Depois da boa rivalidade protagonizada na disputa pelo título da Fórmula 3 em 2025, Rafael Câmara e Nikola Tsolov deram o passo para a Fórmula 2 em 2026 e, apesar de serem novatos, a expectativa sempre foi de que brigariam pelo título. Após nove etapas, a disputa entre os dois parece cada vez mais acirrada — ainda que Gabriele Minì apareça como intruso na vice-liderança do campeonato — e tende a ficar ainda mais intensa. Principalmente porque o búlgaro e o brasileiro são cotados para assumir uma vaga na Fórmula 1, e o título da principal categoria de base pode ser determinante para a concretização do próximo passo na carreira.

Câmara é piloto da Academia Ferrari, enquanto Tsolov integra o programa de jovens talentos da Red Bull, e ambos estão muito bem posicionados. Embalado pelo título da F3 logo no ano de estreia, o brasileiro atravessou alguns momentos de instabilidade na temporada 2026, mas também protagonizou atuações maduras e, por isso, é visto com bons olhos pela equipe italiana. O búlgaro, por sua vez, ficou com o vice-campeonato na F3, mas já acumula seis vitórias na F2, lidera o campeonato e faz a promoção para a F1 parecer apenas uma questão de tempo.

Para o brasileiro, existem dois cenários como titular para 2027. O primeiro é a Haas, equipe cliente da Ferrari e que já conta com Oliver Bearman, outro piloto formado pela academia italiana. A outra opção é a Cadillac, que também mantém parceria técnica com a Ferrari e vê diminuir as chances de promover Colton Herta. Para o búlgaro, a única opção é a Racing Bulls.

No entanto, ambos enfrentam um impasse semelhante. A Haas ainda não definiu quem será o companheiro de Bearman e existe a possibilidade de o chefe Ayao Komatsu optar por um piloto independente em quem possa confiar para um projeto de longo prazo. Nesse cenário, a permanência de Esteban Ocon ou a chegada de Leonardo Fornaroli surgem como possibilidades.

No caso de Tsolov, a menos que Max Verstappen deixe a Red Bull, uma mudança na formação das equipes da marca não parece algo tão óbvio. Afinal, Isack Hadjar faz um bom trabalho na equipe principal, enquanto Arvid Lindblad surpreende em sua temporada de estreia na Racing Bulls. Liam Lawson, que viveu um 2025 conturbado, marcado pelo rebaixamento da Red Bull para a Racing Bulls e por desempenhos abaixo das expectativas, parecia o candidato mais provável a perder a vaga. No entanto, mostrou uma adaptação notória aos carros de 2026.

Ainda assim, vale lembrar que a equipe de Faenza tem como principal objetivo preparar pilotos para uma futura promoção à Red Bull. E, considerando que uma nova promoção de Lawson pareça improvável, é justamente o neozelandês quem aparece como o mais ameaçado por Tsolov. A decisão sobre o futuro da equipe, no entanto, deve ser anunciada em breve.

Nikola Tsolov lidera a F2 2026 (Foto: Reprodução/F2)

Portanto, se em algum momento a promoção para a F1 em 2027 parecia natural em razão do desempenho apresentado nas categorias de base, agora tanto Câmara quanto Tsolov terão de manter um nível ainda mais alto na reta final da temporada 2026 da F2. E a conquista do título pode ser determinante para assegurar uma vaga como titular no ano que vem.

Ao longo das nove etapas, ainda que tenham cometido alguns deslizes, tanto Câmara quanto Tsolov demonstraram velocidade, consistência e maturidade para se manterem na disputa pela taça. No momento, o favorito é o búlgaro, que soma o maior número de vitórias na temporada e tem 20 pontos de vantagem sobre o vice-líder, Gabriele Minì, e 22 sobre Câmara, terceiro colocado.

O brasileiro, porém, vive um momento de ascensão. Parece ter aumentado a compreensão do equipamento da F2 e, além de já somar quatro pole-positions e duas vitórias, vem de um pódio na Hungria e mostrou, sobretudo na rodada da Bélgica, que pode endurecer as disputas de posição contra Tsolov.

Nikola Tsolov foi para fora da pista após uma batalha com Rafael Câmara na Bélgica (Foto: Reprodução/F2)

Desde que a categoria passou de GP2 para Fórmula 2, em 2017, cinco pilotos — Charles Leclerc, George Russell, Oscar Piastri, Gabriel Bortoleto e Leonardo Fornaroli — conquistaram o título logo na temporada de estreia. O único que não conseguiu a promoção para a F1 no ano seguinte foi o italiano. Câmara e Tsolov conhecem muito bem o peso que essa disputa terá nas próximas etapas e, por isso, tudo indica que a reta final da temporada será ainda mais intensa.

A Fórmula 2 parte para as férias de verão e retoma as atividades entre 4 e 6 de setembro, com a rodada em Monza. Ainda restam cinco etapas até o fim do campeonato e o GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do fim de semana.

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