Reeleito para mais quatro anos à frente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) em uma eleição sem concorrentes em dezembro do ano passado, Mohammed Ben Sulayem articula um meio de permanecer no poder por mais tempo do que o limite atual de 12 anos. Ele propôs a remoção da limitação de até três mandatos presidenciais da entidade.
Cada mandato presidencial tem duração de quatro anos. Pelas regras atuais, o presidente em exercício pode se candidatar à reeleição duas vezes, totalizando, no máximo, três mandatos. Se aprovada, a medida permitirá a Ben Sulayem estender a duração na função vigente para além dos 12 anos.
O plano será votado na Assembleia Geral da FIA no mês que vem. Ao portal inglês BBC Sport, um porta-voz declarou que “uma proposta foi apresentada para estabelecer uma abordagem consistente na duração de todos os mandatos em todos os órgãos da FIA, semelhante ao que existe atualmente nos Conselhos Mundiais e Senado”.
“A proposta está sujeita à aprovação dos Conselhos Mundiais e da Assembleia Geral. Os órgãos da FIA mantêm plena autoridade para eleger democraticamente seus dirigentes”, completou o porta-voz da entidade.
O atual limite de três mandatos foi implementado pelo antecessor de Ben Sulayem, Jean Todt. Antes do francês, Max Mosley foi quem liderou a FIA de 1993 a 2009, um total de 16 anos. A presidência, contudo, não é o único cargo da federação com limite de mandatos. O mesmo acontece, por exemplo, na presidência do comitê antidoping e na chefia do comitê de teto de gastos da FIA.
A BBC Sport, então, questionou o porta-voz da FIA sobre a decisão de tentar abolir a limitação somente para o posto hoje ocupado por Ben Sulayem, porém não obteve um resposta específica. O profissional preferiu citar a NFL (liga nacional de futebol americano dos Estados Unidos) e o trabalho do atual diretor-executivo, Roger Goodell, que “transformou o esporte em marca global e possui histórico de governança excepcional”.

Ano passado, a eleição presidencial da FIA foi cercada de polêmicas. Laura Villars, candidata à presidência, entrou com um processo contestando os regulamentos atuais da entidade, que a impediram — assim como Tim Mayer, que desistiu da disputa, e Virginie Philippot — de desbancar o emiradense na disputa pelo cargo de comando.
A ação de Villars veio após a revelação de que nenhum dos rivais de Ben Sulayem conseguiria formalizar candidatura. Isso porque os estatutos da FIA exigem que cada concorrente apresente uma lista com vice-presidentes representando todas as regiões do mundo, entre membros nomeados ao Conselho Mundial de Esporte a Motor. No entanto, a América do Sul conta atualmente com somente uma representante elegível, Fabiana Ecclestone, que faz parte da chapa do atual presidente.
A BBC Sport procurou Mayer para falar sobre a atual questão envolvendo a exclusão do limite de mandatos. “Os limites não são um detalhe burocrático. São uma salvaguarda fundamental da boa governança, reconhecida como essencial para evitar a concentração de poder, garantir a renovação da liderança e manter a responsabilidade perante aqueles a quem a organização serve”, declarou o ex-comissário-chefe da Fórmula 1.
Há ainda outras alterações propostas aos estatutos, segundo a publicação. Uma delas diz que os candidatos à presidência devem “demonstrar experiência suficiente como membro da FIA ou em um órgão da FIA”.
Além disso, os aspirantes ao cargo devem apresentar o detalhamento da lista de apoio de vice-presidentes 100 dias antes da data da eleição, e não mais 49. Se aprovadas, essas medidas também dificultariam a candidatura de alguém disposto a desafiar o posto de Ben Sulayem.
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