Chefiar uma equipe na Fórmula 1 não é uma tarefa fácil. Por isso, Toto Wolff, no início da carreira, admitiu que pediu dicas a Alain Prost para entender como funciona a dinâmica entre dois pilotos da mesma equipe que disputam o título. O austríaco destacou que aprendeu que ambos os competidores precisam se sentir apoiados pela escuderia e que a transparência é fundamental, especialmente em momentos de tensão.

Wolff se juntou à Mercedes em janeiro de 2013 após ser diretor-executivo da Williams. Sob o comando de Toto, as Flechas de Prata emplacaram uma sequência de oito títulos no Mundial de Construtores e sete no Mundial de Pilotos, vencendo centenas de corridas na era híbrida da F1, que teve início em 2014.

Embora os números indiquem domínio e até certa facilidade em alguns casos, houve percalços ao longo do caminho, principalmente pelo duelo entre Hamilton e Rosberg, que atingiu o ápice entre 2014 e 2016. Responsável por protagonizar uma das maiores rivalidades da história do esporte ao lado de Ayrton Senna, Prost foi procurado por Toto, enquanto o austríaco ainda estava na Williams — Wolff gostaria de entender melhor a dinâmica entre dois pilotos que disputavam o título pelo mesmo time.

“Estava no início da minha carreira na Fórmula 1, ainda na Williams, e me lembro como se fosse ontem de estar no grid de largada. Na época, acho que Alain ocupava algum cargo na Renault. Perguntei: ‘Eu vi tudo na TV — como a situação entre vocês dois (Senna e Prost) chegou a esse ponto?’. Questionei quase com ingenuidade, porque não entendia bem as dinâmicas entre os pilotos“, iniciou o chefe da Mercedes.

Toto Wolff questionou Alain Prost sobre rivalidade com Ayrton Senna para entender dinâmica entre pilotos da mesma equipe na F1 (Foto: F1)

“Prost me respondeu que o problema era nunca saber com certeza quem era o favorito da equipe. Disse que, em alguns momentos, teve a sensação de que era ele, Alain, o piloto privilegiado. Em outras fases da história deles, porém, era Ayrton. Ele explicou que isso criava uma dinâmica de desconfiança dentro do time, levando ao receio de que o adversário direto pudesse desfrutar de vantagens. No fundo, trata-se também de uma questão emocional”, recordou.

Para Wolff, o aspecto psicológico na F1 é fundamental. Por isso, é necessário entender o pensamento de cada piloto para tentar administrar a equipe da melhor maneira possível. O dirigente enfatizou que os competidores precisam se sentir apoiados pelo time para desempenharem melhor.

“De certa forma, os pilotos são crianças de oito anos traumatizadas que foram colocadas em um kart — estavam assustadas, perseguindo o sonho dos pais. Então você chega à Fórmula 1 e dizem: ‘Agora você tem de correr pela equipe’, seja pela Mercedes, seja pela McLaren, é uma situação muito complexa. É fundamental que o piloto se sinta emocionalmente protegido pela equipe. Se esse apoio não for garantido e não for mantida uma abordagem transparente e equilibrada, o competidor corre o risco de perder a confiança. Com isso, aprendi uma lição importante: nunca posso permitir que algo assim aconteça”, refletiu.

“Tenho de ser transparente. Se um dia decidirmos adotar um jogo de equipe, seja qual for a forma, vou declarar isso abertamente. Vou dizer claramente: ‘Essas são as regras’, com a máxima transparência. E se surgir uma discussão – porque um piloto não concorda ou alguém da equipe sugere uma abordagem diferente. É assim que queremos agir”, completou.

A Fórmula 1 tira uma folga neste fim de semana e retorna entre os dias 23 e 25 de outubro, para a disputa do GP dos Estados Unidos. A etapa de Austin será a 18ª da temporada 2026.