Este sábado (7) proporcionou um daqueles dias e classificações que poucos lugares conseguem entregar para a Fórmula 1 com a destreza de Interlagos. No chove e para duma tarde de tempo fechado, escuro e sisudo em São Paulo, a água foi protagonista para longo atraso no Q1 e encurtamento no Q3. Com a briga pela pole-position totalmente aberta para quem quisesse chegar, Lando Norris levou a melhor e conquistou a pole-position, a 20ª dele na F1.

Os pilotos brasileiros sofreram. Gabriel Bortoleto foi o último no Q1 por conta de uma batida na Junção, ao passo que Rafael Câmara tombou no muro da Curva do Sol, mas conseguiu seguir em frente e classificar. No Q2, porém, bateu também na Junção e terminou mesmo com a 13ª colocação.

O último trecho da classificação acabou demorando um pouco mais que o previsto para o recomeço, por conta da retirada do Haas de Câmara. Com isso, a chuva piorou gravemente e fez os pilotos serem colocados de sobreaviso que não teriam o tempo inteiro da atividade para andar. Teriam de ser o mais contundentes possível na oportunidade que pintasse. Foi nessa que Norris se deu bem, superando George Russell — que, punido com a perda de cinco posições, não largaria na dianteira de qualquer maneira.

Russell fez o segundo tempo e, por conta da punição por alteração no motor, sai em sétimo. Andrea Kimi Antonelli virou o terceiro tempo e sai em segundo, enquanto Charles Leclerc, Liam Lawson, Nico Hülkenberg e Isack Hadjar vem nas posições seguintes e todos herdam uma a mais por conta de Russell. Oliver Bearman sai em oitavo, ao passo que Fernando Alonso, na primeira ida ao Q3 em 2026, sai em nono. Alexander Albon conseguiu colocar a Williams na décima colocação.

Lewis Hamilton foi pego no contrapé pela batida de Câmara e não conseguiu dar a última volta rápida no Q2, ficando na 11ª posição, seguido por Oscar Piastri, que teve o mesmo destino. Max Verstappen classificou para o Q2, mas nem sequer andou. Como Hamilton e Verstappen estão punidos pela troca de vários componentes na unidade de força, largam no fim da fila e todos que ficaram atrás deles herdam uma ou duas posições.

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Lando Norris sai na frente no GP de São Paulo (Foto: McLaren)

O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP de São Paulo, 20ª etapa da temporada 2026 da Fórmula 1, AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.

Além disso, o GP está in loco em Interlagos com os repórteres Evelyn Guimarães, Luana Marino, Vicente Soella e Daniel Balsa.

F1 2026: confira horários do GP de São Paulo no Brasil, em Portugal, Cabo Verde, Angola e Moçambique

DIAATIVIDADEBRA*PORCBVANGMOZ
8/11Corrida14:0017:0016:0018:0019:00

*Horários de Brasília

Confira como foi a classificação do GP de São Paulo da F1 2026

A expectativa da chuva, que fez o medo pairar sobre Interlagos ao longo de toda a semana, finalmente chegou minutos antes do começo da classificação, marcada para as 15h. O que era uma garoa, virou chuva pesada assim que os carros alinharam na saída do pit-lane. Estava evidente que a tomada de tempos seria afetada.

Após a definição, ainda na sexta-feira, da punição a George Russell, o sábado trouxe uma penalidade para Lewis Hamilton e outra para Max Verstappen. E muito mais grave: trocaram toda a unidade de força e largariam no fim do grid.

Chuva na classificação do GP de São Paulo 2026 (Foto Reprodução F1TV)

Q1

Dito e feito. Embora a bandeira verde tenha aparecido no horário combinado, bastou alguns metros dos pilotos pela pista para a percepção de que a situação era crítica. Mesmo quem saiu de pneus de chuva extrema viu que seria complicado. Quem, como Gabriel Bortoleto e Rafael Câmara, tinha saído de intermediários, já estava sendo convocado a mudar — na realidade, a Haas puxou os dois pilotos, Câmara e Oliver Bearman, para serem puxados de volta ainda no pit-lane, algo que é proibido e certamente acarretaria multa. Andrea Kimi Antonelli avisou: já estava aquaplanando. Em menos de 2min30s, bandeira vermelha. Além de tudo, a visibilidade era mínima.

A previsão inicial era de que a chuva permaneceria forte por ao menos 10 minutos, mas o estrago na pista era real e a espera seria longa, estava claro. O carro médico começou a andar pela pista, bem como o safety-car. A torcida ia ao delírio, mas a pista estava bastante afetada ainda.

