Rafael Câmara chega à 12ª etapa da temporada 2026 da Fórmula 2 a apenas 7 pontos da liderança, mas a situação exige mais do que simplesmente alcançar Nikola Tsolov. O brasileiro da Invicta tem 170 pontos, contra 177 do piloto da Campos, e precisa terminar Baku à frente do rival caso o Azerbaijão, não apenas empatado. Isso porque a realização das rodadas seguintes, no Catar e em Abu Dhabi, ainda é incerta por causa da situação no Oriente Médio. Assim, essa pode ser a última etapa do campeonato — e a última chance do título mudar de mãos.
Um fator que complica a situação de Câmara é o critério de desempate: caso dois pilotos fiquem igualados em pontuação, o número de vitórias define quem fica à frente. Tsolov venceu seis vezes em 2026, contra dois triunfos do brasileiro. Por isso, caso ambos terminem a rodada em pé de igualdade, o búlgaro se mantém na liderança do campeonato.
É justamente por isso que a possibilidade de Baku encerrar a temporada muda o peso da matemática. A F2 não pretende acompanhar a Fórmula 1 até Ímola caso seja necessário cancelar as provas no Oriente Médio. Neste cenário, portanto, o campeonato terminará no Azerbaijão.
O que Rafael Câmara precisa fazer em Baku?
A conta para o brasileiro assumir a liderança é objetiva: ganhar pelo menos 8 pontos sobre Tsolov durante a etapa.
Já prevendo o fim antecipado do campeonato, a F2 anunciou que a etapa de Baku terá duas sessões de classificação, uma corrida sprint e duas corridas principais. Cada pole position vale 2 pontos, enquanto as provas principais distribuem 25 pela vitória e mais 1 pela volta mais rápida para um piloto elegível. Vencer na sprint rende 10 tentos, com mais 1 pela volta mais rápida.
Com o formato excepcional, cada piloto poderá somar até 67 pontos. Em um fim de semana convencional, o máximo é de 39 pontos. Uma diferença de apenas 7 pontos representa pouco mais de 10% do máximo de 67 disponível para um único piloto no fim de semana. Logo, a liderança pode mudar de mãos rapidamente na capital azeri.

Para isso, Rafael não é obrigado vencer uma das corridas. A diferença necessária pode ser construída combinando posições de chegada, poles e voltas mais rápidas. Da mesma forma, uma vitória isolada não garante a liderança, já que Tsolov pode compensar parte da diferença com resultados fortes nas outras provas.
Por exemplo, se Câmara recuperar os atuais 7 pontos e os dois chegarem a 177, Tsolov permanecerá à frente pelo desempate. Se o brasileiro conquistar uma diferença de 8, porém, chegará a 178 contra 177 e passará a liderar sem depender do critério.
Olho em quem vem atrás
O fim de semana em Madri embolou totalmente a disputa. Depois da etapa de Monza, Tsolov tinha 11 pontos de vantagem sobre Câmara. Na Espanha, o abandono do búlgaro na sprint abriu espaço para uma nova redução da diferença, que caiu para 8 pontos antes da corrida principal. Câmara, entretanto, não conseguiu completar a recuperação no domingo. O brasileiro recebeu uma punição de 10s por contato com Oliver Goethe e caiu de nono para décimo, enquanto Tsolov também terminou fora da zona de pontuação, diminuindo a diferença para 7.

Atrás dos dois líderes, Gabriele Minì fechou a rodada com 153 pontos, 17 atrás do brasileiro e 24 de Tsolov. Portanto, o italiano segue na briga e, caso os dois rivais repitam os resultados decepcionantes de Madri, pode superar ambos e sagrar-se campeão.
Outros dois pilotos chegam a Baku ainda com chance de título: Alexander Dunne, com 139 tentos, e Noel León, com 119. A diferença para os líderes, porém, diminui bastante as chances de ambos, que dependeriam de combinações bastante significativas para ganharem força.
A Fórmula 2 retoma as atividades da temporada 2026 entre 24 e 26 de setembro, com o fim de semana no Azerbaijão. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa da temporada.