O Ministério Público do Distrito Federal apresentou, nesta terça-feira (7), um parecer à Justiça pela condenação de Nelson Piquet por conta de declarações racistas contra Lewis Hamilton, heptacampeão mundial de Fórmula 1. A ação pede uma indenização de R$ 10 milhões como forma de reparação por danos morais coletivos.
Na decisão publicada, o MP confirma que houve “violações aos direitos da vítima e da população negra e LGBTQIA+”. Na visão do MP, a atitude do tricampeão mundial “traduz claramente a sua concepção do profissional de cor negra, incapaz de ser bem-sucedido em razão de sua competência, fazendo-se necessária a utilização de outros meios, tais como a subjugação, a humilhação e a inferiorização diante de pessoas brancas que seguem os padrões heteronormativos”. Agora, a ação segue para a 20ª Vara Cível de Brasília.
A declaração de Piquet foi publicada em 3 de novembro de 2021 ao canal ‘Motorsport Talks’, mas só veio à tona em 2022. Na ocasião, o jornalista Ricardo Oliveira compara o acidente de Hamilton com Max Verstappen, no GP da Inglaterra de 2021, com uma manobra de Ayrton Senna. Nelson respondeu: “O ‘neguinho’ meteu o carro e não deixou [Verstappen passar]. […] O ‘neguinho’ deixou o carro, porque não tinha como passar dois carros naquela curva. […] O ‘neguinho’ fez de sacanagem”.
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A declaração rendeu repúdios do próprio Hamilton, da Fórmula 1 e também da Mercedes. Posteriormente, um outro trecho publicado pelo GRANDE PRÊMIO mostrou Piquet se referindo ao heptacampeão de forma homofóbica, buscando justificar a derrota para Nico Rosberg no Mundial de 2016. “O Keke [Rosberg]? Era um bosta, não tinha valor nenhum. É que nem o filho dele [Nico]. Ganhou um campeonato… O neguinho devia estar dando mais cu naquela época, aí tava meio ruim”, afirmou, em meio às gargalhadas.
Em julho de 2022, o MP-DF recebeu uma denúncia feita pela bancada do PSOL na Cãmara dos Deputados por conta da declaração racista. As entidades Francisco de Assis: Educação, Cidadania, Inclusão e Direitos Humanos; o Centro Santo Dias de Direitos Humanos da Arquidiocese de São Paulo; a Aliança Nacional LGBTI; e a Associação Brasileira de Famílias Homoafetivas (Abrafh) também entraram com ação.