Um eventual retorno de Christian Horner à Fórmula 1 pode ser mais demorado do que parecia. Isso porque documentos societários da Alpine, obtidos pelo site PlanetF1.com, revelam a existência de uma cláusula que impõe restrições claras à venda da participação minoritária da equipe — justamente o caminho que poderia viabilizar a entrada do ex-chefe da Red Bull no projeto de Enstone.

Demitido da equipe taurina em 2025, Horner poderá voltar a trabalhar na F1 nos próximos meses, caso surja uma oportunidade. Nos bastidores, é sabido que o dirigente britânico mantém interesse em retornar à categoria, mas em um cargo mais alto do​ que o que ocupava anteriormente, e com participação acionária no novo projeto.

Dentro do que Horner planeja, Aston Martin e Alpine surgem como opções no grid. A equipe de Silverstone aparece como o caminho mais rápido rumo ao sucesso esportivo, com instalações modernas, túnel de vento de última geração e reforços de peso — entre eles, Adrian Newey. Lawrence Stroll, dono da equipe, já demonstrou interesse em negociar fatias da equipe, mas afirmou aos funcionários recentemente que ​“não há qualquer possibilidade de oferecer um cargo ao britânico​.”

A outra alternativa é a Alpine. Publicamente, a montadora francesa reafirma de forma recorrente que a equipe não está à venda, que segue totalmente comprometida com a F1 e que já recusou propostas superiores a US$ 1 bilhão​ [R$ 5,3 bilhões na cotação atual]. Ainda assim, o time tem performado abaixo do esperado nas últimas temporadas e se encontra em um ponto estratégico para uma transformação profunda — algo semelhante ao que Stroll promoveu na Aston Martin.

Franco Colapinto (Foto: Rodrigo Berton/Agência Warm Up)

Esse cenário torna o momento atrativo para uma eventual aquisição, especialmente porque há indícios de que ​o grupo Otro Capital, investidor minoritário da Alpine, estaria disposto a vender ​a​s ações. O fundo faz parte do consórcio que adquiriu 24% da equipe em meados de 2023, em um negócio que custou € 200 milhões ​[R$ 1,2 bilhão], avaliando a Alpine, à época, em aproximadamente US$ 900 milhões​ [R$ 5,6 bilhões].

Desde então, o valor da equipe disparou. Em novembro de 2025, a revista Forbes ​precificou a Alpine em US$ 2,45 bilhões​ [R$ 15,3 bilhões], o que eleva a participação do Otro para algo em torno de US$ 588 milhões​ [R$ 3.6 bilhões] — um retorno sobre investimento de 170% em pouco mais de dois anos. Diante disso, faria sentido financeiro o fundo vender ​a fatia, possivelmente para Horner, que, segundo ​a imprensa europeia, já teria capital suficiente para viabilizar a operação.

​C​ontudo, uma cláusula clara determina que a venda da participação do Otro a terceiros só pode ocorrer após três anos da adoção do estatuto da empresa. O documento é datado de 13 de setembro de 2023, o que impede qualquer transação direta antes de meados de setembro.​ Além disso, mesmo após esse prazo, qualquer venda depende da aprovação formal do Grupo Renault, controlador da equipe.

Franco Colapinto (Foto: AFP)

​Ou seja, Horner não poderia adquirir a fatia do Otro antes dessa data e, ainda assim, precisaria do aval da montadora francesa para concluir o negócio.​ Isso não significa que a possibilidade de Horner em Enstone esteja descartada, mas ​d​eixa o negócio mais complexo.

Há ainda outros cenários em jogo. O ​g​rupo Otro pode optar por manter ​a participação por mais tempo, especialmente se o carro de 2026 se mostrar competitivo, o que tende a impulsionar ainda mais o valor da equipe — ainda que o ritmo de crescimento diminua. Por outro lado, a própria Renault pode decidir recomprar a fatia minoritária, movimento que praticamente encerraria qualquer chance de Horner ingressar no projeto como sócio.

A Fórmula 1 está de férias. Os carros voltam a acelerar de 26 a 30 de janeiro em testes privados em Barcelona. Depois, seguem para o Bahrein para mais duas sessões da pré-temporada: de 11 a 13 de fevereiro e de 18 a 20 de fevereiro. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades de 2026.

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