Enquanto o público aguardava a melhora da pista, a informação era de que a chuva ganharia força novamente. E ganhou, de fato. Às 16h, uma hora após o início da classificação, ainda chovia bastante e o piloto do safety-car, Bernd Mayländer, relatava muita água empoçada no S do Senna, na Curva do Sol e na descida do Lago. Ainda não era possível, por mais que a nova pancada tivesse arrefecido um tanto. Segundo Mayländer, as previsões iniciais não previam tanta chuva assim no sábado.

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Gabriel Bortoleto na chuva do sábado (Foto: Audi)

Quando o relógio batia 16h15 no horário local, o safety-car saiu para mais uma volta na pista. Era a avaliação para entender se havia condições de começar de fato a tomada de tempos. Os radares meteorológicos das equipes, porém, continuavam mostrando sinais vermelhos, de chuva carregada, nas imediações da pista. De acordo com o sistema meteorológico do portal Climatempo, a luz natural na cidade de São Paulo terminaria às 18h22. O tempo estava ficando curto.

Desta feita, a avaliação foi positiva. Com pneus de chuva extrema, os carros voltaram a alinhar para que fossem à pista a partir das 16h25. Valtteri Bottas abriu a fila e rapidamente Interlagos voltava a rugir de motores, não apenas de trovões. A chuva, no entanto, continuava forte e a visibilidade era muito ruim.

De repente, aviso de bandeira amarela: Câmara, na primeira classificação na F1, rodou e tocou a mureta na Curva do Sol. Conseguiu, é verdade, continuar sozinho e voltar aos boxes, mas com danos na asa dianteira e furo de pneu. Fernando Alonso brilhava e pulava para a dianteira, mas a visibilidade era terrível. A McLaren avisava a Lando Norris que havia a esperança de diminuição da chuva em alguns minutos.

A segunda bandeira amarela também era para um brasileiro. Bortoleto escapuliu da pista na Junção e bateu. Também seguiu em frente sozinho, mas com a asa traseira danificada. Para Gabriel, era o fim do Q1 e enorme decepção já que a Audi tinha mostrado tanto potencial. Lance Stroll foi o terceiro a passear fora. Carlos Sainz faria o mesmo em seguida.

Rafael Câmara rodou no Q1 da classificação do GP de São Paulo (Vídeo: Reprodução/F1TV)

Câmara retornava à pista, mas o companheiro de equipe Oliver Bearman era quem voava e assumia a liderança por alguns momentos. Verstappen tomou pouco depois, mas era só o começo do happy hour. Os tempos caíam. O brasileiro novato andava com o 11º tempo a 1min30s do fim do Q1. Nico Hülkenberg, parceiro de Bortoleto, jogava a Audi na ponta por instantes antes do retorno de Verstappen.

Conforme o cronômetro zerava, era Bearman quem escapava da pista — nesta altura, estava atrás de Câmara. Na briga de foice dos segundos finais, Norris anotava 1min30s030 e ficava na dianteira por 0s2 para George Russell, na segunda colocação. Câmara avançou na 13ª colocação.

Mesmo com a Alpine tentando fazer um carro dar vácuo para o outro, os dois acabaram eliminados: Franco Colapinto em 17º, Pierre Gasly na 18ª posições. Stroll, Bottas, Sergio Pérez e Bortoleto foram os outros. Apesar disso, Gabriel ganharia ao menos duas posições no grid de largada por conta das punições a Hamilton e Verstappen.

O acidente de Gabriel Bortoleto no Q1 da classificação em Interlagos (Vídeo: Reprodução/F1 TV)

Q2

Por conta da punição e na pista molhada, Verstappen resolveu sequer ir à pista no Q2. Hamilton, por outro lado, continuaria em frente. A pista apresentava condições um pouco melhores, de maneira que Russell avisou à Mercedes que dava até para ter saído de intermediários no Q2, embora os pneus de chuva extrema estivessem rendendo bem ainda.

E na primeira rodada de voltas, Mercedes e McLaren se lançavam na frente novamente, mas Charles Leclerc pintou para tomar a dianteira. A reboque, Hamilton virava o segundo tempo. Câmara, enquanto isso, entrava momentaneamente no top-10. A pista continuava melhorando e o aviso era de que não choveria mais.

