Alexander Dunne é o que se pode chamar de um piloto ‘oito ou 80’. Se no último fim de semana, em Ímola, brilhou com ultrapassagens em lugares improváveis e conseguiu pegar os adversários “desprevenidos”, como ele mesmo pontuou, jogou tudo no lixo em uma única curva em Mônaco. E se não consegue ser regular conforme manda a dinâmica de um campeonato tão acirrado quanto a Fórmula 2, vai ter de engolir a virada de mesa que começa a se desenhar através de Luke Browning de grão em grão.

Na Emília-Romanha, Browning foi até questionado sobre o fato de ainda não ter vencido na temporada, embora já tivesse quatro pódios na conta em quatro rodadas realizadas. Deu de ombros e lembrou que o importante é sempre maximizar o melhor resultado possível. E isso costuma fazer muito sentido em pistas como Monte Carlo.

Mônaco não é travada só para a Fórmula 1, diga-se. A classificação também tem papel fundamental e costuma ser decisiva na corrida de domingo, sempre mais valiosa. Este ano, todavia, a bandeira vermelha no começo e o safety-car nos minutos finais trouxeram um tempero a mais e colocaram outros nomes na disputa pela vitória, como Jak Crawford, que venceu no domingo.

Browning não chegou a figurar entre eles, pois negociar ultrapassagens é praticamente um milagre no traçado urbano e ele fez somente o nono tempo na classificação. Mas contou com uma bela dose de sorte para ao menos escapar do caos na Sainte-Dévote causado por Dunne. O safety-car ainda o ajudou a ganhar mais um posto, não suficiente para pegar novamente o pódio — foi terceiro colocado na sprint —, mas que rendeu a pontuação necessária para chegar ao lugar que realmente interessa: a liderança.

O caos na largada da Fórmula 2 em Mônaco (Vídeo: Reprodução/F1 TV)

“Tivemos um pouco de azar na classificação, rodando na última volta. Caso contrário, acho que estaríamos na terceira posição. Mas, da mesma forma, a F2 é assim, e como disse antes, maximizando o que temos, nunca se sabe o que pode acontecer amanhã. A estratégia teve um papel importante no ano passado e certamente terá papel importante este ano, se escolher a certa. É possível ter um pouco de sorte aqui”, disse Browning depois do pódio na sprint de sábado.

Dunne ainda deixou o Principado na vice-liderança, muito em função da pontuação reduzida, uma vez que a corrida precisou terminar no limite de tempo e ficou abaixo do número de voltas suficiente para valer os pontos cheios. Só que precisa urgentemente colocar a cabeça para pensar se realmente quiser brigar pelo título até o fim. Em Mônaco, por exemplo, Victor Martins partiu muito melhor e ia fazer a curva 1 em uma justa liderança. Foi acertado em cheio pelo irlandês.

Quem ele pensa que é, Max Verstappen?!”, bradou um inconformado Martins, que deixou uma rodada no zero pela primeira vez. E de nada adianta dominar as voltas rápidas se não consegue — ora por culpa própria, ora dos outros — converter a velocidade ao menos em pódios. Já são 37 pontos de desvantagem para o líder e uma sensação cada vez mais nítida de que não terá tempo para recuperar esses tentos perdidos.

Enquanto isso, Leonardo Fornaroli continua à espreita, correndo por fora e pontuando em todas as corridas realizadas — o único a fazer isso até o momento. Se a consistência vai resultar em título da mesma forma como na Fórmula 3, só o tempo dirá, mas já está (mais do que) na hora de voltar a frequentar o degrau mais alto do pódio.

A Fórmula 2 volta neste fim de semana, de 30 de maio a 1º de junho, com a rodada da Espanha, a sexta da temporada 2025.

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