Dos pilotos mais talentosos da geração que revelou Max Verstappen, Charles Leclerc e companhia, Pierre Gasly hoje se vê maduro o suficiente para representar a figura de liderança que a Alpine precisa nas pistas, papel com o qual o francês tem se dado por “satisfeito”. A expectativa, contudo, é por mais, já que “acredita no projeto” a longo prazo.
Antes da consolidação na Alpine, todavia, Gasly precisou se reinventar na AlphaTauri (hoje Racing Bulls) depois de passar por um rebaixamento abrupto ao não entregar os resultados esperados quando dividiu a Red Bull com Max Verstappen. Ele, aliás, fez uma comparação entre o Pierre daquele tempo e o de agora, com a esquadra de Enstone.
“Acho que é estar mais atento a muitas coisas”, disse em entrevista ao portal neerlandês RacingNews365. “Sempre tive velocidade. Depois, é preciso ter consistência, precisa que a equipe trabalhe. Você precisa trabalhar para a equipe, mas a equipe precisa trabalhar para você”, pontuou.
“E tendo esse tipo de mentalidade, tira-se mais da equipe e de si mesmo, do pacote etc. Então, devo dizer que estou satisfeito por ter mais responsabilidades na equipe, mais liderança”, salientou.

Desde a saída de Esteban Ocon da Alpine ao final de 2024, Gasly assumiu o posto de ‘mentor’ para Jack Doohan e Franco Colapinto, os jovens que ocuparam o segundo assento este ano. Ele admite que ter ao lado dois novatos deposita certa pressão, mas vê de forma positiva.
“Obviamente, Jack e Franco colocam mais peso em mim, o que gosto, e também na equipe. Estamos todos indo na direção que me convém, em busca de bom desempenho e de tirar o máximo proveito do carro”, completou.
Mas a realidade da Alpine tem sido mais fatigante. Gasly foi o responsável por todos os 20 pontos somados pelos franceses, que ocupam a lanterna passadas 14 etapas da temporada 2025. A esperança, no entanto, é a partir do ano que vem, com a profunda mudança que o regulamento técnico da F1 sofrerá. A Alpine dará início a uma nova era, com motores Mercedes.
“Devo dizer que estou feliz com a forma como trabalho com a equipe”, garantiu. “Sou muito competitivo, independentemente do desempenho do carro — e pode-se dizer que às vezes é frustrante, porque é claro que não estou na F1 para brigar pelo 15º ou décimo lugar.”
“Mas, no fim das contas, estou com a equipe para um projeto mais longo. Acredito nele. Sei para onde estamos indo, sei que estamos fazendo muitas mudanças positivas. E, felizmente, isso é só um passo da caminhada, o que não é das mais agradáveis, mas tenho certeza de que sairemos mais fortes como equipe”, ressaltou.
“Muito do que estamos construindo, questionando, mudando, tenho certeza, renderão dividendos no futuro. Agora temos o carro que tínhamos desde Barcelona. Não podemos esperar um milagre de repente com a situação em que estamos, e sabíamos disso quando decidimos ter essa estratégia para 2026”, encerrou.
A Fórmula 1 volta às pistas após o recesso de verão, entre os dias 29 e 31 de agosto, para o GP dos Países Baixos, em Zandvoort.
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