A vitória antológica de Andrea Kimi Antonelli no GP da Itália, no domingo (6), em Monza, ainda reverbera entre todos que testemunharam o feito do italiano, o primeiro a vencer em casa na Fórmula 1 desde 1966. O triunfo, porém, também levantou dúvidas se, de fato, aconteceria caso não fosse o pit-stop extra no safety-car virtual que permitiu a Antonelli colocar um jogo de médios novos contra os adversários à frente com pneus mais gastos. Mas a história desde a classificação mostra que, empurrão da Mercedes à parte, havia, sim, uma estratégia diferente da usada com George Russell.

Primeiro, vamos a todo o contexto do fim de semana. Desde os Países Baixos, Antonelli já sabia que ia largar do fundo do pelotão por trocar a unidade de potência. O foco para a Itália, portanto, sempre foi o ritmo de corrida, ainda que Kimi tenha apresentado nos treinos livres performance também para brigar pela ponta do grid no sábado.

Os long runs, contudo, ganharam atenção especial, e Antonelli simulou os stints de 12 voltas no TL2 de pneus duros, obtendo média de 1min26s063. Sete delas, porém, foram feitas na casa de 1min25s alto, variando entre 25s9 e 25s7.

Russell, por sua vez, fez um stint de sete voltas com 1min26s101 de média — cinco delas com tempos entre 1min26s3 e 1min26s1.

Veio, então, a classificação, e Antonelli chegou a liderar o Q1, mas o papel ali era ajudar Russell a bater as rivais diretas, McLaren, Ferrari e Red Bull. A mãozinha veio na primeira tentativa de volta rápida no Q3, mas quis o destino que Pierre Gasly subvertesse a lógica ao colocar a Alpine no colchete de honra. Mas um detalhe pequeno passou um tanto despercebido: Kimi chegou para a corrida com dois jogos de médios novos, enquanto Russell tinha apenas um.

Além disso, o #63 também não tinha à disposição macios novos, que poderiam ser usados principalmente na largada, para ajudar na aderência e melhor tração na freada da primeira chicane, o que significa que a escolha de pneus deixou claro que o plano A da Mercedes com Russell era uma parada.

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Kimi Antonelli brilhou em Monza com estratégia diferente (Foto: F1)

Já com Antonelli, a coisa muda de figura, principalmente pela posição desfavorável na pista. Nesse caso, o piloto precisa de alternativas, pois os fatores extrapista podem e devem ser usados na estratégia, afinal, há um grid inteiro para ser escalado.

Como já era esperado, Kimi calçou os duros para o stint inicial, mas a bandeira vermelha na volta 4 causada pela forte batida de Charles Leclerc na Parabolica acabou impedindo que víssemos o ritmo dele com o composto mais duro da gama C3, C4 e C5 da Pirelli. Ainda assim, um ponto não pode ser desconsiderado: a largada perfeita que o deixou em 12º para a relargada.

Nos boxes, conforme permite a regra, a Mercedes colocou Russell, que largara de médios, com os duros para ir até o fim. Antonelli, por sua vez, colocou um jogo de médios com 49 voltas restantes. Veio, então, a nova formação do grid de largada, ou seja, mais uma volta completada, chegando a cinco.

Só que o posicionamento incorreto de Yuki Tsunoda obrigou todo mundo a dar outro giro. Quando as luzes vermelhas se apagaram, os pilotos partiram oficialmente com seis de 53 voltas completadas, faltando 47. E a previsão inicial da Pirelli era que os médios aguentassem, no máximo, por 36 voltas.

Teoricamente, portanto, Antonelli teria de dosar bem a gestão da borracha para não precisar parar mais, só que imprimiu um ritmo alucinante após outra grande largada, saltando de 12º para oitavo e tirando 3s5 em relação a Russell em quatro voltas, média de 0s8 por volta. A liderança veio no 18º giro.

O curioso aqui é que Russell conseguia tempos melhores que os vistos nas simulações de corrida com os pneus duros — algo, claro, natural, sobretudo pela diferença de combustível ao avançar da corrida. Tanto que recuperou a liderança depois de ‘trocar socos’ com Antonelli por seis giros, e esse é um ponto curioso da análise, pois George não conseguia escapar da alça de mira de Kimi, que também não abriu distância capaz de neutralizar o ataque do colega e pensar no gerenciamento dos pneus para ir até o fim quando esteve na ponta.

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George Russell chegou em segundo e jogou a toalha (Foto: Mercedes)

Chegamos à volta 28, e Russell abre o giro cerca de 0s5 à frente de Antonelli. O aviso de bandeira amarela surge em seguida e evolui para um safety-car virtual. Essa redução de velocidade também ajudaria o #12 a poupar borracha, só que, com um jogo de médios novos ainda guardados, a Mercedes resolve chamá-lo. Ele volta em sexto, atrás de Gasly, com 24 voltas restantes.

Não restava mais nada a Russell, que sequer teria alguma vantagem caso o safety-car virtual resolvesse aparecer novamente. Sem pneus novos, viu Antonelli ser 0s5 em média mais veloz nas 18 voltas seguintes até perder a ponta de vez na 50. A Mercedes, claro, justificou-se ao dizer que não se tratou uma decisão difícil, pois não havia outra opção para o britânico, que já aceitou a posição atual, descartando a possibilidade de uma virada até o fim do campeonato.

Agora, o ritmo de Antonelli é o grande ponto central de toda a performance, e foi aqui que Russell deixou a desejar. Voltando à sexta-feira: Verstappen realizou long runs de médios e obteve 1min26s377 de média, 0s2 acima de Russell, de pneus duros. Na corrida, porém, o #3, que largou de macios e trocou para médios na bandeira vermelha, foi cerca de 0s4 mais rápido que George em oito de 12 voltas, da sétima à 18ª — quando perde pela primeira vez a liderança para Antonelli.

Verstappen, aliás, ficou a menos de 1s de Russell na volta 10 e bateu o rival na 12, liderando o GP da Itália por três giros, até a 15. Foi o suficiente para também fazer Russell perder tempo em relação a Kimi. Nesse curto período, Antonelli fez quatro voltas em média 0s8 mais rápidas que as de George.

É difícil afirmar que Antonelli seria um candidato natural à vitória sem todas as circunstâncias que ajudaram a construir a história do GP da Itália da temporada 2026, porém ficou bem claro que a Mercedes teve total razão ao escolher Monza como pista ideal para uma punição de grid pela natureza do traçado e a possibilidade de recuperação. O ritmo puro falou por si só.

A F1 retorna neste fim de semana, entre os dias 11 e 13 de setembro, com o GP da Espanha na nova pista urbana de Madri. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades da 14ª etapa da temporada 2026, AO VIVO E EM TEMPO REALalém de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.

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