Difícil acreditar que haja no atual calendário da Fórmula 1 uma pista que ainda não viu Max Verstappen ser o primeiro a receber a bandeira quadriculada ao final da corrida. E não, não estamos falando de uma etapa recente, como Las Vegas, mas sim de Singapura, que contou com a presença do neerlandês em oito edições, mas permitiu a ele conquistar no máximo dois segundos lugares e um terceiro.

O traçado urbano de Marina Bay é definitivamente o calcanhar de Aquiles de Verstappen. Para se ter uma ideia, em 2023, ano em que estabeleceu inúmeros recordes, ficou pelo meio do caminho ainda no Q2, alinhando somente em 11º. O choque foi tanto que classificou o resultado como “inacreditável”.

Naquele ano, em corrida vencida por Carlos Sainz com a Ferrari — a única da temporada, aliás, que não teve um carro da Red Bull no alto do pódio —, Verstappen terminou em quinto. Melhor que o sétimo da temporada anterior, quando os taurinos já haviam virado o jogo sobre os italianos com sobras no Mundial.

E não são apenas em corridas que Max sofre no sinuoso traçado singapurense. Ele nunca conseguiu ser o mais rápido em classificações, beliscando a primeira fila em somente três oportunidades. Destas, duas foram convertidas em pódio, já que abandonou a prova de 2017 ainda na largada, ao ser ensanduichado pelas Ferrari de Kimi Räikkönen e Sebastian Vettel.

Max Verstappen terá um desafio e tanto daqui a duas semanas, em Singapura (Foto: Red Bull Content Pool)

A questão de Verstappen com Singapura é explicada pelas características da pista e do carro da Red Bull. Mesmo quando tinha em 2023 um equipamento versátil, que se adaptava muito bem a distintos tipos de traçado, o time previu dificuldades na etapa noturna. Na ocasião, tentou trabalhar o assoalho e outros elementos para melhorar a carga aerodinâmica, mas nada deu certo. Acontece que o RB21, assim como seus antecessores, prefere traçados fluidos e mais velozes, tudo o que Marina Bay, com suas curvas travadas e praticamente sem retas, não é.

Em pistas assim, o downforce é quem manda, e a equipe que melhor souber trabalhar o acerto para ter um carro bem equilibrado, que permita ataque às curvas sem sair de frente ou de traseira é a que terá sucesso sobre as rivais. E esse é o ponto mais preocupante, pois mesmo que tenha achado caminho interessante com as atualizações recentes, a Red Bull ainda pena com a estreita janela operacional do carro.

As mudanças recentes, contudo, trazem fagulha de esperança para a etapa seguinte do calendário, principalmente pelo que levou Verstappen ao domínio absoluto no Azerbaijão. O traçado azeri traz peculiar combinação de altíssima velocidade, com uma reta de 2 km de extensão, e um setor intermediário sinuoso, com pontos cegos e curvas mais fechadas. E foi justamente o acerto para esse trecho que fez toda a diferença, pois a Red Bull conseguiu pegar a McLaren no contrapé.

Não vai ser fácil, porém, até por se tratar de uma pista em que a tendência é ver a McLaren sobrar — essa, sim, com um carro que casa perfeitamente com o que Singapura oferece. Mas se o time austríaco conseguir ao menos dar a Verstappen a chance de brigar pela pole, poderá ser suficiente para entrar na cabeça de Lando Norris e Oscar Piastri e induzi-los a algum erro.

Fórmula 1 terá um fim de semana de descanso até a próxima etapa da temporada. Carros e pilotos voltam às pistas entre os dias 3 e 5 de outubro, para o GP de Singapura, com cobertura completa do GRANDE PRÊMIO.

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