Talvez nem a Toro Rosso imaginasse que teria tanta relevância em 2019. Os anos anteriores, especialmente com as saídas de Max Verstappen e Carlos Sainz, foram bastante complicados. Para a temporada, uma dupla que até seis meses antes do início do ano era improvável: Daniil Kvyat recebeu uma segunda chance após ter sido chutado em 2017, e Alexander Albon, dispensado do programa da Red Bull ainda no automobilismo de base, recebeu o chamado quando já tinha contrato assinado para correr pela Nissan na Fórmula E. O resultado? Deu certo.
 
A primeira fase da temporada foi bem discreta para os taurinos, que viram Kvyat pontuar na Austrália e Albon ficar no top-10 no Bahrein e na China. Em Xangai, inclusive, foi o momento que o anglo-tailandês mostrou a que veio na Fórmula 1. Largou do pit-lane e foi ultrapassando vários até chegar ao 10º lugar. Performance reconhecida pelo público, que o elegeu como piloto do dia.
 
Os avanços aliados ao motor Honda tiveram outra resposta muito positiva em Mônaco. Os dois foram juntos ao Q3 pela primeira vez, e somaram bons pontos com o sétimo lugar de Kvyat e o oitavo de Albon. O russo somou pontos também no Canadá e na Inglaterra, justamente no pior período passado pela equipe na temporada, ficando bem atrás da concorrência na França e na Áustria.
#iconeimagem Daniil Kvyat (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)
As coisas mudaram da água para o vinho na Alemanha. O sábado foi fraco, dando a impressão de que o domingo seria ruim novamente, mas a chuva em Hockenheim mudou completamente o cenário da corrida. Albon fez grande exibição, chegou a ocupar o 3º lugar em determinados momentos, e terminou em sexto, mostrando ao mundo da F1 que merecia estar ali. Kvyat, chutado do time dois anos anos, terminou em um incrível terceiro lugar, o primeiro pódio do time de Faenza desde a vitória de Vettel, em 2008.
 
Após uma prova discreta na Hungria, veio a notícia bombástica que mudaria os rumos do time. Alexander Albon foi promovido para a Red Bull, e Pierre Gasly retornou. Existiam dúvidas se a motivação do francês seguiria a mesma após o duro golpe por conta da fracassada passagem pelo time de cima, mas a resposta veio de forma imediata: nono lugar na Bélgica, correndo um dia após a morte do amigo Anthoine Hubert. Na mesma corrida, Kvyat registrou um bom sétimo lugar.
 
Correndo em casa na Itália, o time tinha tudo para somar bons pontos, mas o azar apareceu. Gasly foi atrapalhado por Lance Stroll na parte inicial da corrida e fechou em 11º. Kvyat tinha tudo para repetir o sétimo lugar da Bélgica, mas o motor o deixou na mão. Uma rara falha mecânica do confiável equipamento da Honda.
#iconeimagem O pódio do GP da Alemanha (Foto: AFP)
A partir disso, Gasly e Kvyat tomaram rumos diferentes ao longo da temporada. O francês passou a somar pontos de forma constante. 8º em Singapura, 7º no Japão e 8º no México. O russo se viu envolvido em acidentes e punições, conquistando apenas o 10º lugar em Suzuka como seu melhor resultado. O ápice da equipe, e especialmente de Gasly, veio a seguir.
 
O francês fez uma classificação incrível no Brasil, com o sexto lugar no grid. Na corrida, se manteve à frente do pelotão intermediário o tempo todo, e todo o esforço feito em seu retorno ao time foi recompensado naquelas voltas finais em Interlagos. Ele viu abandonos e acidentes na sua frente, e segurou Lewis Hamilton nos metros finais para conquistar um incrível segundo lugar.
 
O ano da Toro Rosso foi muito além do que se esperava. O retorno de Gasly foi um salto além do potencial que o time tinha, provando que mesmo com passagem ruim pela Red Bull, ainda é um dos pilotos mais talentosos da geração, e traz a esperança para o time, que vira AlphaTauri em 2020, brigue pelo quarto posto na próxima temporada, mas para isso, precisa de mais contribuição de Kvyat, que foi um fracasso na segunda metade do ano.
#iconeimagem Max Verstappen e Pierre Gasly (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)