Ferrari na frente? Por pouco, porque a dupla da Mercedes superaria, com Russell novamente andando melhor. Liam Lawson punha a Racing Bulls na melhor colocação fora das equipes principais, o sexto posto, mas Arvid Lindblad tinha problemas e recebia a ordem de parar o carro em local seguro com 6min ainda pela frente.

Nessa altura, a corrida pelos pneus intermediários começava. Isack Hadjar foi chamado, bem como Câmara. Aí, todo mundo entrava. A segunda metade do Q2 seria diferente da primeira.

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Liam Lawson foi um dos destaques da classificação (Foto: Rodrigo Berton/Agência WarmUp)

Lindblad parou o carro atrás da área de escape da descida do Lago. De fato, um local seguro, que nem necessitava chamada de bandeira amarela. Era o segundo fora do Q2, que continuava somente com 14 combatentes.

Para os 3min finais, a sensação era de que quem passasse de pneus intermediários, pularia para a dianteira. Foi o que fizeram Alonso, Bearman e Lawson até Russell fazer a realidade se impor novamente. Câmara teve a volta deletada por escapar no Laranjinha. E Sainz fazia o segundo passeio na brita do dia.

Quando tentava melhorar o tempo com pneus intermediários, no último minuto do Q2, Câmara saiu sozinho na Junção após melhorar o primeiro setor. Foi no muro, de frente, desculpou-se com a Haas e saiu. O Q2, assim, estava encerrado.

Hamilton acabou fora em 11º, seguido por Oscar Piastri e Câmara, no 13º posto. Lindblad, Sainz e Verstappen foram os outros. Com a punição a Lewis, Câmara ganharia ao menos uma posição no grid e sairia em 12, caso não precisasse de algum reparo e tivesse punição em mãos para ele próprio.

Russell ficou na ponta com 1min26s745, seguido por Lawson e Hadjar. Leclerc foi o quarto, com Hülkenberg em quinto e Albon, com a Williams, em sexto. Alonso virou o sétimo tempo e classificou para o Q3 pela primeira vez no ano. Bearman, Norris e Antonelli foram os outros que avançaram.

Rafael Câmara bateu no Q2 do GP de São Paulo (Vídeo: Reprodução / F1TV)

Q3

Houve um atraso para o começo do Q3, visto que demorou para os fiscais retirarem o carro de Câmara. Entre uma coisa e outra, a chuva voltou e forte. O céu, escureceu. Antonelli estava avisado que talvez fosse possível dar somente uma volta rápida. O relógio passou a contar o tempo a partir das 17h14.

E foi mais ou menos o que aconteceu. Alonso quis dar o pulo do gato e saiu antes, mas Lawson foi mais rápido. Haveria uma zebra? A esperança durou até Russell tomar a ponta e Norris batê-lo. O atual campeão do mundo, então, era o pole-position — uma declaração possível mesmo que o relógio ainda contasse mais de 7min pela frente. Todos resolveram voltar à garagem, estava terminado.

F1 2026, GP de São Paulo, Classificação:

1L NORRISMcLaren Mercedes1:27.470  
2K ANTONELLIMercedes1:28.095+0.625 
3L LAWSONRacing Bulls RBPT Ford1:28.321+0.851 
4N HÜLKENBERGAudi1:28.668+1.198 
5I HADJARRed Bull RBPT Ford1:28.763+1.293 
6O BEARMANHaas Ferrari1:29.831+2.361 
7G RUSSELLMercedes1:27.674+0.204 P+5
8F ALONSOAston Martin Honda1:30.311+2.841 
9A ALBONWilliams Mercedes1:30.456+2.986 
10O PIASTRIMcLaren Mercedes1:30.369+2.899 
11R CÂMARAHaas Ferrari1:31.515+4.045 
12A LINDBLADRacing Bulls RBPT Ford1:31.687+4.217 
13C LECLERCFerrari 1:28.289+0.819 P+10
14C SAINZWilliams Mercedes1:31.785+4.315 
15F COLAPINTOAlpine Mercedes1:33.327+5.857 
16P GASLYAlpine Mercedes1:33.449+5.979 
17L STROLLAston Martin Mercedes1:33.653+6.183 
18V BOTTASCadillac Ferrari1:33.774+6.304 
19G BORTOLETOAudi1:41.564+14.094 
20M VERSTAPPENRed Bull RBPT Ford1:31.238+3.768 P+30
21S PÉREZCadillac Ferrari1:34.509+7.039 P+30
22L HAMILTONFerrari 1:30.001+2.531P+75