Andrea Kimi Antonelli não poderia ter fornecido reação mais sincera ao dizer que “seria assustador” se Max Verstappen estivesse mais próximo a ele na classificação do Mundial de Pilotos da Fórmula 1 2026, e os números comprovam que a disputa estaria muito mais equilibrada se a Red Bull tivesse alcançado no início do ano a performance vista desde a volta das férias. Nas seis últimas corridas realizadas, Kimi somou apenas 9 pontos a mais que Verstappen.

A F1 retornou das férias nos Países Baixos e, depois, passou por Itália, Espanha, Azerbaijão, Malásia e Singapura. Neste período, Antonelli venceu em Monza e em Madri, enquanto Max triunfou nas duas últimas etapas, em Sepang e em Marina Bay. Ao todo, o italiano acumulou um total de 121 pontos contra 112 do taurino.

F1 2026: Mundial de Pilotos — recorte dos Países Baixos a Singapura

Pontuação acumulada exclusivamente entre os GPs dos Países Baixos e de Singapura, incluindo as duas sprints:

Pos.PilotoPontos
1ºK. ANTONELLI121
2ºM. VERSTAPPEN112
3ºG. RUSSELL78
4ºC. LECLERC77
5ºL. NORRIS73
6ºL. HAMILTON60
7ºO. PIASTRI42
8ºI. HADJAR25
9ºL. LAWSON25
10ºA. LINDBLAD20
11ºP. GASLY12
12ºN. HÜLKENBERG11
13ºF. COLAPINTO8
14ºO. BEARMAN6
15ºE. OCON4
16ºG. BORTOLETO2
17ºF. ALONSO2
18ºY. TSUNODA1
19ºC. SAINZ1

O cenário muda de figura ainda mais quando o recorte é a perna tripla. De Baku a Singapura, Verstappen somou 76 pontos, enquanto Antonelli marcou 48, o mesmo que Charles Leclerc. Russell, o vice-líder, teve desempenho pior, acumulando somente 27 nos últimos três GPs do calendário.

O resultado nos permite algumas conclusões, e a primeira delas é o evidente crescimento da Red Bull desde a introdução do pacote de atualizações levado para o Azerbaijão, que incluiu mudanças no assoalho e difusor, sidepods, áreas de refrigeração e estrutura do halo, tudo para melhorar a eficiência aerodinâmica e dar aos pilotos um carro mais estável nas entradas e saídas das curvas.

O pacote surtiu o primeiro efeito, com Verstappen indo ao pódio ao cruzar a linha de chegada em segundo. Mas foi na Malásia que as especificações se mostraram mais eficientes e colocaram a Red Bull puxando a ordem de forças do grid.

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Max Verstappen somou mais pontos que qualquer outro piloto do Azerbaijão a Singapura (Foto: Red Bull Content Pool)

Em Singapura, mais mexidas — incluindo alterações na asa dianteira e no duto de saída de ar da região da roda traseira — acompanharam as evoluções do pacote de Baku e mantiveram Verstappen na briga tanto em ritmo de classificação quanto em ritmo de corrida. A conclusão do trabalho veio no domingo, com o neerlandês vencendo pela primeira vez em Marina Bay de ponta a ponta.

Se houve crescimento do lado da Red Bull, a Mercedes teve mais trabalho para entender o pacotão levado para Sepang. Ao contrário do que se esperava pela natureza do traçado, com longas retas e curvas de alta velocidade, as Flechas de Prata estiveram longe do rendimento visto no começo do ano, sofrendo principalmente com a alta temperatura e o desgaste acentuado de pneus.

Foi preciso, então, fazer o teste final em Singapura ao dividir as especificações entre Russell e Antonelli, e embora o veredito tenha sido positivo, a Mercedes não ameaçou em nenhum momento a Red Bull.

Restam, em tese, mais seis etapas até o fim da temporada 2026. São 150 pontos em jogo, portanto, e Max teria de descontar mais de 17 até Abu Dhabi para virar sobre Antonelli — uma tarefa quase impossível, mas o alerta real para a Mercedes é começar a se preparar para ter Verstappen como adversário em 2027.

Com as atividades do GP de Singapura concluídas, a Fórmula 1 tira uma folga neste fim de semana e retorna entre os dias 23 e 25 de outubro, para a disputa do GP dos Estados Unidos. A etapa de Austin será a 18ª da temporada 2026.