A sprint do GP de São Paulo foi decidida ainda nos primeiros metros após a largada, quando Max Verstappen saltou bem da segunda colocação e pressionou o pole Lando Norris já na entrada do ‘S’ do Senna. Dali em diante, a prova estava nas mãos do holandês, que liderou com tranquilidade até a linha de chegada, para celebrar a quarta vitória nesse formato de disputa mais curta da F1 em 2023. Só que um ponto chamou a atenção: apesar do ritmo consistente, Verstappen não conseguiu impor uma diferença impactante para Norris, que, na verdade, acompanhou bem o desempenho do Red Bull #1. E esse é um dos fatores que emprestam um ar de imprevisibilidade à corrida deste domingo.
Outros pontos que podem ser colocados numa eventual lista de ‘do que prestar atenção na corrida principal’, está a paridade do grid. Atrás de Red Bull e McLaren, há um bloco dos mais intrigantes, que inclui a Mercedes, a Ferrari, a Aston Martin (!) e até a AlphaTauri. Essas quatro equipes tiveram seus momentos de altos e baixos durante a sprint: os alemães ensaiaram uma briga maior com os ponteiros, na velocidade de George Russell no começo da prova, mas acabaram despencando ao fim da corrida. Já a Ferrari apenas tentou controlar os prejuízos e chegou a ser surpreendida por uma audaciosa AlphaTauri com Yuki Tsunoda e a Daniel Ricciardo. Enquanto isso, a esquadra verdinha mostrou potencial para mais.
É preciso, no entanto, deixar claro que os taurinos são amplamente favoritos ao triunfo em Interlagos. Não só pela forma absoluta com que se apresentam em 2023, mas principalmente pela extrema qualidade que Verstappen tem em cuidar gentilmente dos pneus. Foi isso que garantiu diversos sucessos neste ano e, no sábado (4), não foi diferente. Max gerenciou bem os pneus macios usados para não permitir uma aproximação de Norris — embora jamais tenha conseguido abrir a costumeira distância para os adversários. No fim, a vantagem para o inglês da McLaren foi de apenas 4s2.
“Foi importante tentar ficar à frente na largada, claro”, admitiu o tricampeão após a sprint. “O início não foi incrível, mas a segunda parte da largada foi muito boa, então conseguimos passar à frente [de Norris]. A partir daí, a corrida foi sobre gerenciamento [de pneus]”, confirmou. “Essa é uma pista com muito desgaste de borracha, os pneus se degradam muito, então 24 voltas com um set de pneus é muito tempo, portanto tentamos manter um tempo constante de volta, e acho que gerenciamos a corrida muito bem”, completou Verstappen.
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De fato, é o segredo. E, para o azar da concorrência, o piloto #1 dos taurinos larga da pole neste domingo. Então, diante disso, a largada ganha quase ares decisão, mas também uma boa administração dos pneus. Neste cenário, a McLaren é a equipe que mais se aproxima da performance dos energéticos — a sprint mostrou que Lando tem desempenho fortíssimo. Apesar de perder a ponta logo de cara e ainda uma posição para Russell, o britânico foi capaz de se recuperar e se manteve na perseguição ao líder. Porém, há um problema para a prova de domingo: o dono do carro #4 parte apenas em sexto.
“Não estou preocupado [com a corrida de amanhã]”, disse o piloto. “Estou otimista com o quão bom foi nosso ritmo hoje, estava competindo de igual para igual com um dos melhores pilotos em um dos melhores carros de todos os tempos”, assegurou Norris. Que tem razão. Uma estratégia assertiva, combinada com uma melhor performance dos pneus, não é tão impossível pensar em uma disputa ao menos pelo pódio.
Mas entre Norris e a briga na ponta com Verstappen existe uma série de adversários que tende a subir o sarrafo em ritmo de corrida. Fernando Alonso, que sai em quarto, é o tempero desse bloco. Inesperadamente, a Aston Martin ganhou um fôlego interessante em Interlagos. “Perdemos uma chance de somar pontos, mas sorte a nossa que isso aconteceu hoje e não na classificação normal ontem. Vamos ver amanhã se conseguimos marcar bons pontos”, afirmou o bicampeão, que projeta um top-6 amanhã. “Temos de executar a corrida sem erros. É claro que uma boa largada, com a estratégia, passar pelas primeiras voltas sem nenhum incidente. Vamos ver o ritmo. Acho que se chegarmos em quinto ou sexto, vamos aceitar”, emendou o espanhol, que terminou em um combativo 11º.
