Embora seja conhecido pela monotonia, existia uma expectativa — ainda que não das maiores — de que o GP de Mônaco de 2025 pudesse ser mais movimentado e emocionante por causa da nova regra que obrigava todos os pilotos a realizarem pelo menos dois pit-stops. A norma dividiu a opinião dos pilotos no começo do fim de semana, mas após a corrida as opiniões eram quase todas iguais: ninguém gostou.

O GP de Mônaco do ano passado foi um dos mais chatos da história da F1. Isso porque a bandeira vermelha acionada pelo acidente entre Sergio Pérez e Kevin Magnussen permitiu que os pilotos fizessem a troca obrigatória de pneus enquanto a corrida estava paralisada. Assim, para evitar o desgaste excessivo e terminar a etapa com apenas uma parada nos boxes, todos reduziram o ritmo para poupar pneu e a prova praticamente não teve ultrapassagens. A procissão foi tão grande, mas tão grande, que o top-10 se manteve inalterado da primeira até a última volta.

Na tentativa de mudar o cenário, a F1 mudou a regra e estabeleceu que haveria uma obrigatoriedade de pelo menos duas paradas nos boxes. Desde o início eu suspeitava que a norma não teria impacto algum nas disputas em pista, afinal, é quase impossível efetuar uma ultrapassagem no Principado. No entanto, também não nego que acreditei que poderíamos ter alguma surpresa no resultado final da corrida, uma vez que um safety-car ou uma bandeira vermelha poderia bagunçar tudo. No fim das contas, nada disso aconteceu.

Após a classificação no sábado (24), perguntei a alguns pilotos sobre o que eles esperavam da corrida com a nova regra. Gabriel Bortoleto, Nico Hülkenberg e Oliver Bearman, por exemplo, não esperavam muito, uma vez que ela é “válida para todos”. Por outro lado, Lewis Hamilton e Max Verstappen apostaram em uma espécie de “loteria”. Mas fato é que nada de muito emocionante aconteceu. O que se viu, na verdade, foi pilotos segurando o ritmo para permitir que o companheiro de equipe à frente fizesse a troca dos pneus sem perder posições.

Vencedor do GP de Mônaco, Lando Norris criticou a nova diretiva da F1 (Foto: AFP)

Na zona mista após a corrida, alguns pilotos que ainda estavam em cima do muro após a classificação tiveram um embasamento maior para opinar sobre a nova regra de Mônaco. Nomes como Yuki Tsunoda, Lando Norris, George Russell e Pierre Gasly se colocaram contra a novidade. Lando, inclusive, falou de como a norma em uma pista como essa cria cenários “artificiais”, em que nem sempre o mais rápido ou o melhor conquista um bom resultado. Afinal, alguém pode vencer ao ser beneficiado por uma bandeira vermelha — como Verstappen tentou fazer.

No fim das contas, não tem como negar que o GP de Mônaco de 2025 foi ruim como a maioria de todos os outros que já aconteceram. Porém, para mim teve um elemento que tornou tudo mais atrativo: a cobertura in loco. Para quem está presencial, tudo é mais interessante, afinal, é possível viver uma fração do que é o circo da F1.

Mônaco, em especial, tem algo a mais, e não é pelo glamour e pelas belas paisagens. É claro que isso pode influenciar de acordo com o gosto de cada um, mas está longe de ser o ápice. O que achei mais divertido nesses dias no Principado é a forma como a cidade abraça a categoria. É possível que o fato de eu ter presenciado tudo isso durante um fim de semana de corrida ajude nessa percepção. No entanto, existem alguns outros fatores que me levaram a concluir que a cidade de fato se identifica com a F1. 

A animação do público, aliada a alguns monumentos e decorações na cidade que fazem alusão ao esporte, além das inúmeras lojas com artigos relacionados à F1, ajudam a transformar o clima do ponto de vista esportivo. Além disso, por ser no meio da rua, o circuito pode ser acessado por qualquer pessoa no fim das atividades, o que ajuda o público a criar uma conexão maior com a prova.

Em geral, o evento pode não ter sido legal para quem acompanhou da TV. Mas, para quem está in loco, como um todo, é bastante divertido.

Fórmula 1 volta de 30 de maio a 1º de junho em Barcelona, que recebe o GP da Espanha, nona etapa da temporada 2025.

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