A Mercedes decidiu interromper o desenvolvimento do W15 até o fim da temporada como medida para evitar gastos além do permitido pelo teto orçamentário da Fórmula 1 2024. O chefe da equipe, Toto Wolff, confirmou que as últimas novidades serão vistas no GP de São Paulo, que acontece neste fim de semana, em Interlagos.

A Mercedes teve três acidentes consideráveis nos últimos cinco GPs realizados, começando pela forte batida de Andrea Kimi Antonelli no TL1 do GP da Itália, em Monza. No último fim de semana, nos Estados Unidos, foi a vez de George Russell perder o controle do carro na classificação e destruir o bólido. O mesmo aconteceu com o #63 no TL2 da Cidade do México.

Wolff já havia falado no México sobre o temor com o teto de gastos, fixado em US$ 135 milhões (R$ 770 milhões, na cotação mais recente), com reajuste por conta da inflação. A equipe alemã, portanto, achou melhor suspender qualquer novidade no W15 depois da corrida brasileira.

“No cenário do limite de custos, é uma situação complicada”, começou Wolff aos jornalistas. “Esses três reveses nos deixaram em desvantagem, e certamente a que aconteceu [na sexta-feira no México] foi enorme. Tivemos de optar por um chassi completamente novo, e isso representa um tremendo impacto no orçamento”, acrescentou.

Russell terminou em 5º na Cidade do México (Foto: Mercedes)

“Provavelmente vamos ter de reduzir o que levamos para o carro. Portanto, teremos dois pacotes de atualizações no Brasil, dois assoalhos, mas é basicamente isso. Não há mais nada por vir”, assegurou. “Temos certas limitações em relação às peças e teremos de ser criativos na forma de gerenciá-las. E isso impacta na quantidade de peças desenvolvidas que poderemos colocar no carro, porque a resposta é zero”, completou Wolff.

Em seguida, ao ser perguntado sobre o risco mais elevado de acidentes em disputas como a que aconteceu entre Lewis Hamilton e Russell no GP da Cidade do México, o dirigente austríaco garantiu que não considera a hipótese de impedir que os dois briguem por posição na pista.

“Eles são tão bons e tão experientes que permitimos isso. Não houve um momento em que eu pensasse que a situação estava ficando um tanto complicada. Avisamos a George no fim, quando ficou claro que Lewis tinha o carro mais rápido, que uma defesa na reta seria uma manobra um pouco tardia. Mas não tenho nenhuma dúvida com relação aos dois”, frisou o chefe da Mercedes.

Ainda sobre as atualizações, Wolff explicou que a Mercedes terá os dois assoalhos em Interlagos, sendo um deles o novo usado por Russell em Austin, já com os devidos reparos. O chefão das Flechas de Prata também considera dividir os pacotes entre os dois pilotos.

“Sempre sou aberto ao que os pilotos pensam. Se eu tiver certeza de que George vai optar pelo novo, Lewis pode querer voltar a usar o assoalho antigo agora no Brasil. Certamente conversaremos com ele e veremos o que prefere”, seguiu.

A questão, continuou Wolff, é que ainda há dúvidas se o novo pacote causou algum desequilíbrio aerodinâmico que esteja ligado aos incidentes. “Talvez haja alguma coisa aerodinâmica que cause algo que não entendemos, porque tivemos dois grandes acidentes na mesma curva em Austin. Mas também tivemos um acidente com o carro antigo.”

“Esses carros estão tão no limite que será um experimento interessante no Brasil ver se há uma instabilidade em alta velocidade ou em baixa. Acho que não podemos simplesmente extrapolar que um é melhor do que o outro”, encerrou Wolff.

Fórmula 1 retorna já neste fim de semana, entre os dias 1 e 3 de novembro, com o GP de São Paulo, etapa brasileira do calendário. O GRANDE PRÊMIO cobre ‘in loco’ e com grande equipe.

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