Sebastian Vettel teve uma ascensão meteórica na Fórmula 1 e não demorou para começar a vencer e emplacar títulos posteriormente. No entanto, como conquistou tudo muito cedo na carreira, a motivação também foi embora um pouco antes do habitual. O alemão fez um balanço da trajetória na categoria e admitiu que já estava em declínio em 2020, último ano em que defendeu a Ferrari.
Vettel estreou na F1 pela BMW Sauber em 2007, substituindo Robert Kubica no GP dos Estados Unidos, com somente 19 anos. Logo de cara, somou o primeiro ponto da carreira e fez o restante da temporada pela Toro Rosso. No ano seguinte, cravou a primeira pole-position e a primeira vitória no GP da Itália.
O bom desempenho o fez ser promovido para a Red Bull, onde teve o auge na F1: foi vice em 2009 e emplacou quatro títulos em sequência entre 2010 e 2013. Depois de um 2014 apagado, uniu-se à Ferrari, levando a equipe de volta ao caminho das vitórias. E apesar de fazer frente ao domínio da Mercedes na época, não conseguiu ser campeão vestindo vermelho.
“Cheguei à Fórmula 1 em 2006, 2007 e diria que já em 2010 – obviamente, ganhei o campeonato – eu estava no meu auge”, declarou o tetracampeão ao podcast Beyond the Grid. “Mas então, em 2011, estava muito mais preparado para ser campeão do que no ano anterior, por exemplo, e depois tive anos fortes, ganhando títulos em sequência”, seguiu.

“2015 foi um ano muito forte, 2017, 2018 – e depois 2019 e, para ser sincero, 2020, eu já estava em declínio. Estou feliz em dizer isso agora, porque realmente não tinha mais aquele impulso final”, reconheceu.
Sebastian acredita que as dificuldades da Ferrari em 2019 tiveram um impacto mental maior sobre ele, já que a SF-90 se encaixava melhor ao estilo de pilotagem de Leclerc.
“Charles tinha muita energia. Para ser sincero, eu era mimado – quero dizer, venci quatro campeonatos, ganhei muitas corridas, cravei muitas poles, enfim”, destacou.
“Tudo o que me interessava era vencer, e esse era o tipo de atleta que eu era: queria o maior troféu, queria aquele momento no pódio em que sabia que tinha vencido a corrida, queria o sentimento da segunda-feira de manhã de ‘venci o último GP e me sinto muito bem’, mas a sensação não dura o suficiente, então você tem de ganhar outra”, avaliou.

“E Charles chegou, e quando terminamos em quinto e sexto, ele ficou muito feliz com o resultado, porque era uma fase diferente da carreira dele e a primeira vez em um carro competitivo. Acho que foi aí que comecei a ter um pouco de dificuldade”, admitiu.
A situação viria a piorar na temporada seguinte. Se em 2019 a Ferrari brigava por vitórias em determinados circuitos, em 2020 a equipe teve uma queda de rendimento do motor, provocada pela irregularidade flagrada no ano anterior, além de defeitos crônicos no chassi e no pacote aerodinâmico do carro. O time italiano teve a pior temporada em 40 anos, terminando apenas na sexta colocação entre os Construtores, e o tetracampeão se transferiu à Aston Martin ao fim do campeonato.
“Então veio 2020, um ano realmente estranho com a pandemia, não estávamos competindo, e tive essa folga fantástica que nunca tinha tido antes e aproveitei muito com a família. Ao mesmo tempo, conforme meus filhos cresciam, eu me tornava consciente dos problemas do mundo e de como eles começaram a me afetar, e fiquei refletindo sobre. Diria que, naquela época, provavelmente já não estava mais no auge”, concluiu Vettel.
A Fórmula 1 está de férias. Os carros voltam a acelerar de 26 a 30 de janeiro em testes privados em Barcelona. Depois, seguem para o Bahrein para mais duas sessões da pré-temporada: de 11 a 13 de fevereiro e de 18 a 20 de fevereiro. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades de 2026.
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