Entram nesse balaio também a Ferrari e a Mercedes. Italianos e alemães praticamente sacrificaram a corrida sprint. E curioso pensar que ambas enfrentaram quase os mesmos problemas. A escuderia perdeu ritmo assustadoramente e não só por causa dos pneus usados, mas também por conta de um superaquecimento do motor. Leclerc ainda assegurou um quinto, enquanto Carlos Sainz fechou em oitavo, acossado por Ricciardo. “Decidimos sacrificar parcialmente a corrida de hoje, visando estar em melhor forma para a corrida de amanhã, então teremos de esperar e ver se usamos nossas cartas corretamente. Não usamos pneus novos na classificação da manhã, então, amanhã, Charles terá um jogo novo de macios e Carlos terá um com apenas duas voltas, além de ambos terem dois jogos novos de médios”, disse o chefão Frédéric Vasseur.

Detalhe: o monegasco sai em segundo, e aqui está a tentativa entrar na briga. “Em geral, diria que tivemos o melhor resultado possível hoje, levando para casa pontos importantes e isso se deve principalmente à excelente administração dos pneus e da ultrapassagem do Charles no Hamilton no final. O bom trabalho da tarde vai ser analisado com calma e vamos tentar estar ainda mais bem preparados amanhã, com Charles na primeira fila e Carlos pronto para uma corrida agressiva”, completou o dirigente francês.
Já a esquadra chefiada por Toto Wolff viveu um dia ainda mais esquisito. Apesar do início promissor de Russell, o time foi caindo em termos de rendimento ao longo das 24 voltas. Na verdade, as Flechas Pretas sofreram intensamente com falta completa de velocidade de reta, e isso limitou demais o combate com outros oponentes. Além disso, houve um desgaste anormal dos pneus. A ultrapassagem de Tsunoda em Lewis Hamilton resumiu bem a tarde do time da estrela. Agora, a aposta em um melhor acerto para o domingo e na recuperação da boa forma na corrida principal.
“O que aconteceu no final foi que pressionamos demais no início. Foi muito difícil, tudo estava contra nós hoje. O carro estava muito traseiro. Ele não estava bem equilibrado, escorregou bastante, e isso acabou com os pneus, exatamente como aconteceu com George [Russell] no México”, justificou Wolff.
Amanhã, o heptacampeão parte em quinto, logo atrás de Alonso e Lance Stroll. E Russell sai em oitavo. Apesar do ar de incógnita, a Mercedes costuma dar um salto aos domingos, mas vai precisar apurar demais o acerto. “É claro que não existe um parafuso mágico que conserte as coisas rapidamente, mas precisamos pensar e encontrar uma maneira de melhorar e estabelecer um ritmo na corrida”, acrescentou o austríaco.

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E como se não bastasse, a AlphaTauri emendou uma performance consistente de novo. Tsunoda e Ricciardo atormentaram Ferrari e Mercedes, e são, de fato, um elemento intrigante nesse bloco da frente. Mas tudo vai depender também dos pneus. A degradação ainda é algo muito sensível, como Hamilton disse: “Nunca vi Interlagos assim, com um desgaste tão grande”.
As temperaturas devem cair para a corrida de amanhã, e isso tende a ajudar quem tem mais problemas. O GP de São Paulo também será muito tático, como as últimas etapas. São esperadas duas paradas, sendo que três também não parecem de todo doido. “Interlagos é uma pista que sempre oferece muitas batalhas, e isso aconteceu mais uma vez hoje, com muitas ultrapassagens, algumas manobras realmente espetaculares. Foi definitivamente um dia muito interessante do ponto de vista dos pneus”, disse o chefão da Pirelli, Mario Isola.
E corroborando a ideia de que a corrida será também muito em cima da estratégia e do cuidado dos pneus, o que deve aproximar o pelotão, o dirigente deu um alerta: “Embora seja verdade que o macio exigiu uma gestão cuidadosa por parte dos pilotos, o médio sofreu mais com a degradação, algo que agora teremos que olhar com mais atenção.”
Por fim, Isola dá a deixa para o GP deste domingo, em que os pneus duros não devem figurar como prioridade — e aqui é que mora a expectativa de uma prova altamente parelha, na meta de tentar bater Verstappen. “A tática de dois pit-stops é claramente a melhor opção, andando entre macio e médio. Pelo que vimos, o macio se mostrou definitivamente uma escolha válida, mesmo durante um período longo e, por isso, a chave será encontrar um equilíbrio. E não se deve descartar também uma estratégia de três paradas. Ainda, vale lembrar nem que o undercut pode ser muito eficaz aqui.”
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