A Red Bull deixou o GP do Bahrein na Malásia com algo que parecia distante no início da temporada: uma vitória construída com ritmo e desempenho, e não apenas aproveitando uma sequência de acontecimentos. Max Verstappen venceu pela primeira vez em 2026, conquistou a pole e liderou a maior parte da corrida após recuperar duas posições perdidas na largada. É possível, no entanto, afirmar que estamos diante de uma mudança na ordem de forças no grid?
Essa é uma resposta que exige análise criteriosa. A mudança de postura da Red Bull em relação às rivais diretas apareceu já na sexta-feira. Verstappen liderou o TL1 com 1min37s520, 0s383 à frente de George Russell, da Mercedes, enquanto Isack Hadjar colocou o segundo RB22 em terceiro. No TL2, todavia, a leitura foi mais complexa: Charles Leclerc liderou com a Ferrari, enquanto Verstappen terminou em quarto. O detalhe, porém, era o pneu: o piloto da Red Bull registrou a melhor volta com os médios, enquanto os demais que terminaram à frente utilizaram os macios.
Long runs: a tática diferenciada da Red Bull em Sepang
Além disso, o foco nos chamados long runs, os stints longos que priorizam o acerto do carro para a corrida, também mostraram uma Red Bull mais consistente e com chances de aparecer em melhor posição no sábado. Max chegou a fazer um único com 13 voltas, o dobro de giros que normalmente os long runs possuem.
A Mercedes reagiu no sábado e colocou Andrea Kimi Antonelli na liderança do TL3, com 1min36s302, 0s278 à frente de Verstappen. Hadjar foi terceiro. A resposta da Red Bull veio na classificação. Verstappen foi o mais rápido em todos os segmentos e garantiu a pole com 1min35s130, 0s298 à frente de Lewis Hamilton. E Hadjar só não largou em terceiro, abrindo a segunda fila, porque teve de pagar cinco posições no grid por troca de motor.
Na corrida, a chuva ofereceu um desafio a mais para todos, mas a Red Bull optou pela bola de segurança ao colocar Verstappen de intermediários para o primeiro stint. E apesar da largada ruim, o neerlandês fez valer todo o trabalho em cima do ritmo de corrida e rapidamente recuperou as posições perdidas para Antonelli e George Russell.

RB22 ficou mais previsível para Verstappen
Verstappen controlou bem a corrida, abrindo boa margem até as voltas finais. A declaração após a vitória é importante porque aponta para uma evolução que não se resume a velocidade máxima. Segundo o piloto, a Red Bull passou boa parte da temporada tentando entender as limitações do carro e trabalhou para deixá-lo mais competitivo e mais dirigível. A equipe também levou atualizações de performance para Sepang.
“Foi um início de ano muito complicado, com todo tipo de problema e sem sermos competitivos o suficiente. Ao longo do ano, a equipe trabalhou muito para entender nossos problemas e trouxe boas atualizações de performance para o carro, tornando-o mais dirigível”, explicou o tetracampeão após a corrida.
Essa mudança apareceu na classificação, quando Verstappen conseguiu extrair uma volta quase 0s3 mais rápida que a de Hamilton, e também na corrida. Mesmo perdendo a liderança para Antonelli e Russell na largada, o holandês não ficou preso atrás da Mercedes.
Depois da primeira intervenção do safety-car, a Red Bull colocou pneus macios em Verstappen. Na relargada, ele passou Russell e Antonelli e, a partir daí, conseguiu abrir vantagem. A própria Red Bull destacou que Verstappen conseguiu controlar a prova depois da troca para os slicks e ainda tinha margem suficiente para resistir à aproximação de Antonelli no segundo safety-car.

Portanto, Sepang mostrou duas coisas ao mesmo tempo: a Red Bull tinha um carro competitivo o suficiente para vencer em condições normais de corrida e também tomou as decisões certas quando as condições fugiram do padrão.
Hadjar reforça sinal, mas também expõe limite
Outro elemento favorável à Red Bull foi o desempenho de Isack Hadjar. O francês terminou em quinto, mesmo largando em oitavo após a punição. Antes disso, havia sido terceiro no TL1 e no TL3, além de ter colocado o segundo Red Bull entre os três primeiros na classificação antes da punição de grid por troca de motor.
É um dado relevante, portanto, porque indica que o desempenho não ficou restrito a uma volta excepcional de Verstappen. Ao mesmo tempo, Hadjar perdeu terreno no fim da corrida e terminou atrás de Lewis Hamilton e Leclerc depois da segunda relargada. A Red Bull apontou problemas com o carro saindo muito de frente naquele momento.
Sepang mudou patamar da Red Bull?
Apesar do desempenho bem acima do esperado, Sepang ainda não permite afirmar que a Red Bull tenha se tornado a referência da F1. Verstappen atribuiu explicitamente a evolução ao processo de compreensão dos problemas e às atualizações de performance introduzidas pela equipe, mas é preciso entender se isso vai se repetir em circuitos com caraterísticas diferentes.
A pista malaia, por exemplo, apresentou calor extremo, alta degradação de pneus e, no domingo, chuva, o que criou uma combinação particular de variáveis. Por isso, a vitória de Verstappen é melhor interpretada como um primeiro sinal concreto de que a Red Bull encontrou parte das respostas que procurava, e não como prova definitiva de uma nova ordem de forças.
O que Sepang fez, porém, foi recolocar Verstappen e a Red Bull no centro da conversa. Depois de um início de temporada marcado por problemas e falta de competitividade, a equipe finalmente conseguiu transformar a evolução do RB22 em um resultado completo: pole, estratégia acertada, ritmo de corrida e vitória.
F1 hoje: perguntas frequentes
O que mudou na Red Bull em Sepang?
Segundo Max Verstappen, a equipe avançou na compreensão dos problemas do carro, trouxe atualizações de performance e melhorou a dirigibilidade do RB22.
Verstappen dominou todo o fim de semana?
Não. Ele liderou o TL1 e a classificação, mas terminou em segundo no TL3, atrás de Kimi Antonelli. Na corrida, porém, venceu e controlou a prova depois de recuperar a liderança.
A Red Bull agora é o carro mais rápido da F1?
Ainda não é possível afirmar. O desempenho de Sepang foi forte, mas a Mercedes esteve próxima e liderou o TL3. Além disso, as condições específicas de calor, degradação e chuva influenciaram o fim de semana.