Presidente da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), Jean Todt vê com bons olhos a ampliação das atividades das equipes para além da Fórmula 1. O dirigente francês comentou que gostaria, por exemplo, de ver times como Ferrari, Mercedes e Red Bull correndo nas 24 Horas de Le Mans.
Depois de muito debate, a F1 conseguiu um acordo para baixar o teto orçamentário. No início de maio, o Mundial concordou que o limite de gastos, antes estipulado em US$ 175 milhões (R$ 974 milhões), agora passa para a casa de US$ 145 milhões (ou R$ 807 milhões).
A mudança, porém, vai impactar o quadro de funcionários das equipes. A Mercedes, porém, já admitiu que vai acabar com funcionários ociosos e, por isso, falou até em olhar para outras categorias.

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“Para nós, [o teto orçamentário] significa reajustes. Significa mudar nossa forma de agir e realocar funcionários para novas áreas. Temos um departamento muito forte, o de ciências aplicadas, onde trabalhamos com clientes de alta performance. Talvez a gente olhe para outras categorias para manter nossos recursos humanos, nossa propriedade intelectual dentro da Mercedes. Quem sabe?”, disse Toto Wolff, chefe da Mercedes.
A Ferrari, por sua vez, estima que 350 postos de trabalho vão ser afetados pela mudança orçamentária. E, assim, considera ampliar o leque de atividades, expandindo para o Mundial de Endurance e até mesmo para a Indy.
“A Ferrari sente muita responsabilidade social com seus empregados. Queremos estar seguros de que haverá espaço para todos no futuro. Por isso, começamos a avaliar programas alternativos. Como a Indy, por exemplo, que atualmente é uma categoria muito diferente da F1, mas tem uma mudança nas regras programada para 2022. Também observamos o mundo do endurance e outras categorias. Tentaremos tomar a melhor decisão”, revelou Mattia Binotto, chefe da escuderia de Maranello, em entrevista à emissora de TV italiana Sky Sports.
Apesar dos previstos impactos da mudança no limite de gastos, Todt confia que foi a melhor decisão para a F1.
“Tínhamos de ser ambiciosos, porque com os custos de antes, a F1 é insustentável”, disse Todt ao jornal italiano ‘Corriere delle Sera’. “A diferença entre os times grandes, médios e pequenos era muito grande”, reconheceu.
Além disso, Todt reconheceu que enxerga como uma boa opção essa expansão nas atividades das equipes.
“Sou sempre otimista. Qual o sentido de gastar mais de meio bilhão de dólares por ano em uma categoria? Isso é ruim para o esporte”, apontou. “Como em todos os setores da economia, vai acontecer uma redução no staff da Fórmula1 e eles terão a oportunidade de trabalhar em outro lugar”, ponderou.
“Quando eu era jovem, pilotos como Jim Clark e Jochen Rindt corriam em várias categorias ao mesmo tempo. Foi uma grande era”, frisou. “Eu ficaria feliz em ver Ferrari, Mercedes e Red Bull lutando juntas com os times de fábrica em Le Mans”, encerrou.