você sempre espera pelo melhor e por marcar o máximo número de pontos, mas também precisa se contentar com o que conseguir se não vencer — e também aprendi isso ao longo dos meus anos na Fórmula 1”, admitiu. “Você sabe, às vezes eu fui um pouco agressivo demais, e se você comete um erro, você perde todos os pontos”, destacou.
Por fim, o piloto fez uma revelação inusitada: seu pai, Jos Verstappen, questionou sua subida para a F1. Max ainda estava na Fórmula 3 quando recebeu o chamado da Red Bull, e seu pai ficou preocupado com a diferença de competição que o piloto encontraria na principal categoria do automobilismo mundial. A vontade do filho prevaleceu, e o resto é história.
“Eu fiz apenas um ano de F3 antes de ir para a F1, mas na época que estava prestes a assinar para competir na F1, meu pai também me perguntou: ‘você tem certeza sobre dar esse pulo?'”, revelou Verstappen. “Eu disse: ‘sim, porque eu quero estar lá, e mesmo que cometa erros lá, ao menos estou dentro. Então vamos ver o que acontece’. Então fomos em frente, e felizmente tudo está funcionando bem. Mas foi uma curva de aprendizado acentuada, com certeza”, finalizou.